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sexta-feira, 1 de março de 2024

A proibição de eventos médicos em destinos turísticos: uma análise crítica e construtiva

Um debate de grande relevância médica e farmacêutica vem ganhando espaço: a proibição de realizar eventos científicos e educacionais em destinos turísticos e resorts. A medida integra o Código de Conduta da Interfarma, entidade que representa a indústria farmacêutica no País. 

Os congressos das sociedades médicas precisam de patrocínio e sua realização costuma ser garantida pelas fabricantes de medicamento. Por isso, o Código reservou um capítulo para tratar desse assunto – Eventos organizados pela empresa ou por terceiros. O veto objetiva impedir que o apelo turístico do local escolhido se sobreponha ao caráter científico ou educacional do evento. 

Mas, é imperativo analisar as implicações dessa proibição e considerar seu impacto econômico, a busca pelo conhecimento e a responsabilidade das sociedades médicas. 

Locais como Praia do Forte, Porto de Galinhas, Bonito, Ilhabela, Gramado dependem muito do fluxo de visitantes para sua subsistência. Os eventos médicos realizados na baixa temporada equilibram a ocupação e favorecem o orçamento, mas, sem demanda, a proibição pode até resultar em demissões e afetar diretamente a qualidade de vida local. 

No Brasil, as conexões aéreas, a acessibilidade e as instalações para convenções e hospedagem em locais sem apelo turístico são escassas. O fundamental para realizar um evento são as instalações, centros de convenções de porte para acomodar salas plenárias simultâneas, espaço para exposição de trabalhos científicos e mostra de produtos e serviços, além de toda a infraestrutura de internet, meios de hospedagens para os congressistas, expositores e a cadeia de serviços, caso de montadores, audiovisual e recepcionistas. 

Os eventos desempenham um papel relevante no aprimoramento profissional dos médicos. Participar de conferências e congressos garante a aprendizagem, a absorção de informações e a troca de experiências e o profissionalismo e a ética, na nossa visão, não são afetados pelo local onde o evento é realizado. 

Importante também considerar o aprimoramento dos profissionais de saúde residentes nas regiões turísticas, como estudantes e recém-formados, que nem sempre podem participar de eventos em outros Estados. Essa proibição aprofunda as disparidades de oportunidades.   

Para viabilizar os encontros das sociedades médicas voltados para a educação e avanço da medicina e contribuir para a geração de empregos é vital a participação da indústria farmacêutica e dos laboratórios.

Além disso, as organizações de Visitors e Conventions Bureaus, podem mobilizar os fornecedores locais para atender às necessidades de conforto e qualidade no recebimento dos participantes. 

Em vez de proibir, propomos uma reflexão e uma nova forma de abordagem sobre o tema. Isso permitiria que esses eventos fossem conduzidos sempre de maneira ética, transparente e educacional, garantindo o atendimento aos interesses de todas as partes envolvidas. 

Esse debate é complexo. Respeitamos o código que naturalmente foi debatido visando manter o alto padrão ético na interação entre a indústria farmacêutica e os profissionais de saúde, mas é igualmente crucial considerar o impacto econômico em um destino, a promoção do conhecimento e a responsabilidade das sociedades médicas. 

A busca de um equilíbrio entre esses interesses é essencial para garantir a saúde do paciente e a sustentabilidade do setor farmacêutico. Por isso, é fundamental um diálogo contínuo para encontrar soluções que atendam aos interesses comuns e promovam o avanço da medicina no Brasil. 

Basta lembrar que o paciente é quem mais se beneficia quando o conhecimento médico é promovido e compartilhado de forma ética e responsável.

 

Toni Sando de Oliveira - Presidente da UNEDESTINOS – União dos Conventions & Visitors Bureaus e Entidades de Destinos, presidente executivo do SP Convention & Visitors Bureau e membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo.


Mês da Mulher: setor automotivo vivencia ascensão feminina

Créditos: Envato
Com crescimento de 19,4% de representatividade nas indústrias e 23,1% no comércio de automóveis, mulheres conquistam espaço num setor tradicionalmente masculino


O público feminino vem ganhando destaque nas mais variadas áreas a cada ano que passa, incluindo a indústria e o mercado automotivo. A presença feminina no setor teve um aumento significativo na última década. De acordo com um estudo realizado pela Data OLX Autos, o envolvimento das mulheres no segmento cresceu quase 3%, nos últimos 6 anos. Segundo a avaliação, que utilizou informações da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e dados atualizados do mercado de trabalho formal, a força de trabalho feminina no mercado automobilístico era de 16,8% em 2011. Dez anos depois, essa participação  subiu para 19,4%. A pesquisa também revelou um leve aumento da presença feminina no setor de comércio de automóveis. De 22,6% em 2011, passou para 23,1% em 2021.

