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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mitos e verdades sobre ressonância magnética: tatuagens, piercings, próteses e metais realmente impedem o exame?

Especialista esclarece as principais dúvidas sobre um dos exames de imagem utilizado na medicina diagnóstica


A necessidade de retirar jóias, informar a presença de próteses ou responder a uma série de perguntas antes de uma ressonância magnética costuma gerar dúvidas e até preocupação entre os pacientes. Afinal, quem tem tatuagem pode fazer o exame? E quem possui pinos, placas, implantes ou piercings? 

Apesar dos mitos que circulam sobre o tema, a maioria dessas situações não impede a realização do procedimento. O mais importante é que todas as informações sejam comunicadas previamente à equipe responsável pelo exame. 

A ressonância magnética utiliza campos magnéticos muito potentes para produzir imagens detalhadas do corpo. Por isso, qualquer material metálico ou dispositivo implantado precisa ser avaliado antes do procedimento para garantir a segurança do paciente e a qualidade das imagens. 

"A grande maioria dos pacientes consegue realizar a ressonância normalmente. O que existe é a necessidade de uma avaliação prévia para identificar materiais metálicos, dispositivos implantados ou situações específicas que possam exigir cuidados adicionais. Por isso, a etapa de triagem é tão importante", explica Dra. Marcela Padilha, especialista em biossegurança em radiologia e gerente de desenvolvimento estratégico de produtos na ALKO do Brasil.
 

Mito ou verdade: tatuagem impede a ressonância?

Mito.

Ter tatuagens normalmente não impede a realização do exame. No entanto, é fundamental informar sua existência à equipe técnica.

Alguns pigmentos utilizados em tatuagens podem conter partículas metálicas que, em situações raras, podem provocar sensação de aquecimento ou irritação local durante o exame. Também podem ocorrer interferências pontuais na qualidade das imagens dependendo da localização da tatuagem.

"Os relatos de complicações relacionadas a tatuagens são raros, mas o paciente deve sempre comunicar sua presença, especialmente quando a tatuagem está próxima da região que será examinada", afirma Marcela.
 

Quem tem piercing pode fazer o exame?

Depende.

Piercings externos normalmente precisam ser removidos antes da entrada na sala de ressonância.

Isso ocorre porque objetos metálicos podem ser atraídos pelo campo magnético ou interferir na formação das imagens, prejudicando o resultado do exame.

A orientação vale também para brincos, colares, relógios, grampos de cabelo e outros acessórios metálicos.
 

Próteses e implantes são uma contraindicação?

Nem sempre.

Uma das dúvidas mais frequentes envolve próteses ortopédicas, stents, parafusos, placas e implantes cirúrgicos.

Atualmente, muitos desses dispositivos são fabricados com materiais compatíveis com ambientes de ressonância magnética. Ainda assim, cada caso deve ser analisado individualmente.

"O fato de o paciente possuir uma prótese não significa automaticamente que ele não poderá realizar o exame. O importante é que a equipe saiba exatamente qual é o dispositivo, quando foi implantado e qual o material utilizado". Para isso, o paciente deve levar a carteiras do implante, um documento/cartão entregue ao paciente após a implantação de um dispositivo médico, como marcapasso, prótese, stent, implante ortopédico ou implante mamário.

Ela serve para identificar o implante e facilitar o atendimento futuro. Normalmente contém: nome do paciente; tipo e nome do implante; fabricante; modelo; número de série ou lote; data da implantação; identificação do hospital/médico; e informações importantes para acompanhamento do paciente.
 

Marcapasso exige atenção especial

Verdade.

Pacientes com marcapassos, desfibriladores cardíacos, neuroestimuladores e alguns implantes eletrônicos precisam de avaliação específica antes do exame. Dependendo do modelo e da compatibilidade do dispositivo, a ressonância pode exigir protocolos especiais ou, em alguns casos, não ser recomendada.

Por isso, é fundamental apresentar documentos, carteiras do implante ou relatórios médicos quando solicitado.
 

Informação é a principal aliada da segurança

A segurança do paciente também depende de outro fator pouco discutido: os materiais usados durante o próprio exame, como os sistemas de aspiração e injeção de contraste. Segundo Marcela Padilha, é importante que esses dispositivos tenham respaldo científico comprovado quanto à barreira viral e bacteriana, reduzindo o risco de contaminação cruzada em exames de imagem. É o caso de sistemas como o Transfer-Fill, de uso multipaciente, e o Patient-Set, de uso individual — ambos amparados por estudos publicados sobre biossegurança e amplamente utilizados no país. 

"O ideal é que os insumos usados nos exames tenham comprovação científica e siga as resoluções da ANVISA, para estarem de acordo com os protocolos de segurança, tanto para quem realiza quanto para quem é submetido ao procedimento", explica a especialista, que também atua como pesquisadora. 

Na prática, a tecnologia evoluiu significativamente, e a maioria dos pacientes consegue realizar a ressonância de forma segura após a avaliação adequada. "A recomendação mais importante é nunca omitir informações durante a triagem. O objetivo não é impedir a realização do exame, mas garantir que ele aconteça da forma mais segura possível para cada paciente", conclui a Dra. Marcela Padilha.
 

O que o paciente deve informar antes da ressonância?

Antes do exame, a equipe costuma questionar a presença de:

  • Próteses e implantes metálicos;
  • Marcapassos e dispositivos cardíacos;
  • Piercings;
  • Tatuagens recentes;
  • Maquiagem definitiva e micropigmentação;
  • Fragmentos metálicos decorrentes de acidentes ou cirurgias;
  • Aparelhos auditivos implantáveis;
  • Histórico de procedimentos cirúrgicos;
  • Possui a carteira do implante.

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