O check-up preventivo identifica
problemas silenciosos, como hipertensão, colesterol alto e obstruções
arteriais, muito antes de qualquer sintoma aparecer
A atenção ao estado do coração vai muito além da percepção de
sintomas. No Brasil, dados recentes do estudo Global Burden of Disease mostram
que aproximadamente 400 mil pessoas perderam a vida em 2022 por causas
relacionadas ao órgão. Esses números reforçam a essencialidade do check-up
cardiológico como uma ferramenta para prevenir complicações, identificar
ameaças e promover uma vida mais longa e saudável.
Manter a saúde do aparelho circulatório exige
precauções contínuas, principalmente porque as condições cardiovasculares tendem
a evoluir de forma silenciosa. Em alguns casos, o primeiro sinal é um evento
súbito e crítico, como infarto ou AVC. Sem fatores de risco aparentes, as
diretrizes atuais indicam que o acompanhamento regular deve ser iniciado a
partir dos 45 anos para homens e dos 50 anos para mulheres.
No entanto, indivíduos com histórico familiar de quadros
cardíacos, pressão alta, diabetes ou obesidade devem antecipar essa rotina,
começando por volta dos 30 anos. Em jovens e adultos que convivem com
agravantes, a repetição dos testes pode ser anual ou até mesmo semestral,
dependendo da avaliação do especialista.
A seguir, a Dra. Obdulia Linares, cardiologista do
dr.consulta, explica as principais causas, como identificar e os principais
exames.
Aspectos de vulnerabilidade
Conforme a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
explica, entre os principais comportamentos associados ao desenvolvimento de
enfermidades do coração estão:
- tabagismo;
- dieta inadequada (especialmente rica em sal, gorduras
saturadas e açúcares);
- sedentarismo;
- consumo de álcool.
Parâmetros metabólicos como excesso de peso, hipertensão e
colesterol alto (dislipidemia) também desempenham um papel significativo. Cabe
ressaltar que pessoas com diabetes têm de duas a quatro vezes mais chances de
apresentar um comprometimento do órgão. Somam-se a esses elementos o estresse
crônico e a baixa qualidade do sono. Assim, o check-up cardiológico periódico é
uma recomendação indispensável para quem se encaixa nesses indicadores.
Um especialista analisará a situação de cada um
individualmente e recomendar os exames mais pertinentes.
Como identificar sinais de alerta
Mesmo que geralmente não haja manifestações físicas,
alguns cenários podem gerar sintomas que precisam de atenção, incluindo:
- dor ou desconforto no peito, mandíbula, costas ou braço
esquerdo;
- falta de ar;
- tontura ou desmaio;
- palidez e suor frio;
- enjoo ou vômitos.
Nas mulheres, tendem a ser mais sutis e atípicas, o que dificulta o diagnóstico se não houver um controle regular. Isso ocorre porque os hormônios femininos exercem fatores protetores para doenças cardiovasculares, ao mesmo tempo, com a queda da produção no período da menopausa o perigo aumenta
Principais exames do check-up cardiológico
Para garantir que a saúde esteja em dia, a avaliação
clínica também inclui um conjunto de investigações que permite encontrar
alterações ainda em estágios iniciais, mesmo em pessoas assintomáticas. São
elas:
Testes laboratoriais
- perfil lipídico: analisa níveis de colesterol total,
LDL (“ruim”), HDL (“bom”) e triglicerídeos;
- glicemia: mede a taxa de açúcar no sangue;
- funções renais e hepáticas: identificam possíveis
disfunções.
Avaliação clínica e de imagem
- eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica
do coração e detecta arritmias ou isquemias;
- ecocardiograma: examina a estrutura e o funcionamento
do órgão;
- teste ergométrico: verifica o seu desempenho durante o
esforço (importante para quem quer começar a praticar atividades físicas);
- mapa e holter 24h: monitoram a pressão arterial e o
ritmo cardíaco durante 24 horas;
- angiotomografia coronária: constata a presença de
placas de gordura nas artérias.
“O check-up
cardiológico é fundamental porque as doenças do coração costumam evoluir de
forma silenciosa. Acompanhar a saúde preventiva permite identificar alterações
como hipertensão e colesterol alto antes do surgimento de sintomas, evitando
complicações graves como infarto e AVC e garantindo mais longevidade” finaliza
Obdulia.
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