Apesar da participação feminina no comércio de automóveis ser maior do que na indústria automotiva, há uma grande diferença quando comparada ao comércio em geral, onde as mulheres representam 44,1% do total de postos de trabalho, um percentual mais próximo da divisão populacional do país.

O setor, majoritariamente ocupado por homens, vem evoluindo ano a ano. Linda Rossi Oliveira, consultora de Vendas na Concessionária Ford Slaviero, de Curitiba, relembra alguns desafios: “Com certeza, ainda temos barreiras que precisamos enfrentar para avançar, pois há quem pense que as mulheres não entendem de carros. Ainda bem que, aos poucos, o cenário está mudando”.

Crescimento e importância da mulher

Mesmo com o preconceito enfrentado no passado, Linda e a também consultora de Vendas da Ford Slaviero Flávia Alves Machado Rosa acreditam que as mulheres tendem a ganhar cada vez mais espaço na área. “Aos poucos, o público feminino vem crescendo e conquistando o mercado, ao ocupar cargos de liderança. Com o passar dos anos, vamos conquistando nosso lugar, com muito profissionalismo, superando o preconceito", relata Flávia. Segundo ela, o tabu vem sendo quebrado nos últimos anos. “Nós mostramos que entendemos muito de carros e temos uma sensibilidade apurada para entender as demandas do consumidor.”.

A presença feminina vai além de inspirar outras mulheres a ingressarem no setor automotivo. “Não é à toa que elas ocupam cargos diversos, desde desenvolvimento, engenharia, gestão e pesquisa, até pintura e reparos. Caminhamos a passos largos rumo a maior diversidade e igualdade de oportunidades no mercado de trabalho”, finaliza Flávia.

 

Ford Slaviero

fordslaviero.com.br

 

Cinco desafios em se tornar uma líder no mercado tech

Falar sobre a igualdade de gênero no mercado pode parecer um assunto batido, mas, infelizmente, ainda vemos muitos desafios enfrentados por elas. Principalmente, em cargos de liderança e, ainda, em mercados majoritariamente masculinos, como o tech. Embora estejamos em um movimento contínuo na luta por essa igualdade, muito ainda precisa ser colocado em pauta sobre as dificuldades que elas enfrentam nestas carreiras, para que possamos ver cada vez mais representantes inspiradoras que revertam essa realidade.

Mesmo analisando um setor tão próspero e rico de oportunidades como o de TI, o cenário que vemos acerca da inserção e valorização das profissionais nessa área é preocupante. Em dados divulgados pela pesquisa Woman in Technology, como prova disso, foi identificado que menos de 20% dos cargos das áreas de tecnologia no Brasil são ocupados por mulheres. Se tratando das posições de liderança, o choque é ainda maior: totalizando apenas 12% que são mulheres, segundo outro estudo da KPMG com a Harvey Nash.

Reduzir essas porcentagens não é uma missão fácil, mas possível de ser feita se, primeiramente, houver uma compreensão das dificuldades que prejudicam essa igualdade para que, a partir disso, sejam estabelecidas medidas de combate a esse objetivo.

Por isso, confira abaixo cinco desafios consideráveis que devem ser levados em consideração neste aspecto:

#1 Falta de representatividade: a falta de apoio e incentivo à representatividade feminina, principalmente em cargos liderança, é um dos maiores fatores que fazem com que muitas profissionais deixem este mercado, conforme foi divulgado no relatório “Tech Leavers Study”. Precisamos de mulheres que inspirem e sirvam de apoio para que cada vez mais talentos alcancem este êxito, principalmente, diante da baixa quantidade de iniciativas existentes em muitas empresas que acaba dificultando esse processo.

#2 Estereótipos: quem nunca ouviu que o mercado tech é “trabalho de homem”? Muito costuma ser associado a profissões destinadas a cada gênero, o que, invariavelmente, dificulta que elas alcancem uma posição de liderança neste setor. Esses estereótipos só desencorajam que elas entrem nessa área, e precisam ser combatidos para que não existam mais esses pensamentos limitantes de gênero.

#3 Cultura organizacional: é dever das mulheres conciliar suas responsabilidades profissionais às do lar e família, enquanto dos homens é focar em seus trabalhos. Pode parecer antiquado, mas, até hoje, esse pensamento é enraizado em nossa sociedade e, muitas vezes, refletida na cultura das empresas – o que gera, por exemplo, em um tempo de licença paternidade significativamente menor do que a materna. Essa questão também precisa ser vista e analisada em como está refletida na cultura organizacional, para que não acabe prejudicando a luta pela igualdade de gênero.

