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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Veja 5 dicas para evitar a 'síndrome do pescoço de texto'

 

Uso constante do celular com a cabeça abaixada força a coluna
e gera uma sobrecarga de até 27 quilos na região cervical
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Especialista adverte que falta de movimento diante das telas ameaça a saúde; veja como se prevenir

 

Quase a totalidade dos brasileiros conectados à internet acessa a rede pelo celular e passa até nove horas diárias navegando nas telas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.

 

Um resultado desse hábito é o surgimento de dores e tensões na coluna cervical, ombros e parte superior das costas; problema que já afeta pelo menos 27 milhões de pessoas no país, de acordo com o Ministério da Saúde.

 

Sintomas e causas



Entre os fatores que contribuem para esse quadro está a inclinação prolongada da cabeça para digitação ou navegação em smartphones, tablets e notebooks. A permanência excessiva em frente aos aparelhos tem impulsionado a chamada síndrome do “corpo de celular” ou “pescoço de texto”, uma lesão por esforço repetitivo cada vez mais comum em jovens de 18 a 29 anos.

 

“O estopim para a fadiga e o desconforto reside na combinação entre o tempo prolongado diante dos monitores, a escassez de variação postural e a drástica redução da movimentação corporal ao longo da rotina diária”, explica Jéssica Bianca de Souza, coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR) e mestre em Sociedade e Desenvolvimento.

 

O que é e por que ocorre a sobrecarga?


Em posição neutra e ereta (alinhada aos ombros), a cabeça de um adulto pesa cerca de 5 a 6 quilos. No entanto, ao flexionar o pescoço em um ângulo de 45° a 60° para olhar o feed ou enviar mensagens pelo celular, a pressão exercida sobre a coluna cervical dispara para até 27 quilos.

 

Manter essa sobrecarga por horas gera estresse severo nos músculos, ligamentos e discos intervertebrais, podendo desencadear complicações graves, como deformidades ósseas, processos inflamatórios, estiramento muscular e agravamento de hérnias de disco.


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Além do impacto nos adultos, em crianças e adolescentes o transtorno se estende ao estilo de vida sedentário. “A troca de atividades físicas pelo tempo de tela prejudica a saúde cardiometabólica, a aptidão física e a qualidade do sono em fases de pleno desenvolvimento. Por isso, é fundamental incentivar brincadeiras, esportes e exercícios ao ar livre, estabelecendo limites para o uso recreativo dos aparelhos”, destaca a coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado.


A ilusão da postura perfeita


Ao contrário do que o senso comum sugere, prevenir essas dores não exige manter o corpo em um ângulo reto de 90 graus por longos períodos.

 

“Não devemos criar a ideia de que existe uma postura perfeita que precisa ser mantida o tempo todo. Nosso corpo foi feito para se movimentar. Mais importante do que tentar permanecer horas em uma posição considerada ideal é evitar ficar muito tempo sem mudar de atitude postural”, ressalta a fisioterapeuta.

 

Dicas para ajustar a rotina

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Segundo a especialista, a prevenção eficaz deve focar na ergonomia do ambiente, na variação constante de posição e no hábito de se mexer.

 

Para mitigar os impactos das telas no dia a dia, Jéssica Bianca de Souza, coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado, de Campo Mourão (PR), orienta cinco cuidados comportamentais e de adaptação do espaço de trabalho: 


1.      Smartphones: Eleve ligeiramente o aparelho até a altura dos olhos para diminuir a inclinação da cabeça. Sempre que possível, segure com as duas mãos e use os dois polegares. Se estiver deitado, mantenha as costas apoiadas no colchão e traga o celular à linha do olhar.

2.      Computadores e monitores: Ajuste a tela para manter o pescoço em posição neutra. A cadeira deve oferecer apoio para a lombar e os pés devem ficar totalmente apoiados no chão ou em suporte.


3.      Ergonomia: Use suportes para notebooks e apoios que mantenham os braços relaxados e a coluna devidamente sustentada.


4.      Mobilidade no trabalho: Faça microinterrupções. Levante-se, caminhe brevemente e movimente ombros, coluna e pescoço para quebrar o ciclo de fadiga muscular.


5.      Rotina de exercícios: Mantenha uma prática regular de fortalecimento e mobilidade. De nada adianta alongar-se por alguns minutos se o restante do dia for marcado por seis horas de imobilidade.

 

“Em casos de dores frequentes, rigidez articular, cefaleias tensionais, formigamento ou perda de força, é necessário buscar orientação médica ou fisioterapêutica imediatamente, sem ignorar os sinais do corpo”, reforça Jéssica.

 

Benefícios da fisioterapia


Para quem busca preservar o bem-estar, a fisioterapia surge como uma grande aliada. A prática corrige desvios de alinhamento, melhora a flexibilidade, devolve a amplitude dos movimentos, previne a atrofia, fortalece o tônus e a resistência corporal.

 

“O foco é preservar, desenvolver ou restaurar a capacidade funcional máxima e a autonomia do indivíduo em todas as etapas da vida. Mais do que aliviar a dor, o tratamento reorganiza a biomecânica da coluna e reeduca os hábitos diários”, complementa a coordenadora.

  

Centro Universitário Integrado



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