sexta-feira, 29 de maio de 2026

Depressão lidera em duração dos afastamentos por saúde mental no trabalho

Levantamento da VR aponta que afastamentos acima de 30 dias representam 11% das ocorrências, mas concentram 58% do total de dias ausentes no primeiro quadrimestre de 2026
 

Um levantamento da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, mostra que, no primeiro quadrimestre de 2026, foram registrados 2.247 episódios de afastamento por questões de saúde mental entre suas mais de 75 mil empresas-clientes que utilizam os serviços de RH digital da companhia. Os dados foram coletados a partir do envio de atestados médicos dos trabalhadores que fazem a marcação de ponto e precisaram justificar as ausências. Os casos representaram 32.957 dias de ausência entre janeiro e abril, alta de 832% na comparação com os 3.534 dias contabilizados no mesmo período de 2025.

Ansiedade liderou como principal motivo dos afastamentos no quadrimestre, respondendo por 51% dos casos, seguida pela depressão, com 23%. Apesar de aparecer em menor proporção entre os diagnósticos, a depressão é o transtorno que mais prolonga o tempo fora do trabalho: enquanto a ansiedade representa 28% dos dias de ausência, somando 74.296 horas, a depressão concentra 36% dos dias afastados, o equivalente a 95.976 horas.

Ainda em relação aos motivos de afastamento, os quadros mistos, que combinam ansiedade e depressão, aparecem em terceiro lugar, com 18% dos casos. Na sequência, vêm os afastamentos por fadiga, estresse e burnout, que somam 8%.
 

Grupo

% casos

% dias afastados

Ansiedade

51%

28%

Depressão

23%

36%

Mistos

18%

23%

Relacionados ao trabalho

8%

12%


Millennials lideram afastamentos e São Paulo concentra os casos

No recorte por gerações, millennials (1981 e 1996) foram os que mais se afastaram no quadrimestre, com 35% dos casos. A geração X (1965 e 1980) aparece em seguida, com 20%, enquanto a geração Z (1997 e 2012) responde por 12%. Regionalmente, São Paulo segue na liderança e concentra 39% dos afastamentos, seguido pelo Paraná, com 11,4%, e Minas Gerais, com 10%.
 

Quem cuida de quem cuida?

O levantamento também chama atenção para o impacto nas áreas de RH. O setor responde por 9% das ocorrências registradas no quadrimestre, mas concentra 12,9% dos dias afastados, sinalizando casos mais longos e maior impacto operacional proporcionalmente.
 

NR-1 pressiona empresas a adotarem gestão ativa da saúde mental

Segundo o executivo da VR, com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas estão deixando modelos reativos para adotar gestões mais ativas e baseadas em riscos ocupacionais. “A NR-1 é o ponto de partida, e cabe às lideranças das empresas criar práticas que tragam a saúde mental para o centro do ambiente de trabalho. Para isso, os dados se configuram como informação para tomada de decisão pelos gestores, dando a chance de construir planos mais assertivos. Nesse contexto, controle de jornada e marcação de ponto são fundamentais para identificar excessos, sobrecarga e riscos psicossociais, especialmente em um contexto de intensificação das demandas e transformação das relações de trabalho”, observa Willian Gil.
 


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