#4 Discriminação e assédio: essa é uma questão que, infelizmente, ainda é vista em muitas empresas, principalmente as que contém um time majoritariamente masculino. Seja qual for o tipo de discriminação ou assédio, são situações extremamente desconfortantes e prejudiciais à presença feminina no local, o que desmotiva que permaneçam na empresa e alcancem posições de liderança.

#5 Falta de diversidade: times com diferentes visões, experiências, idades e hábitos são excelentes para trazer novas ideias e processos às empresas – especialmente, em prol de mudanças internas que impulsionem essa diversidade em todos os sentidos. Já aquelas que pecam nesse quesito, por sua vez, não criam o ambiente necessário para que elas consigam crescer e prosperar em suas áreas.

A luta pela inserção e valorização da mulher no mercado tech sempre foi grande, assim como em muitos outros setores como o esportivo, de engenharia etc. É fato que já estamos presenciando um movimento importante sobre isso, porém, muito ainda precisa ser mudado em relação à conscientização e aplicação de medidas que combatam essa realidade.

Precisamos reconhecer tudo o que foi conquistado até aqui e continuar promovendo ambientes profissionais cada vez mais inclusos, através de ações que não se limitem à liderança feminina. Afinal, existem muitos outros grupos minoritários que também enfrentam grandes dificuldades de valorização no mercado e, quanto mais nos unirmos em prol de um mesmo objetivo, mais forte estaremos para termos as mesmas oportunidades e conquistarmos nossos sonhos.

 

Camila Paiva - Diretora de Gente e Gestão da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de voz, SMS, e-mail, chatbots e RCS.

Pontaltech

 

Os mecanismos de proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade

A delegada Raquel Gallinati aponta a importância dos mecanismos de proteção à mulher vítima de violência e a efetividade dessas medidas


Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 722 feminicídios entre janeiro e junho de 2023, 2,6% a mais do que os 704 casos dessa natureza contabilizados no país no primeiro semestre de 2022. Esse é o maior número da série histórica para um primeiro semestre já registrado pela entidade desde 2019.

Além disso, houve aumento nos casos de estupro e estupro de vulnerável no país. Foram 34 mil casos no primeiro semestre do ano passo, crescimento de 14,9% em relação ao mesmo período de 2022. Isso significa que a cada 8 minutos uma menina ou mulher foi estuprada entre janeiro e junho no Brasil.

Outro dado preocupante revelado pela 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo Instituto DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), aponta que três a cada dez brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. A pesquisa apontou que a violência psicológica é a mais recorrente (89%), seguida pela moral (77%), pela física (76%), pela patrimonial (34%) e pela sexual (25%).

Assim, fica claro que as mulheres precisam de uma forte rede de apoio, não apenas para buscarem justiça quando forem vítimas de violência doméstica, mas para se protegerem contra os primeiros sinais de violência e evitarem se tornar estatística. A informação sobre quais os tipos de violência que a mulher está exposta e quais os direitos da vítima de violência são essenciais para defender àquelas em situação de vulnerabilidade. 

Segundo Raquel Gallinati, delegada e diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, existem diversos mecanismos de proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade e de apoio à reinserção social da vítima, bem como medidas para punição ao agressor.

Alguns exemplos:

  1. Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006): estabelece medidas de proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar, incluindo a criação de juizados especializados, medidas protetivas de urgência, assistência jurídica gratuita, entre outras. É importante mencionar que a punição ao agressor pode ocorrer por meio da aplicação das leis de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha, que prevê penas para os agressores.
  2. Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM): são unidades policiais especializadas no atendimento às mulheres vítimas de violência, oferecendo acolhimento, apoio psicológico, investigação e encaminhamento para serviços de assistência social e jurídica.
  3. Casas Abrigo: são espaços seguros e sigilosos destinados a acolher mulheres em situação de violência doméstica e seus filhos, oferecendo abrigo temporário, assistência psicológica, orientação jurídica e suporte para reinserção social.
  4. Centros de Referência de Atendimento à Mulher (Casa da Mulher Brasileira): são unidades de atendimento multidisciplinares que oferecem apoio psicológico, social, jurídico e orientação para mulheres em situação de violência, incluindo orientação para reinserção social.
  5. Medidas Protetivas de Urgência: são medidas judiciais que visam garantir a proteção da mulher em situação de violência, como o afastamento do agressor, proibição de aproximação, uso de tornozeleira eletrônica, entre outras.

