quarta-feira, 4 de março de 2026

Depois dos 40, a visão muda para todos: o que é a presbiopia e como a oftalmologia moderna tem reduzido a dependência dos óculos

Especialista explica por que a chamada “vista cansada” é inevitável com o envelhecimento, alerta para sinais que merecem avaliação médica e detalha tecnologias que prometem maior independência visual
 

A partir dos 40 anos, uma queixa passa a se repetir nos consultórios oftalmológicos: dificuldade para ler de perto, necessidade de afastar o celular e a sensação de que “o braço ficou curto”. O fenômeno tem nome, presbiopia, ou “vista cansada”, e faz parte do envelhecimento natural dos olhos.

De acordo com estimativas internacionais publicadas no British Journal of Ophthalmology, mais de 1,8 bilhão de pessoas no mundo convivem com presbiopia, número que tende a crescer com o envelhecimento da população. No Brasil, o cenário acompanha essa tendência, já que praticamente todas as pessoas desenvolvem a condição a partir da quarta década de vida.

Segundo Dr. Hallim Féres Neto Oftalmologista, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Prisma Visão, a mudança é fisiológica. “A partir dos 40 anos, o cristalino, que é a lente natural dentro do nosso olho, começa a perder elasticidade. Esse processo chama-se presbiopia e é absolutamente natural. Quando somos jovens, o cristalino muda de forma com facilidade para focar de perto. Com o envelhecimento, ele se torna mais rígido e perde essa capacidade de acomodação”, explica.

Ele reforça que não se trata de doença. “Não é uma patologia, é uma consequência natural da idade. E acontece com todos, independentemente de terem miopia, hipermetropia ou nunca terem usado óculos.”
 

Telas aceleram o problema?

A presbiopia é inevitável, mas o desconforto pode ser intensificado por hábitos modernos. “O uso excessivo de telas, baixa iluminação, olho seco e poucas pausas visuais aumentam a fadiga ocular. Isso não causa presbiopia, mas pode fazer a pessoa perceber o problema antes ou com mais desconforto”, afirma o especialista.

Outro ponto que costuma gerar dúvida é a sensação de “dependência” após iniciar o uso de óculos de leitura. “Muitas vezes o paciente relata que parece precisar cada vez mais dos óculos. Na verdade, ao passar a usá-los, a musculatura dos olhos deixa de se esforçar tanto. Não é que o grau esteja piorando rapidamente, mas o olho se adapta ao conforto.”

Após os 40 anos, a consulta oftalmológica deixa de ser apenas corretiva e passa a ter papel preventivo. Além da presbiopia, começam a surgir alterações como catarata inicial, aumento da pressão ocular e doenças de retina.

Dr. Hallim destaca alguns sinais que merecem avaliação médica: dificuldade progressiva para leitura mesmo com boa iluminação, dor de cabeça frequente, necessidade constante de trocar o grau, visão embaçada também para longe, dificuldade para dirigir à noite.

“Essa é a fase da vida em que o acompanhamento regular se torna essencial para diagnosticar precocemente alterações que podem comprometer a qualidade visual”, orienta.
 

Óculos não são a única opção

Se no passado a única alternativa era aceitar os óculos de leitura, hoje a oftalmologia oferece abordagens mais personalizadas para quem busca maior independência visual.

Entre as técnicas que mais evoluíram está a cirurgia refrativa a laser com tecnologia para presbiopia, como o método Presbyond.

“Utilizamos o laser não apenas para corrigir o grau, mas para remodelar a córnea de forma personalizada, ampliando a profundidade de foco e equilibrando visão de longe, perto e intermediária. É indicada para pacientes a partir dos 40 anos que ainda não apresentam sinais iniciais de catarata”, explica o médico.

Outra possibilidade é a troca do cristalino, procedimento semelhante à cirurgia de catarata, com implante de lentes intraoculares de alta tecnologia. “Substituímos o cristalino por uma lente que permite visão para longe, intermediária e perto. É um procedimento definitivo: o cristalino não envelhece mais e o paciente não desenvolverá catarata no futuro. É especialmente indicado para quem já apresenta início de catarata”, afirma.

Segundo o especialista, o principal avanço dos últimos anos está na precisão dos diagnósticos e na personalização das indicações. “Hoje conseguimos indicar o procedimento certo para o perfil certo. Nem todos são candidatos ideais ao laser e nem todos devem trocar o cristalino precocemente. Mas, quando bem indicadas, essas técnicas permitem um nível de independência visual que há 15 ou 20 anos simplesmente não existia.”
 

Dr. Hallim Féres Neto - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologista Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Instagram: drhallim
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