quarta-feira, 4 de março de 2026

Tempo de socorro eleva chance de sobreviver a um infarto para até 90%

 

Quanto mais rápido o atendimento, menor é o dano cardíaco e melhor é a qualidade de vida do paciente pós-infarto.

 

A rapidez do atendimento é o principal fator que influencia os desfechos de óbito em infartos. O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de morte no país, condição que acometeu o ator Herson Capri e levou ao adiamento da estreia do espetáculo teatral "Eu Sou Minha Própria Mulher", no Rio de Janeiro. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), com base nos dados mais recentes do levantamento Estatística Cardiovascular 2023, o socorro em até 2 horas pode elevar a chance de sobrevivência para algo entre 80% e 90%. 

Pelo atendimento ágil, o ator já retornou ao trabalho para a estreia nesta quinta-feira (5). Isso porque, “se o atendimento for rápido, os danos ao funcionamento do coração podem ser mínimos e o impacto na vida da pessoa será quase inexistente”, diz o cardiologista Dr. Luiz Antônio Machado César, membro da SBC.

 

Como o coração se recupera de um infarto? Por que o tempo importa?

Infarto significa morte celular devido à falta de oxigênio, entregue às células pela circulação sanguínea. Quanto mais tempo durar a parada cardíaca, mais o suprimento de oxigênio é interrompido e maior é o dano ao coração. Isso significa que parte do coração pode “morrer” durante um ataque cardíaco. 

“O atendimento e a aplicação do tratamento, envolvendo a desobstrução das artérias por cateterismo, devem ser aplicados o mais rápido possível para evitar desfechos de insuficiência cardíaca”, diz o Dr. César. Isso permite a recuperação do órgão, ainda que com limitações funcionais. 

Em casos em que o dano é extenso,  a parte perdida do músculo cardíaco vira cicatriz e não volta a contrair, fazendo com que o restante do coração tenha que se readaptar. 

Essa readaptação é chamada de remodelamento, em que o coração se dilata para tentar manter a função de bombear sangue. Esse processo pode reduzir a capacidade de bombeamento, favorecendo insuficiência cardíaca, arritmias, formação de aneurismas e aumentar o risco de morte súbita. 

O maior impacto na rotina, segundo o cardiologista, é no que depende de esforço físico. “A pessoa pode notar mais dificuldade para fazer o que estava acostumada com relação ao esforço físico. Ficar mais ofegante para caminhar, subir escadas ou trabalhar, se a função é mais braçal, por exemplo.”

 

Três coisas que quem passou por um infarto precisa saber

Ter sofrido um infarto aumenta significativamente a chance de um novo evento cardíaco. Para reduzir essa chance, os pacientes são tratados com medicamentos que controlam a obstrução das artérias, pressão arterial e aumentam a capacidade cardíaca , embora a possibilidade de um novo infarto nunca seja eliminada. “Em um período de 20 a 30 anos, a maioria dos pacientes provavelmente terá um novo evento, que pode ou não ser fatal”, afirma o cardiologista. 

De acordo com o Dr. César, quem passa por um infarto se vê diante de um “novo episódio”.

Além do tratamento medicamentoso, que deve sempre ser acompanhado de orientação médica, o cardiologista dá três recomendações para reduzir as chances de um segundo ataque cardíaco: 

  1. Reeducação alimentar: o ideal é buscar avaliação de um nutricionista para readequar a alimentação conforme a necessidade do paciente. No geral, evitar alimentos gordurosos, carboidratos de fácil absorção (como açúcar e arroz branco) e controlar o sódio são as principais recomendações, assim como ficar atento aos níveis de colesterol e de glicemia.
  2. Atividade física: a segunda orientação é aumentar a quantidade de exercícios. Segundo o médico, de 20 a 30 minutos diários fazem a diferença para diminuir o risco de um segundo infarto, assim como de outras doenças cardiovasculares, como hipertensão e AVC.
  3. Atenção aos sintomas: dor no peito, abdômen, braços e costas; dor sentida ao realizar esforço físico; e despertar durante a noite com uma dor incomum que desaparece rapidamente, “são avisos para buscar atendimento”, informa o médico. 

Fora as mudanças nos hábitos, o Dr. César reforça que as consultas periódicas ao médico são essenciais para acompanhar a saúde do coração após infarto. “A maioria das pessoas só descobre que tem doença coronária depois de um infarto pela falta de hábito de ir ao médico. Manter as visitas ao consultório é essencial para evitar eventos cardíacos graves.”

 

Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC

 

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