“No entanto, a efetividade desses mecanismos depende da implementação adequada das políticas públicas, do fortalecimento das instituições responsáveis pela sua execução e do engajamento da sociedade na promoção da igualdade de gênero e no combate à violência contra as mulheres”.

 


Fonte:
Raquel Gallinati - delegada de polícia. Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil. Mestre em Filosofia. Pós-graduada em Ciências Penais, Direito de Polícia Judiciária e Processo Penal.


Cinco serviços bancários e financeiros que mudaram a comunicação com os seus clientes

 Uma experiência positiva é essencial, especialmente no setor bancário, onde desempenha um papel central na atração e retenção de clientes

 

De acordo com a pesquisa da Sinch, empresa líder no desenvolvimento de chatbots, com presença em 100% dos telefones móveis do mundo, quase nove em cada dez pessoas afirmam que gostariam de receber assistência e orientação personalizadas do seu banco, mas menos de três em cada dez conseguem isso hoje. Esta lacuna realça uma clara necessidade de os bancos investirem significativamente no reforço da sua capacidade de compreender o que o cliente quer e auxiliar em suas dúvidas.

De acordo com um estudo de 2023 da Bain & Company, a capacidade de personalização de um banco influencia diretamente a pontuação de fidelidade do cliente. Na prática, uma ótima experiência do cliente no setor bancário envolve: 

  • Autonomia: onde os clientes têm insights e controle sobre suas experiências para ajudá-los a tomar melhores decisões e agir com base em informações urgentes que afetam suas finanças.
  • Engajamento proativo: a capacidade de resolver problemas antes mesmo que eles surjam por meio de conversas em tempo real.
  • Confiança: os clientes estarão dispostos a abraçar novas experiências digitais quando acreditarem que os seus melhores interesses estão protegidos e que os seus dados estão seguros.
  • Segurança: inclui o uso de ferramentas de verificação digital, como autenticação de dois fatores, crachás de identidade e videochamadas.
  • Interações perfeitas: obter respostas instantâneas e automatizadas para perguntas comuns e, ao mesmo tempo, ter uma maneira fácil de mudar para uma conversa humana.

 

Cinco exemplos de bom atendimento ao cliente no setor bancário em diferentes partes do mundo 

  1. Nationwide Building Society
    Um dos maiores bancos do Reino Unido, com mais de 15 milhões de membros, demonstrou seu compromisso com um atendimento excepcional ao cliente apoiando-os proativamente com mensagens durante o bloqueio da pandemia de COVID-19. Eles estenderam os prazos para quem enfrentava dificuldades econômicas, permitindo-lhes pausar temporariamente o pagamento de empréstimos e hipotecas.

    À medida que a pandemia evoluiu, a Nationwide usou RCS para fornecer informações personalizadas a cada cliente sobre o que aconteceria a seguir. A intensão era ir além da comunicação impressa, com a agilidade do SMS e um conteúdo completo do e-mail.
     
  2. Belfius
    Um dos maiores bancos da Bélgica, tinha como objetivo apoiar os seus membros com serviços digitais pessoais, relevantes e confiáveis, 24 horas por dia. Eles integraram um chatbot inteligente com IA conversacional em seu aplicativo de mobile banking, tornando o processo automatizado e fácil para cada cliente.
     
  3. FirstBank
    Com sede no Colorado (EUA), existe desde 1963. Por meio de mensagens personalizadas de SMS, a instituição financeira envia notificações e alertas sobre atualizações diárias de saldo, depósitos, saques, compras, atividades suspeitas e muitas outras informações pertinentes para seus clientes.
     
  4. Nets
    Processador de pagamentos líder na Europa, precisava permitir uma comunicação rápida e confiável com os titulares de cartões para falar sobre transações suspeitas. O Nets optou pelo SMS bidirecional para permitir que os clientes validassem transações em tempo real, protegendo-os contra fraudes e, ao mesmo tempo, garantindo uma experiência de usuário sem atritos.
     
  5. Triodos Bank
    Líder mundial em serviços bancários sustentáveis, buscava uma solução que verificasse seus clientes e os ajudasse no processo de integração. O Triodos Bank integrou os processos de escuta, pesquisas, entrevistas personalizadas, estudos ad hoc, dados e transações de sites, movimentação nas redes sociais e mensagens de chat ou de vídeo para avaliar o que os clientes precisam em tempo real.

Além disso, em seu compromisso de fornecer experiências personalizadas seguras e contínuas, a empresa usa verificação por SMS para logins e inscrições sem complicações.

