Em parceria com a Ágora Consultores, Instituto
Conhecimento Liberta realiza levantamento com um panorama minucioso para
entender o pensamento político dos brasileiros
O
Instituto Conhecimento Liberta (ICL) acaba de lançar uma pesquisa nacional
inédita sobre o pensamento do brasileiro contemporâneo, com o objetivo de
oferecer subsídios analíticos para a leitura do país no contexto do próximo
ciclo eleitoral.
O
levantamento mapeou tendências de comportamento em eixos como ordem versus proteção
social, liberalismo econômico versus presença do Estado e progressismo
urbano versus conservadorismo popular. Ao explorar os limites da
punição, a pesquisa identificou que uma parcela significativa da população
estaria disposta a punir até mesmo um inocente para garantir a condenação de
criminosos. No entanto, quando a punição considerada é a pena de morte, esse
apoio se inverte: a maioria dos brasileiros (51%) afirma que não executaria
ninguém para evitar o risco de um erro irreversível.
Realizada
em parceria com a Ágora Consultores, a pesquisa ouviu cerca de 10 mil pessoas a
partir de 16 anos, em todas as regiões do Brasil, por meio de painel online. A
metodologia identifica seis grandes clusters de pensamento, revelando uma
sociedade mais fragmentada do que simplesmente polarizada.
A
sondagem aponta um endurecimento relevante na percepção social sobre justiça:
42% dos entrevistados afirmam preferir punir todos os possíveis envolvidos em
um crime, mesmo sabendo que um deles é inocente, a correr o risco de deixar os
culpados impunes.
Empreendedorismo vs. estabilidade e bom
salário
No
campo econômico e do trabalho, a pesquisa descreve um país que sonha
empreender, mas que ainda valoriza fortemente a segurança laboral. Segundo o
estudo, 43% dos brasileiros afirmam ter o desejo de empreender, ao passo que
31% priorizam a estabilidade e 11% a garantia de um bom salário, evidenciando
uma convivência entre aspiração por autonomia e busca por previsibilidade. Ao
mesmo tempo, apenas 6% sonham em ter um trabalho que os realizem, mesmo que
pague mal.
Outro dado relevante diz respeito à percepção sobre políticas públicas. A
maioria dos brasileiros avalia que a direita apresenta propostas melhores para áreas como saúde e educação, temas
historicamente associados à esquerda no debate político nacional, sinalizando
uma reorganização das referências simbólicas e das expectativas da população.
Para
Eduardo Moreira, fundador do ICL, a “atualização constante de dados é essencial
para compreender o país real, para além de impressões ou disputas retóricas”.
Já o sociólogo Jessé Souza, reitor do Instituto Conhecimento Liberta, avalia
que “os resultados evidenciam como a derrocada da esquerda tradicional se
expressa em segmentos populares que hoje se mostram distantes de suas
formulações históricas”.
Ao longo deste e do próximo
mês, análises aprofundadas de grandes intelectuais sobre os resultados da
pesquisa serão publicadas na Revista Liberta, ligada ao
instituto.


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