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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Mais de 17 mil brasileiros devem descobrir câncer de boca até 2028

Feridas que não cicatrizam, manchas persistentes e alterações na língua estão entre os principais sinais de alerta para um dos tumores mais frequentes da região de cabeça e pescoço



O Brasil deverá registrar cerca de 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral entre 2026 e 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Do total previsto, 12.260 diagnósticos devem ocorrer entre homens e 4.930 entre mulheres, fazendo com que aproximadamente 71% dos casos afetem o público masculino. Entre os homens, a doença está entre os tipos de câncer mais frequentes.

Apesar dos números expressivos, o câncer de boca ainda costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas, o que reduz as possibilidades de tratamento menos invasivo e aumenta os impactos na qualidade de vida dos pacientes.

Segundo a médica especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, Dra. Silvia Picado, uma das razões para esse cenário é que os primeiros sinais da doença frequentemente são confundidos com problemas bucais comuns.

“Apesar de a boca ser uma região de fácil visualização, muitas lesões iniciais são indolores e podem parecer problemas simples, como aftas, machucados por próteses ou irritações locais. Isso faz com que muitas pessoas demorem a procurar atendimento. Além disso, ainda falta informação sobre os sinais de alerta e a importância do exame periódico da cavidade oral”, explica.

Entre os sintomas que merecem atenção estão feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas na boca, áreas endurecidas, sangramentos sem causa aparente, alterações na língua, dificuldade para engolir, mudanças persistentes na voz e o surgimento de nódulos no pescoço.

“O principal alerta é qualquer alteração na boca que persista por mais de duas semanas. Nem toda alteração significa câncer, mas a persistência do sintoma é o que deve motivar a investigação”, destaca a especialista.

O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento. Além de aumentar significativamente as chances de controle e cura da doença, a identificação precoce permite abordagens menos agressivas e menor comprometimento da fala, da deglutição e da aparência do paciente.

A maior incidência entre os homens está diretamente relacionada à exposição a fatores de risco historicamente mais frequentes nesse público. O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam sendo os principais responsáveis pelo aparecimento da doença.

Quando associados, tabagismo e álcool potencializam ainda mais o risco. “Além disso, a infecção pelo HPV também está relacionada a alguns tumores da região da cabeça e pescoço, especialmente da orofaringe”, afirma Silvia Picado.

Para reduzir as chances de desenvolver a doença, a especialista recomenda evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool, manter uma boa saúde bucal, realizar consultas odontológicas regulares e manter a vacinação contra o HPV conforme as recomendações médicas.



Dra. Sílvia Picado - CRM 145158 SP | RQE 59483 - graduada em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). Possui mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, é professora da UNILUS e Diretora Social da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos)

  

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