 

Sinch


1º de março - Dia Nacional do Turismo Ecológico

 

Reserva Natural Santo Morato. Foto: José Paiva

Reserva Natural Salto Morato é opção para conhecer e aproveitar

os atrativos da Mata Atlântica 

●      Localizada em Guaraqueçaba (PR), a 172 quilômetros de Curitiba, a Reserva é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade

 

●      Inserido na área da Grande Reserva Mata Atlântica (GRMA), local tem entre seus principais atrativos uma cachoeira com mais de 100 metros de altura

 

●      No estado, ainda é possível visitar a nanocervejaria Porto de Cima, que utiliza em suas receitas elementos da floresta, e a Estação Agroflorestal Marumby, que oferece atividades como roteiro ecopedagógico e visita guiada, e é uma das produtoras do doce Banamel

O Dia Nacional do Turismo Ecológico, celebrado em 1º de março, é uma oportunidade para estimular a conexão das pessoas com áreas naturais, aumentar a conscientização ambiental e incentivar o ecoturismo. Estar em contato com a natureza também é uma boa estratégia para conscientizar a sociedade sobre a importância de cuidar do patrimônio natural.

 

Para Carlos Augusto Figueiredo, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor do Instituto de Biociências e do Programa de Pós-Graduação em Ecoturismo e Conservação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pessoas se afeiçoam às experiências vividas. “Se queremos que a humanidade, cada vez mais urbana, se responsabilize pela conservação da natureza, é preciso estimular a tendência já existente da procura de ecossistemas em bom estado de conservação para as horas de descanso e lazer. Só se dá valor ao que se conhece, só se conserva o que mexe com nossas emoções”, diz.

 

Opções de destinos e passeios para entrar em contato com a natureza e desfrutar de seus benefícios já comprovados, para a saúde e o bem-estar, não faltam. Entre eles, está a Reserva Natural Salto Morato (RNSM), situada em uma área reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

 

Inserida na Grande Reserva Mata Atlântica (GRMA) – região que abriga o maior remanescente contínuo do bioma no mundo –, a Reserva está localizada em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná, a 172 quilômetros de Curitiba.

 

Criada em 1994 pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, conta com uma área preservada de 2.253 hectares, que contribui para a conservação da Mata Atlântica, bioma em que vive mais de 70% da população brasileira.

 

Aberta à visitação durante todo o ano, atrai turistas de diversos estados e países, além de pesquisadores e observadores de aves. No local, já foram identificadas 370 espécies de aves, 29 tipos de répteis, 93 mamíferos, 44 anfíbios, 63 peixes e 646 vegetais vasculares.

 

Entre seus principais atrativos, a unidade de conservação apresenta o Salto Morato – uma cachoeira com mais de 100 metros de altura –; uma figueira centenária, que forma uma ponte-viva sobre o rio do Engenho; um aquário natural; trilhas; observação de aves; banho de rio; camping; e centro de visitantes.

 

Atrações para adultos e crianças

 

O acesso à cachoeira Salto Morato, que dá nome ao local, é possível por meio de uma trilha de 1.500 metros, classificada como leve, com duração aproximada de duas horas. Outra sugestão por terra é a Trilha da Figueira, que leva o visitante até uma árvore centenária que forma uma ponte-viva sobre o Rio do Engenho. O caminho de seis quilômetros em meio à floresta, classificado como de nível médio, é feito em cerca de três horas.

 

As crianças também têm uma opção de lazer na Reserva: a Trilha das Brincadeiras. Com percurso de aproximadamente 500 metros, a atração é repleta de experiências e atividades lúdicas que colocam a garotada em contato com a natureza. Nela, os pequenos passam por “desafios”, como a cabana de madeira, o túnel da cigarra e a perna de pau.

 

A Reserva Natural Salto Morato também possui estrutura de camping, com capacidade para até 12 barracas. O espaço oferece banheiros com chuveiros, água quente, churrasqueira e sistema wi-fi. Para acampar, é necessário fazer reserva com antecedência.

 


Outras opções de passeios na região

 

Nos últimos anos, os programas de apoio da Fundação Grupo Boticário na região da Grande Reserva Mata Atlântica selecionaram diversos negócios de impacto socioambiental positivo. Em Morretes, no Paraná, estão dois deles: a Porto de Cima, uma nanocervejaria artesanal que utiliza em suas receitas elementos da floresta, e a empresa Família Banamel, que desenvolveu o Banamel, doce similar a um melado de banana.

