Levantamento da VR aponta que
afastamentos acima de 30 dias representam 11% das ocorrências, mas concentram
58% do total de dias ausentes no primeiro quadrimestre de 2026
Um
levantamento da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores,
mostra que, no primeiro quadrimestre de 2026, foram registrados 2.247 episódios
de afastamento por questões de saúde mental entre suas mais de 75 mil
empresas-clientes que utilizam os serviços de RH digital da companhia. Os dados
foram coletados a partir do envio de atestados médicos dos trabalhadores que
fazem a marcação de ponto e precisaram justificar as ausências. Os casos
representaram 32.957 dias de ausência entre janeiro e abril, alta de 832% na
comparação com os 3.534 dias contabilizados no mesmo período de 2025.
Ansiedade liderou como principal motivo dos
afastamentos no quadrimestre, respondendo por 51% dos casos, seguida pela
depressão, com 23%. Apesar de aparecer em menor proporção entre os
diagnósticos, a depressão é o transtorno que mais prolonga o tempo fora do
trabalho: enquanto a ansiedade representa 28% dos dias de ausência, somando
74.296 horas, a depressão concentra 36% dos dias afastados, o equivalente a
95.976 horas.
Ainda em relação aos motivos de afastamento, os
quadros mistos, que combinam ansiedade e depressão, aparecem em terceiro lugar,
com 18% dos casos. Na sequência, vêm os afastamentos por fadiga, estresse e
burnout, que somam 8%.
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Millennials lideram afastamentos e São Paulo
concentra os casos
No recorte por gerações, millennials (1981 e 1996)
foram os que mais se afastaram no quadrimestre, com 35% dos casos. A geração X
(1965 e 1980) aparece em seguida, com 20%, enquanto a geração Z (1997 e 2012)
responde por 12%. Regionalmente, São Paulo segue na liderança e concentra 39%
dos afastamentos, seguido pelo Paraná, com 11,4%, e Minas Gerais, com 10%.
Quem
cuida de quem cuida?
O levantamento também chama atenção para o impacto
nas áreas de RH. O setor responde por 9% das ocorrências registradas no
quadrimestre, mas concentra 12,9% dos dias afastados, sinalizando casos mais
longos e maior impacto operacional proporcionalmente.
NR-1
pressiona empresas a adotarem gestão ativa da saúde mental
Segundo o executivo da VR, com a atualização da Norma
Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas estão deixando modelos reativos para
adotar gestões mais ativas e baseadas em riscos ocupacionais. “A NR-1 é o ponto
de partida, e cabe às lideranças das empresas criar práticas que tragam a saúde
mental para o centro do ambiente de trabalho. Para isso, os dados se configuram
como informação para tomada de decisão pelos gestores, dando a chance de
construir planos mais assertivos. Nesse contexto, controle de jornada e
marcação de ponto são fundamentais para identificar excessos, sobrecarga e
riscos psicossociais, especialmente em um contexto de intensificação das
demandas e transformação das relações de trabalho”, observa Willian Gil.
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