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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Álcool e câncer: qual a real relação?


Na Semana de Combate ao Alcoolismo, oncologista alerta sobre o limite aceitável e seguro de consumo para evitar a doença 


Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que em todo o mundo, três milhões de mortes por ano resultam do uso nocivo do álcool, representando 5,3% de todas as mortes. Na faixa etária de 20 a 39 anos, aproximadamente 13,5% do total de mortes são atribuíveis ao consumo excessivo de bebida alcoólica. Afinal, qual a relação do hábito com o câncer? Segundo Adolfo Scherr, oncologista do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, a analogia entre consumo do álcool e desenvolvimento de câncer já é bem estabelecida. “Em 2018, a Associação Americana de Oncologia Clínica (ASCO) situou que 5% de todos os novos casos de câncer estavam relacionados ao consumo de álcool. Os principais tumores associados com o etilismo são os de cabeça e pescoço (boca, língua, garganta, laringe), esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon, reto) e mama”, apontou o médico.

De acordo com ele, a forma exata de como o álcool aumenta o risco de câncer não é totalmente conhecida. “O que se sabe é que há mais de um mecanismo carcinogênico envolvido como, por exemplo: a produção de acetaldeído, um produto químico tóxico proveniente da metabolização do álcool etílico no organismo e que tem o potencial de danificar o DNA e proteínas; geração de radicais livres de oxigênio que também podem danificar o DNA, proteínas e lipídios do corpo por meio do processo de oxidação; no intestino, o álcool pode funcionar como solvente, facilitando a entrada de outras substâncias carcinogênicas para dentro das células saudáveis;  aumentando os  níveis sanguíneos de estrogênio, hormônio feminino associado ao risco de câncer de mama”, explica.

Na Semana de Combate ao Alcoolismo, celebrado em todo país a partir do dia 18 de fevereiro, a pergunta que fica é: existe uma quantidade segura de ingestão de álcool para evitar o câncer? “Quantificar uma dose segura para consumo de bebida alcoólica não é tão simples. Vários fatores precisam ser levados em conta como, por exemplo, o gênero (mulheres são mais suscetíveis aos efeitos danosos do álcool) e raça (asiáticos têm maior chance de possuírem alterações genéticas que levam a alterações enzimáticas e, consequentemente, maior produção de acetaldeído no organismo após consumo de álcool). Além disso, se uma pessoa sofre de alcoolismo é muito difícil falar em dose segura de álcool, pois uma pequena quantidade como a encontrada em alguns chocolates já pode desencadear uma recaída e levar o indivíduo a consumir doses excessivas”, afirma Adolfo.

De acordo com o especialista, atualmente, o limite máximo diário para consumo de bebida alcoólica é de uma dose para mulheres e duas doses para os homens. Uma dose corresponde a aproximadamente 30g de álcool etílico o que equivale a 350ml de cerveja (uma lata ou garrafa long neck), 180ml de vinho (uma taça) ou 50ml de destilados (como uísque, vodca, gin). “Vale ressaltar que a concentração alcoólica pode variar bastante entre uma bebida destilada e outra assim como entre estilos diferentes de cerveja, o que mais uma vez torna essa quantificação de limite diário bastante difícil”, explica o médico.

O fato é que o consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco global de desenvolvimento de câncer ao longo do tempo. “Não há consenso na literatura médica sobre o limite aceitável e seguro de consumo. Não há nenhum dado científico que comprove que o consumo de alguma bebida alcoólica, o vinho, por exemplo, pode prevenir o surgimento de um determinado tipo de câncer. Pessoas que por algum motivo já tem risco elevado de desenvolver alguma neoplasia como mulheres com história familiar positiva para câncer de mama, principalmente as que têm alterações em alguns tipos determinados de genes, devem evitar o consumo de bebida alcoólica, em qualquer quantidade”, conclui o oncologista.

Adolfo Scherr - graduado em medicina pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM). Fez residência em Clínica Médica pelo Conjunto Hospitalar do Mandaqui-SP. Possui residência em Oncologia Clínica pela Unicamp e Mestrado em Clínica Médica pela FCM-Unicamp. É membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) com título de Especialista em Cancerologia Clínica pela Associação Medica Brasileira – AMB/SBOC. Adolfo faz parte do corpo clínico de oncologistas do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia e atua no Instituto Radium de Campinas e no Hospital Santa Tereza. E é também oncologista clínico do Hospital Municipal Mario Gatti em Campinas.




Grupo SOnHe - Sasse Oncologia e Hematologia
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