segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Saúde mental já é um desafio econômico para empresas e pode custar trilhões à América do Sul até 2050

Pixabay
 Especialistas alertam para o impacto da interrupção de tratamentos psiquiátricos na produtividade; benefícios corporativos e programas de acesso a medicamentos surgem como aliados na prevenção de afastamentos e na continuidade do cuidado

 

O impacto da saúde mental ultrapassou há muito tempo as fronteiras dos consultórios médicos. Hoje, o tema ocupa posição estratégica nas agendas de empresas, governos e sistemas de saúde, impulsionado por um cenário cada vez mais preocupante. Segundo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e os transtornos mentais devem gerar perdas econômicas superiores a US$ 7,3 trilhões na América do Sul entre 2020 e 2050, em razão da redução da produtividade, dos afastamentos do trabalho e do aumento dos gastos em saúde. 

Somente no Brasil, o prejuízo estimado pode chegar a US$ 3,7 trilhões no período, reforçando a necessidade de iniciativas capazes de ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento contínuo dessas condições. 

Um dos principais desafios enfrentados pelos pacientes é a continuidade do cuidado. Entre consultas, terapias e medicamentos de uso contínuo, o impacto financeiro frequentemente leva à interrupção do acompanhamento, comprometendo os resultados clínicos e aumentando os riscos de agravamento de quadros como ansiedade, depressão e outros transtornos mentais.

Para Dra. Ana Caroline Vicenzi, Diretora Médica e responsável pelos programas de saúde mental da Dr. Online, a adesão ao tratamento é um dos fatores mais importantes para a recuperação e a estabilidade dos pacientes. 

“Um dos principais gargalos do tratamento é no início do processo medicamentoso, em que o paciente passa por um período de adaptação ao uso dos fármacos que podem gerar efeitos colaterais incômodos por algumas semanas. É importante que o paciente tenha a orientação correta e contínua durante sua jornada assistencial. Manter esse cuidado ao longo do tempo não se resume a garantir o acesso aos medicamentos, mas a assegurar que a pessoa tenha um serviço ao qual possa recorrer sempre que necessário, sem barreiras que comprometam a continuidade do cuidado.” 

Já para a Dra. Luana Camargo Brito, gerente de governança clínica da Dr. Online, a interrupção do seguimento clínico pode estar associada a diversos fatores. "Sustentar o tratamento ao longo do tempo depende de mais do que vontade individual. Frequentemente, o acesso ao serviço de saúde ou a tratamentos prescritos é limitado, comprometendo a continuidade do cuidado. Essa interrupção precoce tende a comprometer os ganhos já conquistados, aumentando o risco de agravamento dos sintomas e fragilizando vínculos e qualidade de vida. Por isso, qualquer decisão sobre ajustar ou interromper o tratamento deveria ser construída de forma compartilhada entre paciente e profissional de saúde. É esse vínculo de confiança, sustentado ao longo do tempo, que permite proporcionar um cuidado centrado na pessoa”. 

A preocupação ganha relevância dentro das organizações. Os transtornos mentais já figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, os transtornos de ansiedade e os episódios depressivos estiveram entre os principais motivos para a concessão de benefícios por incapacidade temporária, somando mais de 290 mil afastamentos. Além disso, o país registrou mais de 546 mil licenças relacionadas à saúde mental no ano, um recorde histórico, evidenciando o impacto do adoecimento psíquico sobre a produtividade, o engajamento e os custos assistenciais das empresas. 

Diante desse cenário, cresce o papel dos programas corporativos de acesso à saúde como ferramentas estratégicas para garantir a continuidade dos tratamentos e promover uma gestão mais eficiente da saúde populacional. A epharma, empresa do Grupo EP especializada em benefícios de saúde e Programas de Benefício em Medicamentos (PBM), tem observado uma demanda crescente das organizações por soluções capazes de reduzir barreiras financeiras ao tratamento, especialmente em condições crônicas e transtornos mentais.

Os Programas de Benefício em Medicamentos (PBM) conectam empresas, beneficiários e farmácias credenciadas, permitindo o acesso a medicamentos com descontos diferenciados. Na prática, a solução reduz o custo do tratamento e favorece a adesão às terapias prescritas.

“Quando analisamos os desafios relacionados à saúde mental nas empresas, percebemos que a questão financeira é um fator frequentemente negligenciado. Muitas pessoas interrompem tratamentos porque não conseguem manter os custos mensais dos medicamentos. Ao oferecer acesso facilitado e descontos que podem chegar a 80%, os programas de benefício ajudam a reduzir esse obstáculo e contribuem para que os pacientes mantenham a regularidade necessária para alcançar resultados clínicos mais efetivos”, afirma Wilson Oliveira Junior, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios do Grupo EP. 

A epharma também disponibiliza o Oxy, plataforma digital que reúne benefícios de saúde e bem-estar em um único ambiente. A solução oferece planos de medicamento, com crédito mensal para a compra de produtos em farmácias credenciadas, além de um plano de bem-estar, que amplia o acesso a benefícios e serviços voltados à prevenção, ao autocuidado e à qualidade de vida. Pelo aplicativo, os beneficiários podem localizar estabelecimentos credenciados, consultar seus benefícios e acessar serviços de saúde e bem-estar de forma prática e integrada. 

Segundo Wilson Oliveira, o cuidado com a saúde mental exige mais do que conscientização, sendo necessário criar condições para que as pessoas consigam manter seus tratamentos ao longo do tempo. 

“Cada vez mais as empresas entendem que ampliar o acesso à saúde também é uma estratégia de negócio. Ferramentas como os PBMs e o Oxy ajudam a reduzir barreiras financeiras, favorecem a adesão aos tratamentos e contribuem para a diminuição dos afastamentos. Ao integrar benefícios de saúde e bem-estar, o Oxy também amplia as possibilidades de cuidado, oferecendo recursos que apoiam tanto a jornada de tratamento quanto a prevenção e a qualidade de vida dos beneficiários”, afirma. 

O alerta da OPAS reforça que os transtornos mentais e as doenças crônicas não são apenas desafios de saúde pública, mas também questões econômicas que impactam a produtividade e o desenvolvimento. Ampliar o acesso ao tratamento e fortalecer ações de prevenção tornam-se iniciativas essenciais para empresas comprometidas com o bem-estar das pessoas e a sustentabilidade dos negócios.

 

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