Especialista explica como a condição afeta absorção
de nutrientes e aumenta o risco de fragilidade durante o envelhecimento
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 23% das
pessoas com 60 anos ou mais apresentam perda total dos dentes. A condição, para
além do impacto direto na capacidade de mastigação, desencadeia desequilíbrios
no organismo, já que compromete as funções essenciais da alimentação.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 14
milhões de brasileiros com mais de 18 anos não possuem nenhum dente. O
levantamento mostra que os idosos concentram a maior parcela desses casos, eles
representam cerca de 31,7% das pessoas com perda dentária total. Esse cenário
dificulta o consumo de alimentos fundamentais como carnes, frutas e vegetais, o
que pode afetar a qualidade da dieta e, consequentemente, o estado nutricional
do idoso.
A revisão científica intitulada “Função mastigatória e sua
associação com impactos de saúde sistêmica em idosos”, publicada em 2024,
estudou este impacto no processo digestivo. O estudo indicou que a mastigação
inadequada compromete a formação do bolo alimentar e reduz a eficiência da ação
da saliva, substância fundamental no início da digestão química dos alimentos.
Essa deficiência não permite o aproveitamento total do bolo alimentar quando
este atinge o estômago e o intestino, onde enzimas continuarão o processo
digestivo, mas os nutrientes acabam não sendo totalmente assimilados pelo
organismo.
O dentista e fundador da SorriaMed, Dr. Leonardo Acioli, aponta
que o desequilíbrio odontológico deve ser acompanhado de perto nessa etapa da
vida, dado a fragilidade odontológica com a chegada dos 60 anos. Segundo o
especialista, muitos idosos não percebem a mudança de forma imediata, mas
passam a adaptar a alimentação ao longo do tempo.
“É comum que o idoso comece a evitar carnes duras, frutas mais
fibrosas e vegetais crus de maneira intuitiva, por receio de ferir as
estruturas dentárias existentes. Isso reduz a diversidade nutricional diária e
pode contribuir para quadros de fraqueza, perda de massa muscular e piora da
saúde geral”, completa Acioli.
Dr. Leonardo aponta que, em muitos casos, o quadro é agravado por
próteses antigas ou mal adaptadas, que não recuperam completamente a eficiência
da mastigação. “Com o envelhecimento, é comum a perda gradual de dentes
naturais por cáries acumuladas ao longo da vida, doença periodontal ou desgaste
progressivo das estruturas de suporte dentário. A digestão começa na boca.
Quando ela é prejudicada, o alimento chega ao estômago em condições pouco
adequadas de processamento, o que obriga todo o sistema digestivo a trabalhar
de forma compensatória”, afirma.
Ações de prevenção
A
prevenção da perda dentária na terceira idade começa muito antes da extração ou
da necessidade de prótese, e depende da identificação precoce de sinais de
alerta que muitas vezes passam despercebidos.
“Pequenos
sinais como sangramento gengival durante a escovação, sensibilidade ao mastigar
certos alimentos, mau hálito persistente ou retração da gengiva já indicam que
existe um processo inflamatório em andamento. Esses sinais do corpo não podem
ser ignorados”, alerta Acioli.
Segundo
ele, outro ponto fundamental é a adaptação do cuidado odontológico ao
envelhecimento, com consultas periódicas mesmo na ausência de dor ou
desconforto “Um erro comum é procurar o dentista apenas quando há dor. Na
terceira idade, isso precisa mudar. O acompanhamento regular permite
identificar problemas ainda em estágio inicial e evitar que pequenas alterações
evoluam para perda dentária”, completa o. dentista.
Tratamentos após perda
Quando
a perda dentária já ocorreu, entre as principais opções estão a aplicação de
próteses totais ou parciais bem adaptadas e implantes dentários, que ajudam a
restabelecer a capacidade de triturar os alimentos de forma adequada. O
profissional reforça que a escolha do tratamento depende do grau dano
odontológico, da condição óssea do paciente e de uma avaliação clínica
individualizada.
“Hoje,
conseguimos reabilitar praticamente toda a função mastigatória com o desenvolvimento
das práticas de implantodontia. Para além do sorriso, o idoso volta a se
alimentar de componentes basilares da dieta de maneira segura e eficiente, o
que impacta na qualidade de vida durante o envelhecimento”, conclui o fundador
da SorriaMed.

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