Especialista em educação explica sinais que pais e escolas devem observar em crianças e adolescentes diante de provas, cobranças e expectativas por desempenho
Provas,
vestibulares, notas, trabalhos, expectativas familiares e a sensação de
precisar decidir o futuro cada vez mais cedo fazem parte da rotina de muitos
estudantes. Embora algum nível de ansiedade diante de uma avaliação seja
esperado, mudanças persistentes de comportamento podem indicar que o aluno
precisa de um olhar mais atento dos adultos que convivem com ele.
Para
Cristiane Cristo, psicopedagoga e diretora pedagógica da Start Anglo
Bilingual School Recreio, a saúde emocional precisa fazer parte
da conversa sobre desempenho escolar, principalmente em períodos de maior
cobrança.
“A
criança e o adolescente nem sempre conseguem dizer que estão sobrecarregados.
Muitas vezes, eles mostram isso pelo comportamento. Por isso, pais e escola
precisam observar mudanças que fogem do padrão daquele aluno, em vez de
interpretar tudo simplesmente como falta de interesse, preguiça ou uma fase.”
Entre
os sinais, Cristiane lista cinco sinais que representam bandeira amarela:
1. Mudança brusca de comportamento
Uma
criança normalmente comunicativa que passa a se isolar ou um adolescente que se
torna constantemente irritado merece ser observado.
2. O desempenho cai sem explicação aparente
Uma
queda repentina nas notas pode estar relacionada não apenas à dificuldade de
aprendizagem, mas também a questões emocionais que estejam interferindo na
concentração e na disposição para estudar.
3. O corpo começa a falar
Dor
de cabeça, dor de barriga, alterações no sono ou cansaço frequente podem
aparecer associados a períodos de maior tensão.
4. Tudo passa a parecer uma cobrança
Quando
o estudante demonstra medo excessivo de errar, sofrimento intenso diante de uma
nota ou sensação constante de que nunca está fazendo o suficiente, é importante
conversar.
5. Ele deixa de fazer coisas que gostava
Perder
o interesse por amigos, esportes, brincadeiras ou outras atividades que faziam
parte da rotina é um sinal que merece atenção, especialmente quando se mantém
ao longo do tempo.
Cristiane Cristo ressalta que nenhum desses sinais, isoladamente, permite concluir o que está acontecendo com o estudante. O mais importante é observar a frequência, intensidade e duração das mudanças e abrir espaço para uma conversa sem julgamento.
“O
primeiro passo não é perguntar ‘o que está acontecendo com você?’, esperando
que o aluno tenha uma resposta pronta. É mostrar que estamos disponíveis para
ouvir. Às vezes, uma conversa tranquila, sem cobrança e sem transformar
imediatamente o problema em uma solução, é o que permite que a criança ou o
adolescente consiga falar.”
A
psicopedagoga também defende que escola e família precisam atuar de forma
próxima. A escola pode perceber mudanças que não aparecem em casa, enquanto os
pais conhecem comportamentos e hábitos que ajudam a equipe pedagógica a
compreender melhor aquele estudante.
Na
Start Anglo Bilingual School, esse olhar também faz parte da rotina escolar. A
proposta é fortalecer a identidade e o protagonismo de cada aluno, criando
espaços de escuta, como rodas de conversa, em que crianças e adolescentes possam
compartilhar dúvidas, medos e dificuldades, mas também reconhecer suas próprias
forças. A equipe procura acompanhar cada estudante de maneira individualizada,
entendendo que uma mesma situação pode ser vivenciada de formas muito
diferentes por cada pessoa.
“Alta
performance não pode significar viver permanentemente sob pressão. Queremos
alunos que sejam desafiados, que aprendam a lidar com dificuldades e que
busquem bons resultados, mas também precisam saber que errar faz parte do
processo. O nosso papel como adultos é ensinar a criança a lidar com a
cobrança, e não aumentar a cobrança a qualquer custo.”, finaliza Cristiane
Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School Recreio, no Rio de
Janeiro.
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