Especialista alerta que confiar apenas
nos benefícios de crédito pode gerar custos imprevistos de milhares de dólares
na Europa e EUA; saiba o que checar nas letras miúdas
Na hora de planejar uma viagem, a promessa do "seguro viagem
gratuito" oferecido pelos cartões de crédito costuma ser atraente. No
entanto, o que parece economia pode se transformar em um prejuízo de milhares
de dólares. Regras ocultas nas letras miúdas e coberturas limitadas têm feito
viajantes descobrirem a falta de assistência apenas no momento de uma
emergência no exterior.
De acordo com Paulo Zamboni, CEO do Seguros
Promo, o problema não é o benefício do cartão em si, mas a falta de clareza
sobre como ele funciona na prática. “Muitos cartões operam exclusivamente por
sistema de reembolso. Se o viajante tiver uma crise de apendicite nos Estados
Unidos, ele precisará desembolsar US$ 15 mil do próprio bolso no hospital para,
só depois de voltar ao Brasil, tentar reaver o valor com a operadora. O seguro
dedicado, por sua vez, aciona a rede credenciada e paga a conta diretamente”,
alerta Zamboni.
Para evitar surpresas na imigração ou no hospital, o Seguros Promo
mapeou as 5 cláusulas de exclusão e restrições mais recorrentes nos seguros de
cartão de crédito:
- Obrigação de reembolso: Necessidade de liquidez imediata para pagar despesas médicas
no exterior antes de solicitar o ressarcimento no Brasil.
- Vínculo estrito de compra: A proteção só é ativada se a passagem integral (ou as taxas
de embarque com milhas) for paga no cartão em questão.
- Exclusão de lazer e esportes: Acidentes ocorridos em passeios turísticos comuns, como
estações de esqui, passeios de barco ou quadriciclo, costumam ser
excluídos nas apólices genéricas.
- Gargalos de idade e pré-existência: Restrições severas ou limitação de teto de cobertura para
viajantes acima de 60 anos, gestantes ou pessoas com doenças crônicas.
- Inexistência de traslado sanitário amplo: Coberturas de regresso sanitário com valores teto muito
baixos, insuficientes para fretar UTI aérea em casos graves.
Como comparar e garantir a cobertura real
A principal recomendação é não viajar apenas com a
garantia genérica. A análise do perfil da viagem (destino, duração e atividades
previstas) deve guiar a escolha da apólice.
“A função da plataforma de comparação é justamente escancarar as
letras miúdas. O passageiro precisa ver, lado a lado, qual plano cobre
atendimento direto e qual exige reembolso, evitando cair em pegadinhas”,
explica o executivo do Seguros Promo.
O especialista lembra ainda que ter as duas opções não é proibido,
mas exige atenção. “Você não pode lucrar acionando dois seguros para o mesmo
evento médico, mas pode usar o seguro dedicado para a saúde e a cobertura do
cartão para um eventual atraso de voo, otimizando as proteções”, conclui
Zamboni.
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