sexta-feira, 30 de setembro de 2022

07 dicas da comunicação não violenta antirracista!

Muito mais do que uma técnica, a Comunicação Não Violenta ( CNV) é uma abordagem de vida, que nos convida a explorar a forma como pensamos. Isto é, se esse pensamento pode gerar mais compreensão, harmonia, diálogo ou preconceitos, ódio e desconexão.

A CNV é muito utilizada para melhorar relações interpessoais no ambiente de trabalho ou familiar, mas pouco se fala o que ela contesta em relação às violências estruturais.

É importante sabermos que esse contexto está analisando se a forma como a sociedade está organizada gera mais exclusão, violência, submissão ou está construída de uma maneira que atenda a necessidade de todas as pessoas que compõem essa sociedade.

 Será que gera mais violência? O que pode ser feito para mudar a sua forma de organização? Qual é a sua responsabilidade individual nesse processo?

“A CNV enxerga toda forma de preconceito e opressão como um sintoma de uma sociedade adoecida por formas de pensar retrógradas. Por sua vez, apenas punir as pessoas com discurso e atitudes racistas não seria o suficiente, o ideal é propor uma mudança da consciência que está sustentando o racismo, para que atitudes inclusivas possam ser implementadas”, ressalta Diana Bonar, especialista em Comunicação Não Violenta e gestão de conflitos.

Para uma das poucas facilitadoras negras de CNV no mundo, a PHD em Psicologia Roxy Manning, as pessoas que não foram tão pessoalmente impactadas por desigualdades sociais tendem a focar apenas nos aspectos de crescimento pessoal ou de transformação interna que a CNV traz. Esta é uma falha na maneira como a CNV tem sido aplicada e ensinada, não da abordagem propriamente dita.

Praticantes de CNV precisam estar cientes das iniquidades sistêmicas que continuam a persistir entre grupos, por este motivo, busque por facilitadoras experientes que abordem as questões sistêmicas e convidam o público para uma reflexão mais profunda sobre poder e privilégio.

Uma frase muito potente do próprio Marshall Rosenberg sobre o assunto:

“Se uso a Comunicação Não Violenta para libertar as pessoas de depressão, de conviverem melhor com suas famílias, mas simultaneamente não lhes ensino como rapidamente transformar os sistemas sociais no mundo, então me torno parte do problema. Essencialmente estarei as pacificando, fazendo-lhes mais felizes de viver nos sistemas como atualmente são, e assim utilizando a CNV como um narcótico."

Para a especialista Diana Bonar, que possui 10 anos de experiência em comunidades afetadas pelo crime e violência, não se pode abrir mão de construir uma realidade baseada na justiça social, onde qualquer pessoa, independente de raça, gênero, classe e orientação sexual, possa ter a sua dignidade humana preservada e a garantia de seus direitos à igualdade, segurança física e psicológica, educação, moradia, trabalho etc.  que garantam oportunidades plenas de desenvolvimento e realização.

 

Samuel Santana, jovem negro, estudante de Direito, facilitador e CNV e consultor em questões de raça, listou algumas dicas sobre o que você pode fazer para ser antirracista:


 1-QUESTIONE:

Sempre se pergunte: esse meu pensamento ou atitude racista vem de onde? Por que eu penso assim?  De onde vem essa sensação de medo ou insegurança em relação ao que não conheço bem? Quais são as consequências disso?


2- ESTUDE:

Com base nisso, ao invés de sabatinar uma pessoa negra, com todas as suas perguntas raciais, busque ler livros, artigos e assistir vídeos de especialistas negras e negros que estão empenhados em construir uma narrativa contra hegemônica sobre o racismo. Você pode começar pelo Manual Antirracista da Djamila Ribeiro.


3-PROVOQUE:

Se pergunte: Como eu, do lugar social que ocupo, posso provocar os espaços que frequento? A partir da sua identidade e experiência na sociedade provoque discussões sobre o tema.

Ex: Quando fui convidada para uma mesa de debate sobre diversidade apenas com pessoas brancas, eu questionei onde estavam as pessoas negras.


4- NÃO SE OMITA:

A sua omissão ou silêncio contribuem com a manutenção de um sistema opressor. Sempre se posicione contra atitudes racistas.  Como afirma a Filósofa e militante Ângela Davis "Numa sociedade racista não basta não ser racista. É necessário ser antirracista".


5-DIALOGUE:

Aplique   a comunicação não violenta para questionar as narrativas, formas de pensamento que alimentam preconceitos, discriminação e qualquer expressão de opressão. Você pode fazer isso em casa, na educação dos seus filhos, no trabalho, entre amigos etc.


6-SE RESPONSABILIZE:

Numa sociedade racista, todos reproduzimos a estrutura de opressão. A diferença está na consciência e no desejo de transformação que alguns buscam desenvolver.  Permanecer se sentindo culpado e chateado não mudará nada. Acolha esses sentimentos que fazem parte de um processo de desconstrução, e comece a agir com consciência social e racial.


7- USE SEUS PRIVILÉGIOS:

O racismo se estrutura na exclusão, opressão, discriminação e exploração de um grupo social em benefício de outro. Assim foi durante o período da escravidão, e assim é nos dias de hoje. Ao se perceber parte do grupo que se beneficia com a estrutura racista, use seus recursos para reverter esta estrutura. Nascer privilegiado não é uma escolha, decidir o que você fará com seus privilégios, sim.

 

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