quinta-feira, 16 de julho de 2026

Empresas e sócios simultaneamente inadimplentes representam 5,5% das PMEs e acumulam mais de R$ 80 bilhões em dívidas, revela estudo da Serasa Experian

 

Negócios com 10 a 20 anos de atividade lideram os valores em atraso por tempo de fundação, somando R$ 11,6 bilhões entre empresas e sócios simultaneamente inadimplentes

Nova edição do Panorama PME, produzido pela Serasa Experian, cruza a situação financeira de PMEs e sócios principais e mostra os volumes em atraso das empresas nas modalidades de crédito de cartão e capital de giro.

 

Um estudo da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, revela que, embora empresas e seus sócios principais simultaneamente inadimplentes representem apenas 5,5% das PMEs analisadas, esse grupo concentra mais de R$ 80,6 bilhões em dívidas. Dentro desse grupo, o levantamento classifica as pendências em diferentes categorias de atraso — como cartão de crédito, capital de giro e a combinação de ambos. Nessa última, de atraso simultâneo no cartão de crédito e no capital de giro, concentram-se R$ 40,3 bilhões em pendências financeiras, o maior montante entre as categorias analisadas.

 

Ainda considerando as empresas e sócios simultaneamente inadimplentes, os atrasos observados exclusivamente no cartão de crédito totalizam R$ 25,3 bilhões, enquanto aqueles registrados apenas em operações de capital de giro alcançam R$ 15 bilhões. Juntas, as três categorias analisadas pelo levantamento somam R$ 80,6 bilhões em pendências financeiras, evidenciando que os maiores volumes em atraso estão concentrados em empresas que acumulam dificuldades em mais de uma modalidade de crédito.

 

O estudo faz parte da sétima edição do Panorama PME, boletim trimestral elaborado a partir de dados proprietários da datatech sobre o segmento de micro, pequenas e médias empresas, e analisa a relação financeira entre PMEs e seus sócios principais, trazendo também os montantes associados às operações em atraso. A análise contemplou 24,8 milhões de empresas com vínculo societário compatível, permitindo uma visão ampla sobre a interação entre a saúde financeira dos negócios e de seus empreendedores. Foram consideradas empresas ativas com faturamento anual estimado de até R$ 300 milhões e a inadimplência foi definida a partir de atrasos iguais ou superiores a 30 dias nas modalidades de cartão e capital de giro.

 

Outro cenário contemplado são as empresas inadimplentes cujos sócios permanecem sem dívidas em atraso. Estes correspondem a 2,2% da base analisada e acumulam R$ 43,9 bilhões em pendências financeiras. Desse total, R$ 21,9 bilhões estão concentrados em empresas com atraso tanto no cartão quanto no capital de giro, R$ 12,4 bilhões em operações de cartão e R$ 9,6 bilhões em capital de giro. 


A maior parte da base analisada (92,2%) é composta por empresas sem inadimplência nas categorias analisadas. Nesse grupo, 52,2% mantêm tanto a empresa quanto o sócio em situação regular, enquanto 40,0% possuem sócios inadimplentes apesar da empresa permanecer sem dívidas em atraso.

 


“Embora representem uma parcela relativamente pequena das PMEs analisadas, os casos em que empresa e sócio principal estão simultaneamente inadimplentes concentram volumes expressivos de dívidas. Os resultados reforçam que a saúde financeira do negócio e a do empreendedor caminham juntas e podem se influenciar mutuamente ao longo do tempo”, afirma Cleber Genero, vice-presidente de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian.

 


Empresas mais maduras concentram os maiores valores de crédito e inadimplência


Ao aprofundar a análise das empresas e sócios simultaneamente inadimplentes, o levantamento mostra que os maiores montantes estão concentrados em negócios mais maduros. Empresas com 10 a 20 anos de atividade acumulam R$ 26,7 bilhões em crédito tomado e R$ 11,6 bilhões em atrasos, considerando conjuntamente as modalidades de cartão e capital de giro. Já entre os negócios com 5 a 10 anos, os valores alcançam R$ 26,1 bilhões em crédito tomado e R$ 13,5 bilhões em atrasos nas mesmas modalidades.

 

Embora empresas de 1 a 5 anos representem a maior parcela desse grupo (38,6%), elas concentram R$ 16,3 bilhões em crédito tomado e R$ 9,7 bilhões em atrasos, valores inferiores aos observados entre empresas com mais tempo de mercado. O resultado indica que, apesar da maior frequência de ocorrências entre negócios mais jovens, as maiores exposições financeiras estão concentradas em empresas já estabelecidas.

 

A análise setorial revela comportamento semelhante. Embora o segmento de Serviços concentre a maior parte das ocorrências observadas (48,8%), o Comércio lidera os dados financeiros. O setor acumula R$ 35,3 bilhões em crédito tomado e R$ 16,1 bilhões em atrasos, considerando conjuntamente as modalidades de cartão e capital de giro. Já os Serviços somam R$ 31,5 bilhões em crédito tomado e R$ 16,0 bilhões em pendências financeiras. Juntos, os dois segmentos concentram a maior parte da exposição ao crédito e dos valores em atraso observados entre empresas e sócios simultaneamente inadimplentes. 


“Os resultados reforçam que as finanças do empreendedor e da empresa caminham lado a lado. Observar conjuntamente a exposição ao crédito e os volumes em atraso permite uma compreensão mais ampla dos desafios financeiros enfrentados pelas PMEs”, finaliza Genero.


 

7ª Edição do Panorama PME


Esse estudo especial faz parte da sétima edição do boletim trimestral elaborado com base em dados proprietários da Serasa Experian e de mercado sobre perfil e impactos conjunturais sobre o segmento de micro, pequenas e médias empresas. O material se divide em categorias e traz, além do estudo: dados demográficos e segmentação, dados de atividade econômica (emprego, demanda, oferta e acesso ao crédito) e inadimplência e insolvência. Para ter acesso ao material completo, acesse o portal de conteúdo da datatech.


 

Metodologia

O estudo contemplou 24,8 milhões de empresas com vínculo societário compatível, considerando empresas ativas com faturamento anual estimado de até R$ 300 milhões - em linha com a referência de classificação por porte econômico utilizada pelo BNDES. A inadimplência foi definida a partir de atrasos iguais ou superiores a 30 dias nas modalidades. No perfil de pessoa física, foram consideradas dívidas relacionadas a cartão de crédito e/ou empréstimos (crédito pessoal, crédito consignado, microcrédito e outras modalidades). Já no perfil de pessoa jurídica, foram consideradas dívidas de cartão de crédito e/ou operações de capital de giro.



Experian
experianplc.com


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