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| Getty Images | CO ASSESSORIA |
Com alto volume de procedimentos, especialista em pós-bariátrica analisa a segunda etapa da transformação corporal
No dia 4 de março, quando o mundo discute
obesidade como uma das principais questões de saúde pública global, um dado
chama atenção: o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de cirurgias
bariátricas, atrás apenas dos Estados Unidos. O volume de procedimentos
realizados anualmente coloca o país no centro de um debate que vai além da
balança e dos índices metabólicos.
A cirurgia bariátrica é
reconhecida como tratamento eficaz para obesidade grave e doenças associadas,
como diabetes tipo 2 e hipertensão. Trata-se de uma intervenção metabólica que
modifica mecanismos hormonais e
padrões de absorção, promovendo perda de peso significativa. Mas a
transformação corporal não se encerra com a redução de gordura.
É nesse ponto que surge uma etapa
menos discutida. Após perdas expressivas de peso, especialmente quando rápidas,
o corpo pode enfrentar alterações estruturais importantes, principalmente na
pele. A cirurgiã plástica Dra. Thamy Motoki, especialista em cirurgias de
contorno corporal, que atua na Revion International Clinic, especializada em
atendimento de pacientes nacionais e estrangeiros, explica que a flacidez não
representa falha do tratamento, mas
consequência biológica previsível.
“A cirurgia resolve o componente
metabólico da obesidade, mas a pele tem um limite de retração. Quando há grande
distensão ao longo do tempo, o tecido nem sempre acompanha a nova composição
corporal”, afirma. Segundo a médica, o perfil dos pacientes que buscam cirurgia
plástica após a bariátrica revela uma
preocupação que ultrapassa a
estética. “Não é apenas sobre aparência. Muitos relatam desconforto físico,
dificuldade para praticar exercícios, irritações cutâneas e impacto na
autoestima. A cirurgia reparadora faz parte de uma reconstrução corporal e
funcional”, explica.
A elasticidade da pele depende da
integridade das fibras de colágeno e elastina, que se estiram durante períodos
prolongados de ganho de peso. Quando a perda é acentuada, principalmente após
cirurgia, pode haver excesso de tecido e perda de sustentação. Esse fenômeno
não diminui o sucesso metabólico do procedimento, mas exige compreensão
realista das etapas seguintes.
No contexto do Dia Mundial da
Obesidade, o ranking brasileiro reforça a dimensão do desafio. A bariátrica representa um avanço
importante na saúde pública, mas evidencia que o processo de transformação
corporal é multifatorial. Emagrecer trata o metabolismo. Reconstruir contorno e
firmeza envolve outra lógica. Entender essa diferença é fundamental para
alinhar expectativa, saúde e qualidade de vida.

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