 

Além de degustar as cervejas, é possível conhecer a pequena fábrica da Porto de Cima. Já para provar o Banamel, basta visitar a Estação Agroflorestal Marumby (antiga sede da Família Banamel), que oferece ainda atividades como roteiro ecopedagógico e visita guiada.

 

“O incentivo a negócios capazes de gerar impacto socioambiental positivo, como por meio do ecoturismo, é um dos desafios estratégicos para fortalecer a região da Grande Reserva Mata Atlântica. Por meio de diversos programas de incentivo, buscamos promover uma convivência harmônica entre sociedade e meio ambiente, a fim de fortalecer esses negócios e trazer desenvolvimento econômico e social para os municípios”, fala Guilherme Karam, Gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.


 

Estação Agroflorestal Marumby | Banamel

 

O Banamel é um doce similar a um melado de banana, original da cidade de Morretes. O produto é resultante da extração da frutose da banana, sendo este seu único ingrediente, além de água. O Banamel é natural e pode ser utilizado para adoçar receitas, drinques, frutas e granolas ou até mesmo para comer de colher. A receita foi criada, há 15 anos, pelo professor Joel Reded Alves, cientista autodidata e guardião de saberes. O resíduo do processo de produção pode ser utilizado ainda para incorporar produtos alimentares e de limpeza, reboco de bioconstrução, vinagre, ração animal e artesanato.

 

O processo de produção artesanal do Banamel e a sua distribuição local são realizados por diversas famílias, contribuindo para a geração de renda da agricultura familiar. A empresa Família Banamel foi uma das beneficiadas, em 2022, pelo Fundo Filantrópico da Fundação Grupo Boticário, que apoia o desenvolvimento de negócios de impacto socioambiental positivo na Grande Reserva Mata Atlântica.

 

A Estação Agroflorestal Marumby, antiga sede da Família Banamel, é uma das atuais produtoras do doce e cultiva as bananas utilizadas para a sua produção. Está situada dentro da antiga fazenda Marumby, em Morretes. O espaço possui uma parte histórica, onde localiza-se o primeiro casarão da fazenda, datado de 1914. Na área comunitária, estão as agroflorestas e demais estações permaculturais e ecológicas.

 

A Estação Marumby oferece um programa de educação agroflorestal para grupos diversos, como de estudantes, escoteiros, turistas e empresas. Além de roteiro ecopedagógico (que pode ser realizado em meio período ou integral), também disponibiliza ao público visita guiada e refeições (café da manhã ou da tarde, almoço e lanche, preparadas com alimentos 100% de origem vegetal e integral, sendo boa parte de orgânicos). No local, é possível comprar o Banamel, entre outros produtos. É preciso fazer agendamento prévio para participar das atividades e reserva para as refeições, via WhatsApp ou Instagram.


 

Porto de Cima

 

A nanocervejaria produz chopes e cervejas de forma artesanal, sem adição de conservantes químicos e carbonatados naturalmente. A cerveja não é filtrada, nem passa por processo de pasteurização, preservando assim suas características originais. É envasada de forma manual e sai do fermentador diretamente para o barril. A água utilizada na produção das bebidas é coletada na propriedade, dentro da Unidade de Conservação particular mantida pela cervejaria – a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Graciosa –, e chega até a fábrica por gravidade.

 

A Porto de Cima mantém a floresta protegida. Quase 40 hectares de Mata Atlântica circundam a pequena fábrica, que usa ingredientes de espécies nativas, divulga a fauna e a flora da região nos rótulos de seus produtos (atualmente, são quase 30 rótulos, também feitos de forma artesanal) e fomenta a economia local. Os diferentes estilos e a diversidade chamam a atenção para o bioma Mata Atlântica em suas receitas, que combinam elementos da floresta (como cereja do mato, jabuticaba, grumixama e fruto da juçara), resgatando sabores, e apoiando outros produtores (que fornecem ingredientes como maracujá, gengibre e mel, utilizados em algumas preparações).

 

As diversas opções de cervejas e chopes estão disponíveis para degustação na nanocervejaria, que também pode ser visitada, de forma gratuita. A iniciativa conquistou, em 2020, o terceiro lugar no Programa Natureza Empreendedora, iniciativa da Fundação Grupo Boticário.


 

Serviço


Reserva Natural Salto Morato

Endereço: Rodovia PR, 405 - Comunidade Morato Guaraqueçaba (PR)

Funcionamento: terça-feira a domingo, das 8h30 às 16h, vagas limitadas.

