terça-feira, 8 de setembro de 2026

Setembro Dourado alerta reforça importância de reconhecer os sinais do câncer infantojuvenil com foco em retinoblastoma e neuroblastoma

 Tumores têm origens, manifestações e tratamentos distintos; identificação de sintomas persistentes pode acelerar o diagnóstico e ampliar as possibilidades de cura

 

A Campanha Setembro Dourado chama a atenção para os tumores que podem acometer as crianças e os adolescentes. Embora as leucemias sejam as mais frequentes, existem outros dois que merecem atenção especial por serem pouco mencionados: o neuroblastoma e o retinoblastoma. Apesar de ambos serem cânceres pediátricos, são bastante diferentes. Enquanto o neuroblastoma se origina de células do sistema nervoso simpático, o retinoblastoma se desenvolve na retina, região localizada no fundo do olho. 

A oncologista pediátrica e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Dra. Mariana Bohns Michalowski. explica que o câncer infantojuvenil reúne diferentes tipos de tumores, cada um com características próprias e, por essa razão, não existe um único conjunto de sintomas que permite identificar todos eles. “O que deve chamar a atenção são os sinais ou sintomas persistentes.”

 

Neuroblastoma

Esse tumor pode surgir em diferentes partes do organismo, principalmente na região abdominal e nas glândulas suprarrenais, sendo uma das principais neoplasias sólidas extracranianas da infância, ocorrendo predominantemente em crianças pequenas. Para se ter ideia, mais de 80% dos casos são diagnosticados antes dos cinco anos de idade. 

Segundo a Dra. Mariana, os sintomas variam de acordo com a localização do tumor. Caso ele esteja no abdômen, pode provocar aumento do volume abdominal, massa palpável, dor, constipação e desconforto. Já os localizados no tórax podem causar dificuldade para respirar, enquanto lesões próximas à coluna podem provocar alterações na marcha, fraqueza nas pernas ou dificuldade para urinar. Além disso, em casos disseminados, podem ocorrer ainda febre, perda de peso, irritabilidade e dor óssea. “A causa do neuroblastoma ainda não é conhecida na maioria dos casos, pois ocorre de maneira esporádica, predominantemente, e apenas uma pequena parcela apresenta caráter familiar”, revela a presidente da SOBOPE, ao afirmar que esse tumor pode ser particularmente desafiador já que seus sinais dependem muito de onde ele está localizado. “Uma criança pode apresentar uma massa abdominal, enquanto outra pode ter sintomas respiratórios ou neurológicos. Por isso, é importante investigar alterações que persistem ou que não encontram uma explicação adequada”, diz. 

Já o tratamento é definido de acordo com a idade do paciente, características biológicas do tumor, extensão da doença e grupo de risco, sendo que dependendo do caso pode envolver cirurgia, quimioterapia e, em casos mais específicos, estratégias mais intensivas, como transplante de células-tronco e imunoterapia. “No neuroblastoma não há recomendação de rastreamento da população geral, sendo que a estratégia é reconhecer sinais e sintomas suspeitos, e realizar a investigação diagnóstica quando necessário.”

 

Retinoblastoma

Trata-se do tumor intraocular mais comum da infância, onde 95% dos casos são diagnosticados até os cinco anos de vida. De acordo com a Dra. Mariana, o principal sinal de alerta é a leucocoria, conhecida de maneira popular como “reflexo do olho de gato”. Ela explica que em determinadas condições de iluminação, a pupila apresenta uma coloração branca, em vez do reflexo avermelhado habitual, sendo que este sinal pode aparecer, inclusive, em fotografias com flash. “Outras manifestações incluem estrabismo, dificuldade para enxergar, sensibilidade exagerada à luz, dor ou vermelhidão nos olhos e inchaço ao redor do olho”, cita a especialista, ao relatar que o retinoblastoma possui uma importante relação genética, estando a doença associada a alterações no gene RB1. “Existem formas hereditárias e não hereditárias, e o aconselhamento genético pode ser indicado nos casos com características que sugerem predisposição familiar”, atesta. 

Outro ponto importante é que o reflexo branco na pupila não deve ser ignorado. Segundo a oncologista pediátrica, embora nem todo esse tipo de reflexo signifique retinoblastoma, é importante que a criança seja avaliada rapidamente por um oftalmologista, pois quanto mais precocemente o tumor é identificado, maiores as possibilidades de êxito no tratamento, inclusive com a preservação do olho e da própria visão, em alguns casos. “O tratamento também depende do tamanho, da localização e da extensão do tumor e pode incluir terapias locais, como laser e crioterapia, quimioterapia sistêmica, quimioterapia intra-arterial ou intravítrea e, em situações mais avançadas, radioterapia ou enucleação, que é a retirada do olho”, relata, ao comentar que embora sejam tumores diferentes, ambos têm um ponto em comum: o diagnóstico precoce pode fazer a diferença no tratamento e no prognóstico. No caso do retinoblastoma, o teste do reflexo vermelho, realizado nas consultas pediátricas de rotina, é uma ferramenta importante para identificar alterações que precisam ser investigadas.

 

Sobre o Setembro Dourado

O Setembro Dourado é a campanha nacional de conscientização sobre o câncer infantojuvenil. Em 2026, a iniciativa é realizada de forma conjunta pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), Confederação Nacional de Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer (CONIACC), Instituto Desiderata, com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre os sinais da doença e incentivar o diagnóstico precoce.

 

 SOBOPE

 

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