Feridas que não cicatrizam, manchas persistentes e alterações na língua estão entre os principais sinais de alerta para um dos tumores mais frequentes da região de cabeça e pescoço
O
Brasil deverá registrar cerca de 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral
entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Do total previsto, 12.260 diagnósticos devem ocorrer entre homens e 4.930 entre
mulheres, fazendo com que aproximadamente 71% dos casos afetem o público
masculino. Entre os homens, a doença está entre os tipos de câncer mais
frequentes.
Apesar dos números expressivos, o câncer de boca ainda costuma ser
diagnosticado em fases mais avançadas, o que reduz as possibilidades de
tratamento menos invasivo e aumenta os impactos na qualidade de vida dos
pacientes.
Segundo a médica especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, Dra. Silvia
Picado, uma das razões para esse cenário é que os primeiros sinais da doença
frequentemente são confundidos com problemas bucais comuns.
“Apesar de a boca ser uma região de fácil visualização, muitas lesões iniciais
são indolores e podem parecer problemas simples, como aftas, machucados por
próteses ou irritações locais. Isso faz com que muitas pessoas demorem a
procurar atendimento. Além disso, ainda falta informação sobre os sinais de
alerta e a importância do exame periódico da cavidade oral”, explica.
Entre os sintomas que merecem atenção estão feridas que não cicatrizam, manchas
brancas ou avermelhadas na boca, áreas endurecidas, sangramentos sem causa
aparente, alterações na língua, dificuldade para engolir, mudanças persistentes
na voz e o surgimento de nódulos no pescoço.
“O principal alerta é qualquer alteração na boca que persista por mais de duas
semanas. Nem toda alteração significa câncer, mas a persistência do sintoma é o
que deve motivar a investigação”, destaca a especialista.
O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento. Além de
aumentar significativamente as chances de controle e cura da doença, a
identificação precoce permite abordagens menos agressivas e menor
comprometimento da fala, da deglutição e da aparência do paciente.
A maior incidência entre os homens está diretamente relacionada à exposição a
fatores de risco historicamente mais frequentes nesse público. O tabagismo e o
consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam sendo os principais
responsáveis pelo aparecimento da doença.
Quando associados, tabagismo e álcool potencializam ainda mais o risco. “Além
disso, a infecção pelo HPV também está relacionada a alguns tumores da região
da cabeça e pescoço, especialmente da orofaringe”, afirma Silvia Picado.
Para reduzir as chances de desenvolver a doença, a especialista recomenda
evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool, manter uma boa saúde bucal,
realizar consultas odontológicas regulares e manter a vacinação contra o HPV
conforme as recomendações médicas.

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