A campanha abre espaço para olhar também para alterações menstruais, dores pélvicas, saúde sexual e menopausa. Acompanhamento individualizado ajuda a investigar sintomas e definir medidas de prevenção conforme a idade, o histórico e as necessidades de cada mulher.
O Outubro Rosa mobiliza a atenção para a prevenção e a
detecção precoce do câncer de mama, mas também oferece uma oportunidade para
retomar cuidados que acabam adiados durante o ano. Cólicas que impedem
atividades, mudanças no sangramento menstrual, dor durante as relações sexuais
e sintomas da menopausa merecem espaço na consulta. O Ministério da Saúde
considera que a saúde da mulher envolve cuidado integral em todas as fases da
vida, incluindo saúde ginecológica, sexual, reprodutiva e atenção ao
climatério.
Para o ginecologista Michael Zarnowski, especialista em
endometriose, a mobilização de outubro pode ajudar a transformar uma
preocupação pontual em acompanhamento contínuo. “A campanha é uma oportunidade
para perguntar como essa mulher está vivendo: se sente dor, se o ciclo mudou,
se há desconforto nas relações ou alguma dificuldade que interfere no
cotidiano. Essas informações precisam fazer parte do cuidado”, afirma.
Entre os sinais que merecem investigação estão cólicas
intensas, dor pélvica persistente e dor durante a relação sexual. Esses
sintomas podem estar associados à endometriose, embora também ocorram em outras
condições. A avaliação considera a história dos sintomas e seu impacto na
qualidade de vida, sem depender exclusivamente de um exame de imagem. “Quando a
paciente falta ao trabalho, deixa de estudar ou organiza a rotina em função da
dor, precisamos ouvir essa queixa com atenção. Ter convivido com o sintoma por
muito tempo não faz dele algo que deva ser aceito como normal”, explica.
Alterações no padrão menstrual também precisam ser
relatadas. Sangramento mais intenso que o habitual, episódios fora do período
esperado ou sangramento após a menopausa são motivos para procurar avaliação. O
objetivo é identificar a causa e definir a conduta adequada, sem presumir um
diagnóstico apenas pela presença do sintoma.
Na transição para a menopausa, o acompanhamento deve
considerar como as mudanças afetam cada mulher. Ondas de calor, alterações no
sono e desconfortos íntimos podem interferir no bem-estar, mas as necessidades
variam. A menopausa é uma etapa natural da vida, e o cuidado deve ser
individualizado. “A consulta permite conversar sobre o que está incomodando e
avaliar as opções disponíveis. Não existe uma única conduta que sirva para
todas”, ressalta Zarnowski.
O mesmo princípio orienta as medidas de prevenção. A idade,
o histórico pessoal e familiar, os resultados anteriores e a presença de
sintomas ajudam a definir quais avaliações são necessárias e quando devem ser
realizadas. “Cuidar da saúde não significa pedir todos os exames todos os anos.
Significa indicar o que faz sentido para aquela paciente e acompanhar o que
precisa de atenção”, afirma o ginecologista.
A atenção às mamas continua sendo parte essencial desse cuidado. O Instituto Nacional de Câncer orienta que alterações suspeitas sejam avaliadas em um serviço de saúde. Para Michael, a mensagem da campanha deve permanecer depois de outubro. “A mulher não precisa esperar uma data no calendário para procurar ajuda. O acompanhamento ganha valor quando existe continuidade, espaço para dúvidas e atenção às mudanças do corpo”, conclui.
Fonte: Dr. Michael Zarnowski — ginecologista especialista em endometriose.
@drmichaelzarnowski
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