terça-feira, 8 de setembro de 2026

Por que gostar das pessoas com quem trabalhamos pode mudar a experiência profissional?

 

Passamos uma parte enorme da nossa vida trabalhando. Em alguns períodos, convivemos mais com colegas, líderes e equipes, do que com muitos amigos e familiares. Ainda assim, quando falamos sobre felicidade no trabalho, pensamos em salário, propósito, carreira, benefícios ou reconhecimento. Tudo isso importa. Mas, talvez exista uma pergunta mais simples: você gosta das pessoas com quem trabalha? Pode parecer uma pergunta simples, mas não é. 

As pessoas têm o poder de transformar nossa experiência profissional. Um bom time pode tornar um projeto difícil mais leve, e um dia complicado mais suportável. Da mesma forma, relações ruins podem tornar nossos dias bem cansativos. Todos nós, em algum momento da carreira, já sentimos isso. 

Um dos estudos mais longos já realizados sobre desenvolvimento humano há oito décadas, o Harvard Study of Adult Development, chegou a uma conclusão simples e poderosa a este respeito: bons relacionamentos estão profundamente ligados a uma vida mais feliz e saudável. 

Outra pesquisa da KPMG, de 2025, também identificou que 57% dos entrevistados escolheriam um emprego com salário 10% abaixo do mercado se pudessem trabalhar com amigos próximos, em vez de um emprego com salário 10% acima do mercado sem essas amizades. 

E, o mais interessante é que não estamos falando de quantidade, mas de qualidade. Ter pessoas em quem confiamos e com quem conseguimos construir vínculos genuínos faz uma enorme diferença. No trabalho, isso não é diferente, considerando características que podem ir desde o bom humor, que torna a jornada mais leve; à confiança, a qual permite que as pessoas falem, errem, perguntem e discordem sem medo; e competências profissionais em si, que criam uma sensação essencial dentro de qualquer equipe: saber que cada um pode contar com o outro. 

Muitas amizades, inclusive, podem nascer no ambiente de trabalho, entre uma reunião e outra, em um projeto difícil, uma viagem ou, até mesmo, durante uma conversa no café. Pessoas que entram na nossa vida como colegas podem permanecer nela muitos anos depois que cargos e empresas ficaram para trás, às vezes até para sempre. 

Mas, seria ingênuo imaginar que boas relações significam ausência de conflitos. Equipes saudáveis também discordam. Pessoas competentes têm opiniões, prioridades e formas diferentes de enxergar o mundo. O problema não é o conflito, mas quando deixamos que ele destrua a confiança, o respeito e a capacidade de continuar trabalhando juntos. 

Também não precisamos gostar de todo mundo, isso seria impossível. Mas, devemos aprender a conviver com diferenças, estabelecer limites e construir relações minimamente saudáveis. Algumas pessoas irão nos energizar; outras irão exigir mais da nossa capacidade de acolhimento e resiliência. 

Para os líderes, existe uma reflexão importante: a qualidade das relações dentro de uma equipe é crucial. Por um lado, enquanto elas facilitam a comunicação, aumentam a colaboração e ajudam as pessoas a trabalharem melhor juntas, por outro, quando se deteriora, a produtividade quase sempre sente. 

No fim, relacionamentos são uma das grandes chaves da felicidade. E, talvez, o trabalho seja um dos lugares onde mais temos a oportunidade e o desafio de praticá-la todos os dias.  

 

Claudio Santana - executivo há mais de 30 anos em multinacionais, e estudioso da ciência da felicidade há mais de 20 anos. Lançou, recentemente, a nova edição de “15 Chaves para Você Ser Mais Feliz- Guru da Felicidade”, disponível na Amazon Brasil (https://www.amazon.com.br/dp/B0HFDSMRR7).


 

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