Prof. Dr. José Carlos Sadalla, oncoginecologista da Clínica Andrade & Sadalla, explica sintomas, tratamento e prevenção das hepatites virais — e por que o diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações graves
Julho
é o mês de cor amarela no calendário da saúde pública, e a escolha não é por
acaso. A cor está diretamente ligada a um dos sintomas mais característicos da
doença: a icterícia, o amarelamento da pele e dos olhos.
Instituída
pela Lei nº 13.802/2019, a campanha Julho Amarelo reforça as ações de
vigilância, prevenção e controle das hepatites virais no Brasil, condição que
afeta cerca de 1,5 milhão de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde.
Uma doença silenciosa
O
grande risco das hepatites virais está justamente na ausência de sintomas. As
hepatites B e C, em particular, podem evoluir para formas crônicas e, em grande
parte dos casos, permanecem assintomáticas até estágios avançados da doença,
quando já se instalaram cirrose e suas complicações, incluindo o câncer de
fígado. No Brasil, estima-se que 520 mil pessoas tenham hepatite C sem
diagnóstico nem tratamento.
Quando
os sintomas aparecem, costumam incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura,
enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes
claras. Entre 2000 e 2022, o Brasil registrou 750.651 casos de hepatites
virais, com a hepatite C representando 39,8% do total, seguida da hepatite B,
com 36,9%.
Por
que o oncoginecologista entra nessa conversa
Para o Prof. Dr. José Carlos Sadalla, médico oncoginecologista e cofundador da Clínica Andrade & Sadalla, a relação entre hepatites virais crônicas e o desenvolvimento de câncer é um dos pontos mais importantes — e menos discutidos — da campanha.
"As
hepatites B e C crônicas estão entre as principais causas de cirrose e câncer
de fígado no mundo. Como oncologista, vejo de perto o quanto um diagnóstico
tardio pode mudar o curso da vida de um paciente. A grande diferença das
hepatites virais é que, na maioria dos casos, elas são silenciosas, e o
paciente só descobre a doença quando ela já avançou. É por isso que a testagem
regular não deveria ser vista como algo opcional, especialmente para quem está
em algum grupo de maior risco. O diagnóstico precoce é, literalmente, a
diferença entre tratar uma infecção e tratar um câncer", afirma Dr.
Sadalla.
Tratamento: cada tipo de hepatite tem seu protocolo
A
hepatite A geralmente não requer tratamento específico, já que a infecção é
autolimitada e o corpo consegue eliminá-la por conta própria. Já a hepatite C,
apesar de não ter vacina disponível, tem uma boa notícia: o tratamento é feito
com medicamentos via oral em um período de 12 a 24 semanas, com altas taxas de
cura quando a doença é identificada a tempo. Para a hepatite B crônica, o
tratamento costuma envolver antivirais de uso contínuo, capazes de controlar a
replicação do vírus e reduzir o risco de evolução para cirrose ou câncer
hepático.
Prevenção:
vacina, testagem e cuidados básicos
A prevenção varia conforme a forma de transmissão. As hepatites A e E são transmitidas por via fecal-oral, então a prevenção passa por lavar bem os alimentos antes do consumo, sobretudo os que são ingeridos crus, e manter uma boa higiene pessoal. Já para as hepatites B e C, que se transmitem principalmente por via sexual e sanguínea, as medidas incluem vacinação contra a hepatite B, disponível gratuitamente pelo SUS, uso de preservativo em todas as relações sexuais, e evitar o compartilhamento de objetos cortantes e seringas. Procedimentos como manicure, tatuagem e piercing também devem ser feitos em locais que sigam normas rigorosas de higiene.
A testagem regular é especialmente recomendada para pessoas em grupos de maior risco, e os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde. A meta do Brasil, em linha com a Organização Mundial da Saúde, é diagnosticar 90% das pessoas com hepatites virais e tratar 80% das diagnosticadas até 2030.
Clínica Andrade & Sadalla
Av. Ibirapuera, 2.907, conjunto 720, Moema, São Paulo.
Instagram: @clinicaandradesadalla
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