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sábado, 24 de outubro de 2026

Networking de verdade: por que criar conexões genuínas pode ser mais valioso do que acumular contatos

Especialista em comunicação e performance, Catarina Marcato explica como a escuta ativa, o autoconhecimento e a linguagem corporal podem transformar encontros profissionais em relacionamentos que geram oportunidades reais de negócios.



Participar de eventos empresariais, trocar cartões, adicionar pessoas no LinkedIn e circular por ambientes de negócios são práticas comuns para quem deseja ampliar oportunidades profissionais. Mas existe uma diferença importante entre aumentar a lista de contatos e construir uma rede de relacionamentos capaz de gerar valor: a qualidade das conexões estabelecidas.


Em muitos encontros de networking, a dinâmica acaba se resumindo a apresentações rápidas, discursos sobre a própria trajetória e tentativas de vender serviços ou conquistar clientes. Ao final, os participantes saem com dezenas de novos números salvos no celular, mas sem necessariamente se lembrar de quem conheceram ou encontrar motivos concretos para manter o contato.


Para Catarina Marcato, especialista em oratória e linguagem corporal, palestrante, artista e fundadora da Marcato Oratória, esse comportamento revela um dos principais desafios das relações profissionais: a dificuldade de estabelecer conexões que ultrapassem a apresentação de currículos, cargos e interesses comerciais imediatos.


“Por trás de cada empresa, existem pessoas com histórias, desafios, objetivos e experiências próprias. Quando entramos em um ambiente de negócios pensando apenas no que podemos vender ou conquistar, deixamos de perceber as possibilidades que surgem quando realmente conhecemos quem está à nossa frente”, é a reflexão que orienta o trabalho da especialista.

Menos discurso, mais escuta

Um dos equívocos mais comuns no networking é acreditar que se destacar depende de falar bem sobre si mesmo. Saber apresentar a própria trajetória e explicar o que faz é importante, mas a capacidade de ouvir pode ser igualmente decisiva para estabelecer uma conexão.


A escuta ativa permite identificar interesses em comum, compreender os desafios do interlocutor e reconhecer oportunidades de colaboração. Em vez de esperar a própria vez de falar ou conduzir a conversa imediatamente para uma oferta comercial, o profissional passa a demonstrar interesse genuíno pela experiência do outro.


Isso também exige fazer perguntas que abram espaço para uma conversa real. Em vez de se limitar a perguntar o cargo ou a empresa de alguém, é possível explorar os desafios do mercado em que atua, os projetos em desenvolvimento e os objetivos profissionais e inclusive, a depender, pessoais. A partir dessas respostas, a conversa ganha profundidade e pode revelar afinidades que não seriam percebidas em uma apresentação convencional.


O objetivo não é abandonar a intenção comercial, mas compreender que relações profissionais consistentes raramente se constroem apenas a partir de uma necessidade imediata. Confiança, reciprocidade e continuidade são elementos importantes para que um primeiro encontro evolua para uma parceria, uma indicação ou uma oportunidade de negócio.



Autoconhecimento também faz parte do networking

Nem todas as pessoas se comunicam da mesma maneira. Enquanto alguns profissionais têm facilidade para iniciar conversas e circular entre grupos, outros preferem interações mais reservadas ou precisam de mais tempo para se sentir confortáveis em ambientes desconhecidos.


Há também quem domine tecnicamente o próprio negócio, mas encontre dificuldade para explicar seu trabalho de forma clara e interessante. Outros falam com desenvoltura, porém têm dificuldade para perceber os sinais do interlocutor, adaptar o discurso ou abrir espaço para a participação de outras pessoas.


Para Catarina, reconhecer essas características é um passo importante para desenvolver uma comunicação mais consciente. Em seu trabalho, a especialista pesquisou e construiu para a sua metodologia alguns perfis comunicacionais como referências para identificar tendências, potencialidades e aspectos que podem ser desenvolvidos.


A proposta não é enquadrar as pessoas em categorias rígidas, mas ajudá-las a compreender seus padrões de comportamento e ampliar o repertório de comunicação. Um profissional mais reservado, por exemplo, não precisa se tornar expansivo para construir bons relacionamentos. Pode desenvolver formas de iniciar conversas que respeitem sua personalidade, assim como alguém naturalmente comunicativo pode aprender a ouvir mais e evitar monopolizar as interações.


A comunicação estratégica não significa representar um personagem, mas saber utilizar a própria voz, o corpo e a intenção de maneira adequada a cada contexto.



O que a voz e a linguagem corporal comunicam

Em um evento de negócios, a mensagem não está apenas nas palavras. Tom de voz, ritmo da fala, expressões faciais, postura e contato visual também participam da interação e podem influenciar a forma como uma pessoa é percebida.


Um discurso tecnicamente correto pode perder força quando é apresentado de maneira excessivamente acelerada, distante ou pouco adaptada ao interlocutor. Da mesma forma, uma apresentação simples pode despertar interesse quando existe clareza sobre o que se deseja comunicar e atenção à reação de quem está ouvindo.


Por isso, desenvolver a oratória não se resume a falar em público. A competência também envolve saber se apresentar em conversas informais, explicar o próprio trabalho sem recorrer a jargões, formular perguntas relevantes e perceber quando é necessário mudar a abordagem.


É nesse ponto que a experiência artística de Catarina se conecta à atuação no ambiente corporativo. Formada em Teatro Musical pela New York Film Academy, em Nova York, ela utiliza conhecimentos de interpretação e performance aliados ao desenvolvimento da comunicação, do autoconhecimento e da autoconfiança em mentorias, treinamentos e palestras para profissionais, lideranças e equipes.


A proposta é trabalhar a comunicação como uma habilidade que pode ser desenvolvida e aplicada em diferentes situações profissionais, de uma apresentação comercial a uma conversa espontânea durante um encontro empresarial.



O relacionamento não termina quando o evento acaba

Outro aspecto importante do networking é a continuidade. Uma conversa interessante pode abrir caminho para um relacionamento, mas é o contato posterior que ajuda a consolidar o vínculo.


Retomar um assunto discutido no encontro, compartilhar uma informação relevante, apresentar pessoas que possam colaborar entre si ou acompanhar um projeto mencionado durante a conversa são formas de demonstrar interesse e manter a relação ativa.


A diferença está em não procurar o outro apenas quando surge uma necessidade comercial. Quando existe troca de conhecimento, disponibilidade para contribuir e reconhecimento do valor de cada pessoa, a rede profissional deixa de ser apenas uma lista de contatos e passa a funcionar como um ambiente de confiança e colaboração.


Para empresários e profissionais que buscam ampliar oportunidades, essa mudança de perspectiva pode fazer diferença. Em vez de medir o resultado de um evento apenas pelo número de cartões trocados ou conexões adicionadas, vale observar quantas conversas realmente relevantes aconteceram e quais delas merecem ser cultivadas.


No fim, o networking não depende apenas de quantas pessoas um profissional conhece, mas também da qualidade da relação que consegue construir com elas. Em um mercado no qual a competência técnica precisa caminhar ao lado da capacidade de se comunicar, saber ouvir, demonstrar interesse e transmitir uma mensagem com clareza pode ser tão importante quanto estar no lugar certo.


Mais do que sair de um evento com uma lista maior de contatos, o desafio é construir relações que façam sentido para os dois lados — e que continuem existindo depois que o evento termina.

 

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