terça-feira, 8 de setembro de 2026

Dia Mundial da Alfabetização: 6 estratégias para ajudar a criança a ler e escrever melhor

Especialista explica como situações do cotidiano, brincadeiras e leitura compartilhada podem estimular o ensino de forma leve e significativa

 

Fazer compras, preparar uma receita, brincar de caça ao tesouro ou simplesmente observar uma placa na rua. Situações comuns da rotina podem ajudar a criança a desenvolver habilidades importantes para a alfabetização, sem a necessidade de transformar esses momentos em atividades escolares. 

De acordo com Luciana Teixeira, diretora pedagógica de conteúdo do Sistema Positivo, a participação da família no desenvolvimento da alfabetização é importante, mas o papel dos adultos pode ir além de acompanhar atividades escolares. “A família não precisa reproduzir a escola dentro de casa. Pode fazer algo diferente e igualmente importante: criar um ambiente em que a linguagem circule, desperte curiosidade e faça parte da vida.” 

No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, a especialista reúne seis estratégias para as famílias estimularem a leitura e a escrita de forma leve e significativa.
 

1. Faça da linguagem escrita parte da rotina: “A alfabetização não acontece apenas quando a criança está diante de um livro ou realizando uma atividade escolar. A linguagem escrita está presente no mundo e, quanto mais a criança convive com ela de forma natural, mais oportunidades tem de construir sentidos sobre sua função. Colocar o nome da criança na porta do quarto, identificar alguns objetos com seus nomes, deixar livros ao alcance das mãos e incorporados aos brinquedos são pequenos gestos que aproximam a criança desse universo. Mas a alfabetização também começa muito antes da escrita propriamente dita. Conversar, contar histórias, cantar, brincar com palavras, fazer perguntas e ouvir verdadeiramente o que a criança tem a dizer são experiências fundamentais para ampliar seu repertório e seu vocabulário.”
 

2. Aproveite situações do cotidiano: “Ao fazer compras, a criança pode ajudar a construir e acompanhar a lista, procurar um produto ou reconhecer palavras nas embalagens. Ao cozinhar, pode acompanhar uma receita, identificar ingredientes e observar medidas e quantidades. Em um passeio pela rua, podemos chamar sua atenção para placas, nomes de lojas, cartazes e outras tantas mensagens que fazem parte da paisagem.

São pequenas situações que ajudam a criança a fazer uma descoberta muito importante: a escrita existe porque precisamos e queremos comunicar alguma coisa. Lemos e escrevemos para lembrar, escolher, descobrir, organizar, imaginar, brincar e nos relacionar com outras pessoas.”
 

3. Brinque com sons, rimas e palavras: “A língua é um território maravilhoso para brincar. Rimas, cantigas, parlendas, trava línguas e adivinhas fazem isso há gerações: convidam a criança a experimentar sons, ritmos e palavras sem que ela precise pensar que está realizando uma atividade escolar. Podemos brincar de descobrir palavras que rimam, procurar palavras que começam com determinado som, separar oralmente as partes de uma palavra, inventar palavras engraçadas ou trocar sons e perceber o que acontece. Jogos como adedonha, forca e brincadeiras de inventar histórias também ajudam a ampliar o vocabulário e a estabelecer relações entre os sons e as palavras. Todas essas experiências favorecem o desenvolvimento da consciência fonológica, uma habilidade importante no processo de alfabetização.”
 

4. Quando houver resistência, mude a porta de entrada: “Quando uma criança diz que não gosta de ler, vale tentar entender o que ela está dizendo por trás dessa frase. Ela não gosta de histórias? Não encontrou ainda algo que desperte seu interesse? Está associando a leitura à dificuldade? Ou talvez esteja associando o livro à cobrança? Nem sempre o caminho é insistir mais. Às vezes é preciso mudar a porta de entrada.

Quadrinhos, livros de humor, poemas, curiosidades, revistas, histórias de aventura ou textos ligados a personagens e assuntos pelos quais a criança já se interessa também formam leitores. O encontro com a leitura pode começar por muitos lugares.”
 

5. Combine leitura autônoma e compartilhada: “Uma criança em processo de alfabetização precisa das duas experiências. Ela precisa de textos que consiga ler com crescente autonomia, porque é importante experimentar a conquista de ler sozinha, desenvolver fluência e perceber o próprio avanço.

Mas precisa também continuar tendo acesso a livros que ainda não consegue ler de forma autônoma. Quando um adulto lê para a criança, oferece a ela acesso a um vocabulário mais amplo, a estruturas linguísticas mais elaboradas, a diferentes gêneros e a mundos que sua capacidade de decodificação ainda não permitiria alcançar. Por isso, gosto de pensar em um repertório que tenha diferentes possibilidades: livros que a criança lê sozinha, livros que lê com ajuda e livros que alguém lê para ela.”
 

6. Evite cobrança e comparações: “Talvez um dos erros mais comuns seja a ansiedade do adulto diante da aprendizagem da criança. Queremos ajudar e, sem perceber, começamos a transformar cada situação em uma oportunidade de testar: ‘Que letra é essa?’, ‘O que está escrito aqui?’, ‘Leia para mim’, ‘Você não lembra?’.

Quando toda experiência com a escrita vem acompanhada de uma expectativa de resposta correta, aquilo que poderia ser descoberta pode se transformar em tensão. Também precisamos tomar cuidado com as comparações. Cada criança percorre esse processo construindo hipóteses, fazendo relações, experimentando e avançando. Isso não significa que não devamos acompanhar sua aprendizagem, mas que precisamos respeitar o processo e manter um diálogo próximo com a escola. A alfabetização vai acontecer, confie no processo e respeite o tempo da criança.” 

Para Luciana, o papel da família é oferecer um ambiente que favoreça o contato espontâneo com a linguagem, enquanto a escola é responsável pela sistematização do processo de alfabetização. “Em casa, podemos oferecer algo que também é essencial: repertório, conversa, histórias, curiosidade, afeto e situações reais de comunicação. Porque alfabetizar não é apenas ensinar uma criança a dominar um código. É ajudá-la a perceber que, quando aprende a ler e a escrever, ganha novas formas de compreender o mundo, de se expressar e de participar dele.”

 

Sistema Positivo de Ensino
https://www.sistemapositivo.com.br/



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