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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Entenda o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), suas causas e tratamento



Psicóloga Vânia Calazans, autora do livro "Mente Impulsiva, Comportamento Explosivo", explica como identificar e controlar os sintomas de ansiedade, impulsividade e fúria


O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) permanece pouco conhecido pela área da saúde no Brasil, mas a medicina avança no conhecimento e tratamento da patologia. De acordo com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o TEI é considerado o distúrbio mais prevalente entre os transtornos caracterizados pela impulsividade - cerca de 3% da população - e nos Estados Unidos, estima-se 20 milhões de adultos portadores. 

Segundo a psicóloga Vânia Calazans, autora do livro “Mente Impulsiva, Comportamento Explosivo”, lançamento da Editora Sinopsys, o primeiro que aborda o Transtorno Explosivo Intermitente no País, casos de impulsos agressivos estão ligados a pessoas que apresentam dificuldade para expressar suas emoções e situações vivenciadas na infância, onde os pais ou parentes próximos também apresentavam o comportamento impulsivo agressivo.

 “Normalmente quem apresenta ter o Transtorno Explosivo Intermitente, possui dificuldade para expressar suas emoções, seus sentimentos e guardam para si. 

Essas emoções vão se acumulando internamente e de repente, um evento estressante é o gatilho para que aconteça uma explosão de raiva. A dificuldade para expressar sentimentos normalmente está relacionada a situações vivenciadas na infância, onde a criança aprendeu por modelação e entende que essa é a maneira correta de expressar seu descontentamento diante de situações que geram frustração”, explica. 

A agressividade pode também estar relacionada com alterações neurológicas, segundo estudos citados na obra “Mente Impulsiva, Comportamento Agressivo” (2017). Conheça quais são elas.


Disfunção do lobo frontal: O lobo frontal atinge a maturidade completa no final da adolescência e é responsável por monitorar, avaliar, ajustar e controlar o comportamento do indivíduo, modular seu afeto, pela capacidade de tomada de decisões, planejamento, sequência, continuidade e coerência aos atos através do tempo e de acordo com motivadores internos e externos. Lesões em áreas pré-frontais prejudicam o controle de áreas subcorticais, aumentando reações emocionais negativas e comportamentos violentos (Luquiari, 2013). 


Disfunção em lobo temporal: A presença de lesões do lobo temporal em sua porção medial está relacionada a descontrole episódico dos impulsos com sintomas de raiva extrema não provocada e a comportamentos agressivos sem causa e objetivo definido. 


Alterações hormonais, nutricionais e intoxicações: Mendes et al. (2009), em uma revisão de literatura sobre possíveis fatores que contribuem para o comportamento agressivo, descrevem que alterações nos níveis hormonais devem ser considerados. Os autores apontam para altos níveis de testosterona relacionados a comportamentos agressivos. Mulheres que já cometeram crimes tendem a ficarem mais agressivas na fase menstrual e isso pode estar relacionado aos baixos níveis de progesterona neste período. Altos níveis de cortisol podem estar relacionados a comportamento agressivo e persistente em homens. No que concerne aos fatores nutricionais, os autores enfatizam que deficiências nutricionais são fatores de risco para o desenvolvimento do comportamento agressivo e as intoxicações por metais como chumbo, cobre e zinco predispõem a aumento do comportamento agressivo violento. 

Explosão de raiva é sintoma de diferentes transtornos psiquiátricos. Para que seja considerado TEI é necessário que a pessoa preencha os critérios diagnósticos do transtorno que estão descritos no DSM-5. O tratamento realizado pela psicóloga Vânia Calazans, une a Terapia Cognitivo-Comportamental, sessões de relaxamento e a hipnose clínica, uma ferramenta nova que tem comprovado a eficácia para gerenciamento de ansiedade, impulsividade e estresse. “A hipnose, no que se refere à psicologia, deve ser utilizada como ferramenta auxiliar de qualquer abordagem terapêutica, para, por exemplo, a dessensibilização sistemática, o treino de assertividade, inoculação do estresse, ressignificação emocional de vivências traumáticas, etc.”, conta. 

Em estudos recentes, publicados pelo Dr. Emil F. Coccaro, professor CE Manning e Cadeira de Psiquiatria e Neurociênca Comportamental da Universidade de Chicago, os portadores de TEI são mais propensos a desenvolverem distúrbios alimentares, principalmente bulimia e TCAP. Em virtude dessas descobertas, os pesquisadores estão se aprofundando nos estudos, pois a detecção precoce do TEI ou agressão impulsiva pode oferecer informações clinicamente úteis para prevenir desordens alimentares e determinar intervenções de tratamentos mais eficazes.





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