quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

42% dos brasileiros preferem inocente preso a criminosos impunes

 


Em parceria com a Ágora Consultores, Instituto Conhecimento Liberta realiza levantamento com um panorama minucioso para entender o pensamento político dos brasileiros
 

O Instituto Conhecimento Liberta (ICL) acaba de lançar uma pesquisa nacional inédita sobre o pensamento do brasileiro contemporâneo, com o objetivo de oferecer subsídios analíticos para a leitura do país no contexto do próximo ciclo eleitoral. 

O levantamento mapeou tendências de comportamento em eixos como ordem versus proteção social, liberalismo econômico versus presença do Estado e progressismo urbano versus conservadorismo popular. Ao explorar os limites da punição, a pesquisa identificou que uma parcela significativa da população estaria disposta a punir até mesmo um inocente para garantir a condenação de criminosos. No entanto, quando a punição considerada é a pena de morte, esse apoio se inverte: a maioria dos brasileiros (51%) afirma que não executaria ninguém para evitar o risco de um erro irreversível. 

Realizada em parceria com a Ágora Consultores, a pesquisa ouviu cerca de 10 mil pessoas a partir de 16 anos, em todas as regiões do Brasil, por meio de painel online. A metodologia identifica seis grandes clusters de pensamento, revelando uma sociedade mais fragmentada do que simplesmente polarizada. 

A sondagem aponta um endurecimento relevante na percepção social sobre justiça: 42% dos entrevistados afirmam preferir punir todos os possíveis envolvidos em um crime, mesmo sabendo que um deles é inocente, a correr o risco de deixar os culpados impunes. 



Empreendedorismo vs. estabilidade e bom salário 

No campo econômico e do trabalho, a pesquisa descreve um país que sonha empreender, mas que ainda valoriza fortemente a segurança laboral. Segundo o estudo, 43% dos brasileiros afirmam ter o desejo de empreender, ao passo que 31% priorizam a estabilidade e 11% a garantia de um bom salário, evidenciando uma convivência entre aspiração por autonomia e busca por previsibilidade. Ao mesmo tempo, apenas 6% sonham em ter um trabalho que os realizem, mesmo que pague mal.
 

Outro dado relevante diz respeito à percepção sobre políticas públicas. A maioria dos brasileiros avalia que a direita apresenta propostas melhores para áreas como saúde e educação, temas historicamente associados à esquerda no debate político nacional, sinalizando uma reorganização das referências simbólicas e das expectativas da população. 

Para Eduardo Moreira, fundador do ICL, a “atualização constante de dados é essencial para compreender o país real, para além de impressões ou disputas retóricas”. Já o sociólogo Jessé Souza, reitor do Instituto Conhecimento Liberta, avalia que “os resultados evidenciam como a derrocada da esquerda tradicional se expressa em segmentos populares que hoje se mostram distantes de suas formulações históricas”. 

Ao longo deste e do próximo mês, análises aprofundadas de grandes intelectuais sobre os resultados da pesquisa serão publicadas na Revista Liberta, ligada ao instituto.


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