Nunca
se falou tanto em comunicação no ambiente corporativo e, ainda assim, ela segue
falhando entre os executivos. O resultado aparece em líderes sobrecarregados,
equipes desalinhadas e profissionais emocionalmente exaustos. Não por acaso, em
2026, comunicar bem deixa de ser discurso e passa a ser uma escolha estratégica
para quem quer preservar saúde mental, sustentar a liderança e destravar
resultados.
Para Juliana Algodoal, fonoaudióloga e especialista em comunicação
corporativa e linguagem no trabalho, a forma como nos comunicamos no trabalho
não é apenas um ‘skill’. Ela tem consequências diretas na experiência das
pessoas e na capacidade de ajudar uma carreira prosperar. “A comunicação no
trabalho vai muito além de ser claro ou ter boa oratória. Ela determina como
são interpretadas mensagens difíceis ou tensas, como a equipe percebe apoio ou
rejeição, se conflitos são resolvidos ou agravados e até mesmo se as expectativas
são compreendidas ou geram frustrações. Quando a comunicação falha nesses
pontos, o impacto se reflete em sentimentos como: insegurança, ansiedade e
exaustão emocional”, exemplifica.
O que Juliana observa na prática também aparece nas tendências globais.
Segundo o relatório Mastering Communication in 2026, publicado pela Inc. Magazine, uma das publicações de
negócios mais respeitadas dos Estados Unidos, empresas que negligenciam a
comunicação sofrem impactos diretos em performance, rotatividade, conflitos
internos, perda de produtividade e desgaste emocional. Não à toa ela sugere
incluir melhorar a comunicação como meta para 2026. “Todo começo de ano a gente
fala de produtividade, saúde e carreira. Mas quase ninguém inclui a comunicação
e ela é justamente o eixo que conecta todas essas metas”, afirma.
Segundo a fonoaudióloga, é preciso coragem para se comunicar bem,
coragem para ouvir, ajustar o próprio tom, acolher feedback e observar o
impacto das palavras na saúde mental das equipes. “Talvez por isso seja tão
difícil ter isso como meta, mas é essencial incluir o desenvolvimento da
comunicação no planejamento anual, uma vez que a comunicação falha é a raiz dos
principais problemas corporativos. Treinamentos pontuais não criam mudança, é
necessário um processo contínuo de prática e consciência”, reforça.
Ainda de acordo com Juliana, muitos profissionais sofrem emocionalmente
por não entenderem como são percebidos e isso também pode ser uma falha na
comunicação. “As pessoas acreditam que falar é simples porque sempre falaram.
Mas a forma como falamos tem impacto direto na nossa saúde mental e na das
pessoas com quem trabalhamos”, explica. E continua: “comunicação não é só
ferramenta profissional, é também autocuidado. Quando falamos com consciência e
escuta ativa, criamos ambientes mais saudáveis, produtivos e humanos. Não
existe liderança sustentável sem comunicação responsável”, ressalta.
A fonoaudióloga reforça que começo de um novo ano é um momento clássico para revisar metas pessoais e profissionais e que inserir a comunicação como uma meta de desenvolvimento significa revisar hábitos de fala e escuta, entender como as palavras e os tons influenciam, desenvolver consciência sobre como sinais verbais e não verbais afetam relações e buscar habilidades que diminuam gatilhos de estresse. “Além disso, a fonoaudiologia aplicada à comunicação, pode ajudar executivos a identificar padrões de fala que geram insegurança, melhorar a resiliência em situações tensas e tornar mais eficaz a expressão de limites e necessidades, algo essencial quando se fala de bem-estar emocional no trabalho. Portanto, essa meta não só irá melhorar a performance, como pode prevenir esgotamento emocional e dificuldades de relacionamento no trabalho ao longo do ano. E é exatamente por isso que investir em uma comunicação eficaz deve passar a ser uma prioridade também de saúde mental. Para 2026, desenvolver essa habilidade não é apenas uma vantagem competitiva, é um investimento no próprio equilíbrio emocional”, conclui.
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