Valores por pessoa: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)

Compras e reservas pelo site https://loja-reservanaturalsaltomorato.paytour.com.br/

Contatos: morato@fundacaogrupoboticario.org.br | (41) 98827 4134 (WhatsApp)

Agendamentos: pelo WhatsApp. A reserva também fica aberta nos feriados

Camping: vagas limitadas. É necessário agendamento pelo WhatsApp (41) 99800 3975

Não é permitida a entrada com bebidas alcoólicas. Só é permitida a visitação com uso de calçados fechados. Em caso de chuvas fortes, a Reserva pode ser fechada à visitação.


 

Estação Agroflorestal Marumby

Endereço: Estrada da América, Marumbi, Morretes - PR

Funcionamento: domingo a sexta-feira, das 9h às 17h. Fechado aos sábados

Contatos para agendamento: Instagram | WhatsApp:(53) 99975 4840

Roteiro ecopedagógico (grupo mínimo de 4 pessoas)

Meio período: 3h | Valor: R$ 50 por pessoa

Incluso: Passeio ecopedagógico | Opcional: Almoço (R$ 40) ou lanche (R$ 25) por pessoa

Período integral: 8h | Valor: R$ 110 por pessoa

Incluso: Passeio ecopedagógico, almoço, oficina/roda de conversa e lanche

Visita Guiada

Duração: 1h | Valor: R$ 20 por pessoa

Incluso: Passeio turístico | Opcional: Almoço (R$ 40) ou lanche (R$ 25) por pessoa

Refeições (sem passeio ou visita)

Café da Manhã ou Café da Tarde (R$ 25) | Almoço (R$ 40) | Lanche (R$ 25) valores por pessoa


 

Porto de Cima

Endereço: Rodovia PR, 411; KM 8,2 Estrada da Graciosa, Morretes - PR

Funcionamento: sábado e domingo, das 10h às 17h. Para visitas à cervejaria ou à fábrica em outros dias e horários, é preciso fazer agendamento prévio pelo Facebook ou Instagram.

Contatos: Facebook ou Instagram

 

Fundação Grupo Boticário
www.fundacaogrupoboticario.org.br
www.grupoboticario.com.br
fundacaogrupoboticario


Rede de Especialistas em Conservação da Natureza
www.fundacaogrupoboticario.org.br


Preços de carros híbridos aumentam 3,49% em janeiro, segundo o relatório AutoAcrefi

 Variação nos preços de modelos híbridos ou totalmente elétricos pode estar relacionada ao retorno do imposto de importação

 

Em janeiro de 2024, os preços dos carros híbridos aumentaram 3,49% em relação a dezembro de 2023, revertendo a tendência de queda observada no mês anterior. Enquanto os veículos elétricos tiveram uma redução 3,36% no preço médio, e os modelos a combustão também registraram uma queda de 2,62%.

 

Esses dados são do 4º Relatório AutoAcrefi, realizado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI), em parceria com a Cox Automotive. O estudo faz um mapeamento mensal com informações relevantes para a indústria automotiva e toda a cadeia do setor de veículos sobre o contexto atual e futuro próximo.

 

Filipe Pena, diretor executivo da ACREFI, explica que a variação nos preços de modelos híbridos ou totalmente elétricos pode estar relacionada ao retorno do imposto de importação. Desde janeiro de 2024, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) anunciou um aumento da taxa de tributo em 15% para fabricantes de veículos fora do país. Ele ainda explicou que: "A ideia do imposto é incentivar o desenvolvimento da produção desses modelos no Brasil, o que consequentemente afeta e aumenta o valor do produto final para o consumidor. Pelo relatório, observamos que alguns fabricantes já reajustaram os preços de seus modelos, enquanto outros ainda mantêm os valores".

 

Outro destaques do levantamento é que em janeiro de 2024, a média de preços dos automóveis zero quilômetro do ano/modelo 2024 subiu 0,54%, após registrar uma pequena queda de 0,21% em dezembro de 2023. Por outro lado, o mercado de carros novos teve uma queda de 35,73% em comparação com dezembro do ano passado. Esse resultado foi 16,58% superior ao de janeiro de 2023, conforme relatado pela FENABRAVE (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), entidade que representa os concessionários no Brasil.

 

"Com a redução da Selic, as perspectivas são positivas também para quedas na taxa de crédito do segmento automotivo. O relatório AutoAcrefi auxilia para que as instituições financeiras possam analisar as tendências no setor e ser mais assertivas na precificação e acesso ao crédito", ressaltou Pena.

