terça-feira, 8 de setembro de 2026

Chegar à cadeira de CEO ainda exige mais das mulheres no Brasil

Envato
Estudo Women at the Top, do Evermonte Institute, revela que executivas acumulam mais formação acadêmica e seguem minoria nas lideranças máximas do país 


Mesmo com trajetórias profissionais semelhantes em tempo de carreira, as mulheres ainda enfrentam exigências maiores que os homens para chegar à presidência das empresas brasileiras. É o que mostra o estudo Women at the Top 2026, realizado pelo Evermonte Institute, que identificou que apenas 5,2% das cadeiras de CEO nas maiores empresas do país são ocupadas por mulheres. Esse número mostra que o Brasil caminha em linha com uma tendência internacional de avanço lento e pouco equânime, já que apenas 6% das posições de CEO em nível global são ocupadas por mulheres, de acordo com o relatório Women in the Boardroom. 

O levantamento do Evermonte Institute aponta que as executivas acumulam mais formação acadêmica, passam por mais mudanças ao longo da carreira e percorrem caminhos mais complexos até alcançar posições de liderança. “O estudo mostra que as barreiras continuam existindo, muitas vezes de forma silenciosa, como filtros implícitos que operam antes mesmo da decisão de nomeação. Estamos em uma era de urgências, e muitas companhias vão acabar olhando para pautas de curto prazo, mas é preciso visibilizar esse problema para que, no futuro, consigamos olhar para o board de forma mais diversa. Não só porque é importante ter uma mulher naquele espaço, mas porque é importante termos pessoas qualificadas, independentemente do gênero”, afirma a sócia e headhunter na Evermonte Executive & Board Search, Priscila Schapke.
 

Os dados mostram que as CEOs mulheres possuem, em média, 2,79 MBAs e pós-graduações, enquanto entre os homens a média é de 1,43. Elas também passaram por mais empresas ao longo da carreira: 5,12 companhias, contra 3,79 entre os CEOs homens. Apesar disso, o tempo médio até chegar à presidência é praticamente o mesmo entre os dois grupos, ficando em cerca de 18 anos. 

Para Priscila, essa diferença ajuda a revelar percursos profissionais marcados por exigências distintas. “Os dados não apontam para uma diferença de capacidade, mas para estruturas que ainda exigem das mulheres uma validação adicional para ocupar espaços de liderança. Mas o rompimento de um cenário como esse (que é cultural), demanda muito mais do que ações individualizadas”, diz. 

As entrevistas realizadas com algumas executivas brasileiras reforçam esse cenário. “Tudo que eu queria na vida era que não vissem qual era o meu gênero. Para mim, eu não queria que ser mulher me ajudasse, nem me prejudicasse. Não deveria fazer a menor diferença se eu sou mulher ou não. A sociedade como um todo deveria olhar só a entrega que eu tenho, as minhas skills de liderança, os valores que carrego comigo”, explica a Managing Director da Adidas na América Latina, Flavia Maria Bittencourt. 

Ao mesmo tempo, algumas lideranças femininas já buscam transformar essa cultura dentro das próprias empresas. É o caso da Country Leader para Brasil e Sudeste Asiático do Strava, Rosana Fortes, que afirma: “Eu tento contratar muitas mulheres, sobretudo para cargos de liderança. Hoje, os meus reportes diretos são mulheres. Tem homens na equipe, claro, mas os reports diretos são mulheres. [...] É uma cultura que precisa também partir da empresa.” 

Além da formação acadêmica, o estudo identificou que as áreas de finanças, negócios e operações concentram a maior parte das trajetórias das CEOs brasileiras. Finanças lidera o levantamento com 24,76%, seguida por Negócios, com 21,9%, e Operações, com 20%. Juntas, as três áreas representam mais de dois terços dos perfis analisados, reforçando a predominância de experiências ligadas à gestão de resultados, estratégia e tomada de decisão nas empresas.

 

Women at the Top 

O Women at the Top 2026, realizado pelo Evermonte Institute, analisou 2.153 empresas brasileiras. Dentro dessa amostragem, foram avaliados 216 perfis de CEOs – sendo 112 mulheres e 104 homens – a partir de informações públicas disponíveis no LinkedIn, considerando fatores como formação, setor, região e trajetória profissional. 

O estudo também contou com entrevistas em profundidade com 11 executivas brasileiras: Aline Eggers Bagatini, Ana Paula Magri, Carla Patrícia Cabral da Fonseca, Carolina Pires Simões, Cristine Grings Nogueira, Flavia Maria Bittencourt, Lídia Abdalla, Marília Carvalho de Melo, Poliana Sousa, Rosana Fortes e Simone Lucas Martins.

  

Evermonte Institute

Evermonte Executive & Board Search


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