▼

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Dia da Pessoa Idosa: tecnologia pode ajudar brasileiros a envelhecer com mais autonomia e segurança

Unsplash
Com população idosa em crescimento, organização e compartilhamento de informações de saúde ganham importância para pacientes, familiares e cuidadores

 

Há uma situação comum em muitas famílias brasileiras: um exame está guardado em uma gaveta, a receita mais recente está no celular de outra pessoa e ninguém se lembra exatamente quando um medicamento foi alterado. Quando filhos vivem em outras cidades, profissionais se revezam no cuidado ou diferentes médicos acompanham o mesmo paciente, reconstruir o histórico de saúde de uma pessoa idosa pode se tornar ainda mais difícil. O cenário do envelhecimento no Brasil começa exatamente aí, na dificuldade de organizar o cuidado. Nesse ponto, novas tecnologias, como a MYME, fundada em 2025, podem ajudar.
 

No Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o avanço da longevidade no Brasil reforça a necessidade de discutir não apenas quem cuidará de uma população cada vez mais velha, mas também quais ferramentas podem ajudar as próprias pessoas idosas a manter mais autonomia sobre suas informações e facilitar a comunicação com sua rede de apoio.

Só entre 2016 e 2019, o número de familiares dedicados ao cuidado de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões para 5,1 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo 2022 identificou um crescimento de 57,4% no número de pessoas idosas ao longo de 12 anos, e as projeções indicam que essa transformação demográfica está apenas começando. O país tem aproximadamente 214 milhões de habitantes em 2026, com expectativa média de vida de 77 anos. Já em 2070, a população deve cair para cerca de 199 milhões de pessoas, mesmo com a taxa de mortalidade infantil caindo de 11,8% para 5,8%, enquanto a expectativa média de vida saltará para 83,9 anos. Traduzindo esses números: haverá menos jovens, menos pessoas economicamente ativas e muito mais idosos vivendo por mais tempo.
 

Isso mostra como a lógica social está mudando. As famílias estão menores, há mais pessoas sem filhos e o mercado de trabalho permite (às vezes, exige) mobilidade. Profissionais trocam de cidade, estado e até país com mais frequência do que suas gerações anteriores. Pais envelhecem enquanto filhos vivem a milhares de quilômetros de distância. Ao mesmo tempo, de acordo com o IBGE, as principais atividades requeridas pelos idosos são monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio (83,4%), auxiliar nos cuidados pessoais (74,1%) e acompanhar consultas médicas, exames e atividades sociais, culturais e religiosas (61,1%). Ou seja, tudo que demanda presença e tempo. 

Essa tendência já chamou a atenção do mercado de saúde e do cuidado. É o caso da MYME, plataforma gratuita que centraliza o histórico médico de usuários e seus dependentes, e qualquer informação do histórico pode ser enviada a terceiros, via link, quando necessário. “O cuidado com o idoso não acontece só na emergência. Acontece todos os dias, na rotina. Quando o histórico médico está organizado e atualizado, o acompanhamento fica mais fácil e mais seguro”, diz Lucas Santiago, cofundador da MYME, que é estruturada como uma Sociedade de Benefício Público (PBC), combinando modelo de negócio com propósito social. 

A plataforma da MYME permite registrar sintomas, exames, consultas, prescrições médicas, medicação, vacinação, além de prontuários de hospitais, clínicas e outras unidades de saúde, do usuário ou de seu dependente, seja criança, doente ou idoso. “Às vezes, o filho está em outra cidade, enquanto o cuidador acompanha a rotina do idoso presencialmente. A plataforma cria uma ponte para a troca de informações sem que elas fiquem dispersas e fragmentadas. O mesmo vale para equipes de cuidadores que se revezam em uma mesma casa. É uma forma de cuidar melhor e dar mais tranquilidade para todos os envolvidos”, afirma Gabriel Barros, cofundador da MYME.

 

Como a MYME funciona

Ao criar uma conta na MYME, o usuário pode inserir informações em categorias sugeridas – Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros” – ou criar suas categorias (por exemplo, controle de glicemia, controle de pressão arterial e ciclo menstrual). A plataforma aceita arquivos em PDF, imagem e texto e tudo é inserido em uma linha do tempo do paciente. Qualquer dado ou categoria pode ser compartilhado via link. 

“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas Santiago. Por isso, a MYME permite que o usuário crie perfis de dependentes e divida sua gestão com outros responsáveis (familiares e cuidadores de um idoso, por exemplo).
 

Segurança de dados

A proteção de dados é um dos principais pontos de atenção do setor de saúde diante dos episódios recentes de vazamento de informações confidenciais. A segurança é o ponto focal da MYME. O desenvolvedor da plataforma, Gabriel Barros, é engenheiro de software com experiência de 15 anos no Yahoo Internacional e liderança em um projeto de isolamento de dados sensíveis com Google e Microsoft. Ele garante que “a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário.”

 

Complementar ao Meu SUS Digital

A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital, plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Serviço Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”, diferencia Gabriel.
 


MYME
Saiba mais aqui


Nenhum comentário:

Postar um comentário