 

Este relatório apresenta uma análise dos preços de automóveis e comerciais leves, assim como uma avaliação de preços praticados no mercado de veículos, mês a mês, comparando esses dados com a média anual de referência. Além disso, destaca um índice exclusivo que compara o crescimento dos veículos híbridos e elétricos com os veículos movidos a combustão, permitindo acompanhar de perto a tendência global em direção a formas de transporte mais sustentáveis.

 

Para ter acesso ao relatório acesse o link: AutoAcrefi2024


Déficit de policiais é consequência da ausência de prioridade nas políticas públicas de segurança na última década, critica presidente da ADPESP

 

Número do efetivo policial em SP caiu de 120.147 para 106.017 em 10 anos


O número de policiais militares na ativa no Brasil caiu 6,8% entre 2013 e 2023, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O de policiais civis e científicos recuou 2% no mesmo período.

De acordo com o Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, em 2023 havia 404.871 PMs ativos no Brasil, contra 434.524 em 2013. No caso de policiais civis e científicos, essa relação ficou 113.899 em 2023 e 116.169 em 2013.

O recuo no número de policiais ativos vai na contramão do crescimento da população. Entre 2010 e 2022, segundo dados do Censo do IBGE, a população brasileira cresceu 6,5%.

Para André Pereira, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), esse decréscimo é resultado da mudança de prioridade dos governos estaduais. "É inegável que a falta de reposição dos quadros está diretamente relacionada à priorização das políticas públicas adotadas pelos Estados, sobretudo no que diz respeito à gestão de pessoal e orçamento. Evita-se preencher cargos vagos nas polícias e direcionar aqueles recursos que devem estar previstos no orçamento para outras áreas. Portanto, há ausência de prioridade nas políticas públicas, em âmbito estadual, por parte dos governadores, como a principal causa do déficit de policiais civis e militares", critica.

Em São Paulo, o número do efetivo policial de 2003 a 2013 caiu de 120.147 para 106.017, algo em torno de 12%.

Pereira afirma ainda que é possível combater o crime organizado, mas a tarefa vem ficando difícil a cada ano. "Com a consolidação do crime organizado, por intermédio das grandes facções brasileiras, passamos a observar uma considerável transformação nesse cenário criminal. Não só o potencial deletério de suas atividades violentas à sociedade e ao Estado Democrático, mas também uma grande influência dessas organizações nos mais variados segmentos da sociedade, como nas atividades financeiras, comerciais, prestação de serviços, ambiente jurídico e até mesmo político, podem nos conduzir a uma desordem generalizada, que ultrapassa áreas conflagradas. Essa infiltração dos integrantes das facções criminosas no convívio social, fora dos presídios, inclusive apropriando-se de algumas parcelas de 'poder' nas estruturas sociais e de Estado, revelam uma dimensão ainda maior do problema", alerta.

Para o presidente da ADPESP, que atua há seis anos como delegado no Estado, apesar de melhorias em razão dos avanços tecnológicos e equipamentos mais modernos, houve piora nas condições de trabalho sob o aspecto humano em São Paulo. "Permanecer entre as piores remunerações do país, maior déficit da história, número elevado de suicídios, sobrecarga de jornadas, sobreaviso ininterrupto, falta de critérios objetivos para promoções e distorções relacionadas ao mérito no âmbito do plano de carreira, ainda são os maiores e históricos problemas da Polícia Civil", opina.    

André Pereira, que entrou para a PM de Pernambuco aos 18 anos, reitera que o combate ao crime mudou bastante ao longo da última década. Os bandidos ficaram mais tecnológicos. "Muitos criminosos já abandonaram as velhas práticas de saírem às ruas com uma arma de fogo para roubar, por exemplo, dinheiro em espécie, pois as vítimas não andam mais com dinheiro. Atualmente, o criminoso rende as vítimas e manda que façam transferências via PIX diretamente pelo celular. Esses crimes, porém, deixam rastros no ambiente virtual que podem levar à identificação e prisão desse criminoso".

O presidente da ADPESP lembra também que os golpes estão em alta. Segundo ele, somente em 2022 e 2023, em razão das operações policiais e atividades desenvolvidas pela Polícia Civil junto à Divisão de Crimes Cibernéticos do Deic, foram apreendidos e recuperados bens e valores que totalizaram mais de R$ 62 milhões. 



Fonte: André Santos Pereira é graduado em Direito pela Uninassau (PE) e especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública (Escola Superior de Direito Policial/FCA). Com 20 anos de experiência, foi Agente da Polícia Civil de Pernambuco, Chefe de Investigações e Comissário de Polícia em Pernambuco, além de Delegado de Polícia do Estado de São Paulo. Atualmente é Presidente da ADPESP, Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.


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