De acordo com infectologista do IBCC Oncologia, esquema vacinal exige estratégia individualizada e atenção ao momento do tratamento para garantir proteção sem comprometer a resposta imunológica
Pacientes em tratamento oncológico têm maior risco de desenvolver infecções graves e, por isso, não devem seguir o calendário vacinal padrão da população geral. Nesse caso, a imunização precisa ser planejada de forma individualizada, levando em conta o tipo de tumor, a terapia adotada e o grau de imunossupressão.
A recomendação é que o esquema vacinal seja integrado ao próprio plano de tratamento oncológico, com definição do tipo de vacina e do momento mais adequado para aplicação. O objetivo é reduzir complicações infecciosas, evitar internações e impedir interrupções em terapias como a quimioterapia, que podem comprometer os resultados clínicos.
“A vacinação é uma estratégia fundamental no cuidado do paciente com câncer. Ao prevenir infecções, conseguimos reduzir intercorrências que muitas vezes levam à suspensão do tratamento”, afirma a infectologista Adriana Coracini Tonacio de Proença, coordenadora da área no IBCC Oncologia.
Pacientes em tratamento oncológico
apresentam maior risco de desenvolver infecções por agentes como pneumococo,
influenza, covid-19 e meningococo. Além de mais frequentes, essas infecções
tendem a evoluir de forma mais grave, com maior necessidade de internação.
Quais vacinas são recomendadas e quando devem ser aplicadas
As principais vacinas indicadas para pacientes oncológicos são as inativadas ou de subunidade proteica, por não conterem vírus vivos. “O ideal é que essas vacinas sejam aplicadas pelo menos 14 dias antes do início da quimioterapia ou de qualquer terapia imunossupressora. Esse intervalo permite que o organismo tenha tempo de desenvolver uma resposta imunológica mais adequada”, orienta a infectologista.
Ainda assim, a vacinação não deve ser interrompida caso o tratamento já tenha começado. “Mesmo durante alguns tratamentos, como a quimioterapia, vacinas como influenza e covid-19 continuam sendo recomendadas. A resposta pode não ser tão robusta, mas ainda assim há benefício clínico”, completa.
Entre as principais vacinas
disponíveis no SUS para esse público estão pneumocócicas (13 e 23-valente),
meningocócica ACWY, hepatites A e B, dTpa, influenza, covid-19, HPV (até 45
anos) e Haemophilus influenzae tipo B, além das vacinas do calendário básico.
Atenção: algumas vacinas requerem avaliação médica antes da administração
As vacinas de vírus vivos atenuados exigem avaliação individualizada e, na maioria dos casos, não são indicadas durante o tratamento oncológico. “Vacinas como tríplice viral, varicela, febre amarela e dengue, de forma geral, são contraindicadas durante a quimioterapia”, destaca a infectologista do IBCC Oncologia.
Para pacientes com tumores sólidos, como câncer de mama, pulmão, próstata ou intestino, pode haver exceções. “Em alguns casos específicos, essas vacinas podem ser consideradas, desde que aplicadas pelo menos quatro semanas antes do início do tratamento”, explica.
Outro ponto importante envolve
terapias imunológicas específicas. De acordo com a infectologista, pacientes
que utilizam anticorpos monoclonais, como o Rituximabe, apresentam uma resposta
vacinal muito reduzida. “Nesses casos, recomendamos aguardar cerca de seis
meses após a última dose para buscar uma resposta mais efetiva à vacina e com
segurança”, acrescenta.
É possível se vacinar durante o tratamento
Durante a quimioterapia e alguns tipos de radioterapia, vacinas inativadas podem ser administradas durante o tratamento, mas a eficácia da vacina pode ser menor. Ainda assim, a recomendação é manter a vacinação.
Já em pacientes em imunoterapia, a
orientação é clara: “Durante a imunoterapia, encorajamos a manutenção da rotina
vacinal normalmente. Os benefícios da prevenção de infecções superam os riscos
potenciais”, diz a médica.
O papel fundamental de familiares e cuidadores
A proteção do paciente oncológico vai além dele. Familiares e cuidadores têm um papel importante nesse processo. “A vacinação dos contatos próximos é pilar de proteção. Quando familiares estão com o calendário vacinal em dia, conseguimos reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente do paciente”, explica a especialista.
Muitas vezes o paciente não pode
receber determinadas vacinas, como as de vírus vivos. Por isso, é fundamental
que as pessoas ao redor estejam imunizadas, criando um verdadeiro “escudo de
proteção”.
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