terça-feira, 8 de setembro de 2026

Ronco frequente pode ser sinal de apneia e aumentar riscos de problemas cardiovasculares

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Interrupções da respiração durante a noite podem reduzir a oxigenação e gerar maior sobrecarga ao organismo a médio e longo prazo


Roncar pode parecer apenas um incômodo para quem divide o quarto ou a cama, mas, quando ocorre com frequência, o hábito merece atenção. O som é provocado pela passagem do ar por uma via aérea estreitada e pode ser um dos principais sinais da apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por episódios repetidos de redução ou interrupção da respiração durante a noite. 

De acordo com a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, embora um ronco eventual possa acontecer durante uma gripe ou outro quadro de obstrução nasal temporária, o ronco frequente precisa ser investigado. “Ele pode ser um sinal de alerta para a apneia obstrutiva do sono. Durante o sono, a musculatura da via aérea relaxa naturalmente, mas, em algumas pessoas, esse relaxamento é maior e provoca um estreitamento que dificulta a passagem do ar”, explica.

Além de produzir o ronco, esse estreitamento pode reduzir a oxigenação do organismo. É nesse ponto que a condição passa a representar também uma preocupação para a saúde cardiovascular. “Durante a noite, o organismo deveria estar em repouso. Quando ocorrem episódios de apneia e há redução da oxigenação, o corpo precisa trabalhar mais. Ao longo do tempo, isso pode aumentar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular”, comenta a médica.

A apneia do sono pode estar associada a um maior risco de problemas como hipertensão arterial, arritmias, infarto e acidente vascular cerebral, especialmente quando se soma a outros fatores de risco, como diabetes e obesidade. “Essas consequências geralmente acontecem a médio e longo prazo. Além disso, uma noite de sono sem qualidade também pode afetar o metabolismo, a glicose, o colesterol, a memória, a cognição e o humor, fatores que podem contribuir para outros impactos na saúde”, ressalta.

Um dos principais indícios de que o ronco pode estar acompanhado por apneia é a sonolência excessiva durante o dia. Dormir facilmente enquanto assiste à televisão, lê ou permanece em situações que exigem atenção pode não representar apenas facilidade para pegar no sono.

“É comum a pessoa dizer que dorme em qualquer lugar, mas isso pode esconder uma sonolência excessiva. Quando o sono noturno não tem qualidade, a consequência aparece no dia seguinte”, afirma a Dra. Raquel Rodrigues.

Irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração e falhas de memória também podem estar relacionados a uma noite mal dormida. Isso acontece porque a pessoa pode ter o sono fragmentado e permanecer mais tempo em fases superficiais, sem alcançar adequadamente os estágios mais profundos e reparadores.

A intensidade do ronco, por si só, não indica a gravidade da apneia. Por isso, a investigação médica é fundamental. A polissonografia é considerada o padrão ouro para o diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono e permite identificar episódios de apneia e hipopneia, quando há uma redução parcial da respiração. 

“O exame permite quantificar esses eventos, avaliar a oxigenação e, dependendo do tipo de polissonografia, também analisar parâmetros como o batimento cardíaco e a atividade cerebral durante o sono. Com essas informações, é possível confirmar o diagnóstico e classificar o quadro como leve, moderado ou grave”, explica a especialista.

Existem diferentes tipos de polissonografia, e a indicação depende da avaliação médica. Alguns exames são realizados em laboratório do sono, com monitoramento mais completo, enquanto outros podem ser feitos em casa, com equipamentos específicos. “O tipo adequado será definido de acordo com a suspeita clínica e as características de cada paciente”, diz.

Sobrepeso e obesidade estão entre os principais fatores de risco para a apneia obstrutiva do sono. O envelhecimento, o sedentarismo, características anatômicas, fatores genéticos e alterações na musculatura da via aérea também podem contribuir para o problema.

“Ter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, não fumar e evitar o consumo de bebida alcoólica são medidas importantes tanto para o controle da apneia quanto para a saúde cardiovascular como um todo”, orienta. 

O tratamento é individualizado e pode incluir mudanças no estilo de vida, aparelhos intraorais, fonoaudiologia, cirurgias e o uso de equipamento que auxilia na manutenção da via aérea aberta durante o sono. “Investigar o ronco é fundamental, especialmente quando ele é frequente e vem acompanhado de sinais como sonolência durante o dia e cansaço. O diagnóstico da apneia do sono e o acompanhamento adequado permitem controlar a condição e reduzir seus impactos na saúde ao longo do tempo, inclusive sobre o sistema cardiovascular”, finaliza a Dra. Raquel Rodrigues.

 

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