quarta-feira, 4 de março de 2026

Adequação à nova NR-1 entra em fase decisiva e fevereiro vira janela crítica para empresas se anteciparem

Empresas enfrentam prazo cada vez mais curto para se adequar às novas exigências da NR-1 

 

Com menos de cinco meses para a consolidação prática da atualização da Norma Regulamentadora nº 1, empresas que ainda não iniciaram a adequação ao novo modelo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais passam a lidar com um cronograma cada vez mais restrito. 

A mudança promovida pela Portaria nº 1.419/2024, do Ministério do Trabalho e Emprego, incluiu oficialmente os riscos psicossociais no GRO, exigindo diagnóstico, plano de ação e evidências documentais.

Jéssica Palin Martins, psicóloga e advogada especializada em saúde emocional corporativa e sócia da Palin e Martins, consultoria com atuação nacional em gestão tributária e estratégia empresarial, avalia que o impacto da atualização vai além do campo regulatório e atinge diretamente a produtividade das organizações. “Quando o risco psicossocial não é tratado de forma estruturada, ele aparece na queda de desempenho e no aumento de afastamentos”, afirma.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que transtornos ligados ao estresse, ansiedade e depressão geram perdas estimadas em US$ 1 trilhão por ano à economia global, sobretudo por absenteísmo, afastamentos e queda de desempenho. A partir da nova NR-1, esse cenário passa a dialogar diretamente com o campo da conformidade trabalhista.

Embora janeiro seja tradicionalmente o ponto de partida do planejamento corporativo, fevereiro se consolida como a última janela estratégica para estruturar o processo com método e profundidade. Para a especialista, empresas que postergam o diagnóstico tendem a tratar o tema de forma reativa. “Quando a adequação começa tarde, o risco psicossocial vira um item burocrático, e não uma frente real de prevenção”, afirma.

Na prática, a atualização da NR-1 altera a lógica tradicional de compliance. O GRO deixa de olhar apenas para agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos e passa a exigir que fatores como sobrecarga de trabalho, conflitos de liderança, assédio e clima organizacional sejam identificados, avaliados e monitorados de forma contínua.

Estudos da Organização Internacional do Trabalho indicam que ambientes com níveis elevados de estresse apresentam índices significativamente maiores de absenteísmo e afastamentos prolongados. Para as empresas, isso se traduz em impacto direto no custo operacional, na rotatividade de equipes e no risco jurídico associado à omissão preventiva.

Segundo Jéssica, fevereiro marca a transição entre intenção e execução. “O risco psicossocial não se resolve com ação pontual ou palestra isolada. A norma exige evidência técnica, histórico de acompanhamento e coerência entre diagnóstico e plano de ação”, explica.

Plataformas estruturadas passam a ocupar papel central no processo de adequação. A IntegraMente atua como ferramenta de diagnóstico inicial e mapeamento de riscos psicossociais, reunindo testes psicológicos validados, relatórios técnicos e planos de ação que servem como base documental para o GRO.

“O diagnóstico não é o fim do processo, é o começo. Sem dados, a empresa decide no escuro e assume riscos que poderiam ser evitados”, diz a especialista. De acordo com ela, o uso de evidências técnicas reduz improvisações e fortalece a posição da empresa em eventuais questionamentos trabalhistas.

Além da mitigação de riscos jurídicos, a antecipação traz ganhos operacionais. Levantamento da Gallup aponta que equipes emocionalmente engajadas são, em média, 21% mais produtivas e apresentam menor propensão à rotatividade. “Quando a empresa entende o funcionamento emocional das equipes, ela cumpre a norma e melhora a tomada de decisão”, declara.

Para organizações que ainda não iniciaram o processo, a escolha de parceiros especializados é apontada como uma etapa sensível. “Contratar quem não domina saúde emocional e exigência normativa ao mesmo tempo pode gerar laudos frágeis, que não se sustentam numa fiscalização”, alerta.


A especialista aponta cinco cuidados estratégicos para adequação à NR-1 com foco em riscos psicossociais

Antes de avançar, especialistas recomendam atenção a pontos que ajudam a transformar a exigência legal em prevenção efetiva, e não em passivo oculto. 

  • Iniciar pelo diagnóstico estruturado
    Mapear riscos psicossociais com instrumentos validados permite identificar vulnerabilidades reais e priorizar ações. Sem diagnóstico, o GRO perde consistência técnica.
  • Tratar saúde emocional como processo contínuo
    A norma não se sustenta com ações isoladas. É preciso acompanhamento, reavaliação e atualização periódica para demonstrar gestão efetiva do risco.
  • Integrar lideranças ao plano de ação
    Riscos psicossociais estão diretamente ligados ao estilo de gestão. Capacitar líderes reduz conflitos, afastamentos e exposição jurídica.
  • Exigir evidência documental e rastreabilidade
    Relatórios, planos e devolutivas precisam ser organizados e auditáveis. A ausência de histórico fragiliza a defesa da empresa.
  • Escolher parceiros com visão técnica e regulatória
    Plataformas e consultorias devem dominar saúde mental e legislação trabalhista. Essa combinação garante aderência real à NR-1.
     

A poucos meses da vigência plena da exigência, a adequação à nova NR-1 deixa de ser apenas um tema de recursos humanos e passa a integrar a agenda estratégica das empresas. “Antecipar é proteger pessoas, operação e reputação ao mesmo tempo”, conclui.

 

 

 

Jéssica Palin Martins - advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, FAMERP. Fundadora da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados com planos de ação estratégicos para lideranças e RHs. Sua atuação tem como foco no gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Seu trabalho ganhou relevância especialmente após a publicação da Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. A norma, já aprovada e aguardando regulamentação, estabelece critérios claros para a promoção da saúde emocional no trabalho. Paralelamente, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 27 de agosto de 2024 (DOU de 28 28/08/2024 - Seção 1), que aprova a nova redação do capítulo “1.5 Gerenciamento de Riscos Ocupacionais” e altera o “Anexo I – Termos e definições” da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que incluiu oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais, reforçando a necessidade de estratégias corporativas de prevenção.
Instagram @jessicapalinmartins e Linkedin

 

Palin & Martins
palinemartins.com.br




Fontes de pesquisa

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-1.419-de-27-de-agosto-de-2024-

Organização Mundial da Saúde (OMS)
https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MSD-MER-17.5

Organização Internacional do Trabalho (OIT / ILO)
https://www.ilo.org/global/topics/safety-and-health-at-work/resources-library/publications/WCMS_737654/lang--en/index.htm

Gallup – State of the Global Workplace
https://www.gallup.com/workplace/349484/state-of-the-global-workplace.aspx


Nenhum comentário:

Postar um comentário