Elas ainda poderão amar
muito na vida e comemorar inúmeros Dia dos Namorados, se tiverem o diagnóstico
precoce da cardiopatia congênita.
O
InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP) comemora neste
dia 12 de junho, às 10h, o Dia da Cardiopatia Congênita, com um show dos
Doutores da Alegria, para seus pacientes e familiares, no anfiteatro do hospital.
O momento será de celebrar a vida e de lembrar a sociedade da importância do
diagnóstico precoce da doença cardíaca congênita, para que mais crianças possam
ter direito a um futuro com saúde e bem-estar.
No Brasil, cerca de 29 mil
crianças nascem com cardiopatia congênita por ano (1% do total).
Aproximadamente 12.500 delas morrerão antes de completarem o 1º ano de vida e
23 mil, ao longo da primeira infância e adolescência, se não forem submetidas à
cirurgia de correção dos defeitos anatômicos que acometem seus corações ou os
grandes vasos associados ao órgão.
Segundo o Ministério da
Saúde, a doença é a 3ª maior causa de mortalidade neonatal no País.
“O diagnóstico precoce é a
única saída para salvar essas crianças”, diz o Dr. Roberto Kalil Filho, presidente
do InCor, que abrirá o evento para os pequenos pacientes do InCor, nesta
quarta-feira.
SOMENTE
50% TÊM DIAGNÓSTICO
A estimativa é de que menos
de 50% das cardiopatias congênitas sejam diagnosticadas no pré ou no pós-natal
imediato. “Esse é um grande problema porque quanto mais cedo a malformação
cardíaca for diagnosticada, melhores as chances de sua cura (seja com
tratamento medicamentoso, cateterismo ou cirurgia), ou de convivência com o
problema mantendo uma boa qualidade de vida”, esclarece o Dr. Kalil.
Antes do nascimento, o
diagnóstico é realizado por um simples ecocardiograma fetal, exame que,
infelizmente, ainda não faz parte do protocolo do SUS. Depois que o bebê nasce,
o teste do coraçãozinho, exame não-invasivo feito entre 24 a 48 horas de vida,
é eficiente para indicar a anomalia em 75% dos casos.
O teste do coraçãozinho é
muito simples: realiza-se a medição do nível de oxigênio no sangue utilizando
um oxímetro de pulso, em todo recém-nascido aparentemente saudável, com idade gestacional
acima de 34 semanas, antes da alta hospitalar.
Feito esse diagnóstico, elas
devem ser encaminhadas para tratamento especializado, em centros de referência
em cardiologia pediátrica, aptos a tratar desde a cardiopatias mais simples até
a mais complexas. No Instituto do Coração, o principal desses centros no País,
são operadas 620 crianças por ano, vindas de todo o Brasil, em sua grande
maioria beneficiadas pelo SUS.
O SUS conta com 69 serviços
de cirurgia cardiovascular pediátrica em 20 estados e DF. “O número é aquém do
que necessitamos para salvar as 23.000 crianças que precisam de cirurgia”, diz
o Prof. Dr. Fabio Jatene, diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do
InCor.
FATORES
DE RISCO
São mais suscetíveis a
nascerem com o problema bebês com retardo de crescimento intrauterino ou
distúrbios do ritmo cardíaco, além de filhos de mães com lúpus, diabetes
melitus ou que tiveram rubéola ou outras infecções demandantes do uso de
medicamentos teratogênicos. O histórico familiar de malformação cardíaca
congênita, pelo lado materno ou paterno, também é um fator de risco a ser
considerado.
Em 20% dos casos, a
regressão total da doença é espontânea. Nos outros 80%, a malformação pode
variar desde problemas mais simples, como a valva aórtica bicúspide (o normal é
ela ser tricúspide), que podem não precisar de cirurgia mas apenas de
acompanhamento de cardiopediatra, até os mais complexos.
Entre estes, está a transposição das grandes artérias,
malformação em que o paciente nasce com a aorta e a artéria pulmonar emergindo
de ventrículos opostos. O problema gera uma mudança completa na circulação
sanguínea, com impactos importantes na oxigenação do sangue.
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