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| Uso constante do celular com a cabeça abaixada força a coluna e gera uma sobrecarga de até 27 quilos na região cervical Magnific |
Especialista
adverte que falta de movimento diante das telas ameaça a saúde; veja como se
prevenir
Quase a totalidade
dos brasileiros conectados à internet acessa a rede pelo celular e passa até
nove horas diárias navegando nas telas, segundo dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE.
Um resultado desse
hábito é o surgimento de dores e tensões na coluna cervical, ombros e parte
superior das costas; problema que já afeta pelo menos 27 milhões de pessoas no
país, de acordo com o Ministério da Saúde.
Sintomas
e causas
Entre os fatores que contribuem para esse quadro está a inclinação prolongada da cabeça para digitação ou navegação em smartphones, tablets e notebooks. A permanência excessiva em frente aos aparelhos tem impulsionado a chamada síndrome do “corpo de celular” ou “pescoço de texto”, uma lesão por esforço repetitivo cada vez mais comum em jovens de 18 a 29 anos.
“O estopim para a
fadiga e o desconforto reside na combinação entre o tempo prolongado diante dos
monitores, a escassez de variação postural e a drástica redução da movimentação
corporal ao longo da rotina diária”, explica Jéssica Bianca de Souza,
coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado
de Campo Mourão (PR) e mestre em Sociedade e Desenvolvimento.
O que
é e por que ocorre a sobrecarga?
Em posição neutra
e ereta (alinhada aos ombros), a cabeça de um adulto pesa cerca de 5 a 6
quilos. No entanto, ao flexionar o pescoço em um ângulo de 45° a 60° para olhar
o feed
ou enviar mensagens pelo celular, a pressão exercida sobre a coluna cervical
dispara para até 27 quilos.
Manter essa sobrecarga por horas gera estresse severo nos músculos, ligamentos e discos intervertebrais, podendo desencadear complicações graves, como deformidades ósseas, processos inflamatórios, estiramento muscular e agravamento de hérnias de disco.
Além do impacto nos adultos, em crianças e adolescentes o transtorno se estende ao estilo de vida sedentário. “A troca de atividades físicas pelo tempo de tela prejudica a saúde cardiometabólica, a aptidão física e a qualidade do sono em fases de pleno desenvolvimento. Por isso, é fundamental incentivar brincadeiras, esportes e exercícios ao ar livre, estabelecendo limites para o uso recreativo dos aparelhos”, destaca a coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado.
A ilusão
da postura perfeita
Ao contrário do
que o senso comum sugere, prevenir essas dores não exige manter o corpo em um
ângulo reto de 90 graus por longos períodos.
“Não devemos criar
a ideia de que existe uma postura perfeita que precisa ser mantida o tempo
todo. Nosso corpo foi feito para se movimentar. Mais importante do que tentar
permanecer horas em uma posição considerada ideal é evitar ficar muito tempo
sem mudar de atitude postural”, ressalta a fisioterapeuta.
Dicas para
ajustar a rotina
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| Magnific |
Segundo a especialista, a prevenção eficaz deve focar na ergonomia do ambiente, na variação constante de posição e no hábito de se mexer.
Para mitigar os impactos das telas no dia a dia, Jéssica Bianca de Souza, coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado, de Campo Mourão (PR), orienta cinco cuidados comportamentais e de adaptação do espaço de trabalho:
1. Smartphones:
Eleve ligeiramente o aparelho até a altura dos olhos para diminuir a inclinação
da cabeça. Sempre que possível, segure com as duas mãos e use os dois
polegares. Se estiver deitado, mantenha as costas apoiadas no colchão e traga o
celular à linha do olhar.
2. Computadores
e monitores: Ajuste a tela para manter o pescoço em posição
neutra. A cadeira deve oferecer apoio para a lombar e os pés devem ficar
totalmente apoiados no chão ou em suporte.
3. Ergonomia:
Use suportes para notebooks e apoios que mantenham os braços relaxados e a
coluna devidamente sustentada.
4. Mobilidade
no trabalho: Faça microinterrupções. Levante-se, caminhe
brevemente e movimente ombros, coluna e pescoço para quebrar o ciclo de fadiga
muscular.
5. Rotina de
exercícios: Mantenha uma prática regular de fortalecimento e
mobilidade. De nada adianta alongar-se por alguns minutos se o restante do dia
for marcado por seis horas de imobilidade.
“Em casos de dores
frequentes, rigidez articular, cefaleias tensionais, formigamento ou perda de
força, é necessário buscar orientação médica ou fisioterapêutica imediatamente,
sem ignorar os sinais do corpo”, reforça Jéssica.
Benefícios
da fisioterapia
Para quem busca preservar o bem-estar, a fisioterapia surge como uma grande aliada. A prática corrige desvios de alinhamento, melhora a flexibilidade, devolve a amplitude dos movimentos, previne a atrofia, fortalece o tônus e a resistência corporal.
“O foco é
preservar, desenvolver ou restaurar a capacidade funcional máxima e a autonomia
do indivíduo em todas as etapas da vida. Mais do que aliviar a dor, o
tratamento reorganiza a biomecânica da coluna e reeduca os hábitos diários”,
complementa a coordenadora.



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