quarta-feira, 4 de março de 2026

Março Amarelo: Endometriose pode afetar a fertilidade. A alimentação faz diferença?

Especialistas explicam como a doença inflamatória impacta a capacidade reprodutiva e por que ajustes na dieta podem ser aliados importantes para mulheres que desejam engravidar

 

O Março Amarelo chama a atenção para a endometriose, doença ginecológica crônica, inflamatória que pode comprometer diretamente a fertilidade feminina. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 8 milhões de mulheres convivem com a condição no Brasil. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) aponta que entre 30% e 50% das mulheres diagnosticadas podem apresentar infertilidade.

De acordo com a Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em Reprodução Humana da La Vita Clinic, a endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio se implantam fora do útero, podendo atingir ovários, tubas, intestino e bexiga. “Esses focos respondem aos hormônios ovarianos e geram inflamação recorrente. Com o tempo, podem provocar aderências e alterações anatômicas que comprometem o funcionamento das tubas, a qualidade dos óvulos e a receptividade do endométrio, dificultando a implantação embrionária”, explica.

A classificação mais utilizada divide a endometriose em quatro estágios. No entanto, segundo a especialista, a gravidade nem sempre corresponde ao impacto reprodutivo.

“Mulheres com doença leve podem enfrentar infertilidade, enquanto outras com doença avançada engravidam espontaneamente. Hoje utilizamos também o Índice de Fertilidade na Endometriose, que considera idade e histórico reprodutivo para estimar melhor as chances de gestação.”

Cólicas menstruais intensas, dor pélvica fora do período menstrual, dor durante a relação sexual, alterações intestinais no período menstrual e dificuldade para engravidar são sinais de alerta. “O diagnóstico precoce é fundamental para preservar qualidade de vida e fertilidade”, reforça Dra. Graziela.


Alimentação como aliada no tratamento

Por ser uma doença inflamatória e estrogênio-dependente, a endometriose exige atenção especial ao padrão alimentar, principalmente quando há desejo de engravidar.

Segundo Amanda Figueiredo, nutricionista clínica pela USP e especialista em saúde da mulher e reprodução humana, a nutrição pode atuar como ferramenta estratégica. “O excesso de inflamação prejudica a qualidade dos óvulos e altera o ambiente uterino. A alimentação adequada ajuda a modular processos inflamatórios, melhorar a metabolização do estrogênio e proteger a qualidade ovulatória”, afirma.

Ela destaca que o padrão alimentar interfere diretamente em três pilares: redução da inflamação sistêmica, equilíbrio hormonal e preparo do endométrio.

Entre os alimentos recomendados estão:

-Peixes ricos em ômega-3

-Azeite de oliva extravirgem

-Vegetais crucíferos, como brócolis e couve

-Frutas vermelhas

-Sementes, oleaginosas e alimentos ricos em fibras

“Quando planejada de forma individualizada, a nutrição pode contribuir para melhorar a ovulação e aumentar as chances de gestação, seja natural ou assistida”, completa Amanda.

As especialistas reforçam que não existe uma dieta única para todas as mulheres com endometriose. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para reduzir complicações e ampliar as possibilidades reprodutivas.

 

Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic.


Amanda Figueiredo Nutricionista - Nutricionista clínica formada pela USP, pós-graduada em Saúde da Mulher e Reprodução Humana pela PUC e também especialista em emagrecimento e nutrição estética. Atende presencialmente em São Paulo e online para o mundo todo.Tem como foco o acompanhamento nutricional de mulheres em todas as fases da vida
nutriamandafig
https://www.amandafigueiredo.com.br/


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