Estudos apontam relação entre postura
durante o uso do smartphone e sobrecarga nos ombros; Sociedade Brasileira de
Cirurgia do Ombro e Cotovelo orienta sobre cuidados para evitar desconfortos
Passar horas no celular já virou parte da rotina, seja para trabalhar, estudar, conversar ou simplesmente passar o tempo. Mas a postura adotada para olhar a tela pode pesar nos ombros, como apontam alguns estudos.
Uma pesquisa publicada este ano, intitulada “A relação entre má postura ao usar dispositivos eletrônicos e dor periescapular no ombro”, avaliou 379 pessoas com o objetivo de investigar a dor na região ao redor da escápula, relacionada à postura durante o uso de dispositivos eletrônicos. O resultado mostrou que 48,5% relataram dor periescapular atual e apontou, ainda, que os participantes que permaneciam em pé ou caminhando enquanto usavam dispositivos eletrônicos com o pescoço inclinado para a frente apresentaram associação significativa com o incômodo na região. Essa postura teve 2,15 vezes mais chance de estar associada à dor.
Já revisão sistemática publicada em 2026, que analisou 30 estudos com adultos, identificou que, em 24 dos trabalhos avaliados, pessoas com maior tempo de uso, maior atividade de digitação ou maior nível de dependência do aparelho apresentaram maior prevalência de dores musculoesqueléticas, incluindo na região dos ombros. A revisão destaca, ainda, que 67% dos artigos analisados identificaram a duração do uso (de 3 a 9 horas diariamente) e a postura corporal durante o uso como os principais fatores de risco estudados.
Entre os adolescentes, que também estão cada vez mais expostos ao uso prolongado de celulares, a relação aparece em outro estudo recente, o qual analisou 622 participantes, com idade mediana de 14 anos e apontou que 21,5% apresentavam dor no ombro.
“Quando passamos muito tempo olhando para o celular, principalmente com a cabeça inclinada para frente e os braços sem apoio, mantemos músculos e articulações em uma posição estática por muito tempo. Nos ombros, a sobrecarga pode se manifestar inicialmente como tensão, fadiga e dor na região próxima à escápula. Com a repetição desse padrão, a musculatura responsável pela estabilização e pelo movimento da escápula pode passar a trabalhar de maneira menos coordenada, interferindo na mecânica do ombro”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Dr. Eduardo Malavolta.
O ortopedista lembra que o incômodo também merece atenção quando
deixa de ser pontual. “Dor que persiste mesmo após interromper a atividade,
piora progressivamente ou começa a limitar tarefas simples, como levantar o
braço, alcançar objetos ou se vestir, pode indicar que o problema não está
apenas relacionado à tensão momentânea. Nesses casos, a avaliação de um
especialista é importante para identificar a origem da dor e evitar que ela se
prolongue”, salienta.
Dicas
Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a reduzir a sobrecarga
sobre a região. Evitar permanecer longos períodos na mesma posição, fazer
pausas ao longo do dia e buscar manter o celular em uma altura que não exija
uma inclinação constante da cabeça são algumas medidas simples. “Intercalar
períodos de uso com pausas e movimentação é importante para evitar que a
musculatura permaneça sob tensão durante horas”, fala.
“O celular faz parte da nossa rotina e não é preciso
deixar de usá-lo. A questão está em incorporar alguns cuidados ao hábito, para
que a tecnologia facilite o dia a dia sem cobrar um preço do corpo”, conclui.

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