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| BLACKDAY |
Para muitas mulheres, a chegada dos 40 anos traz
uma percepção diferente diante do espelho. As rugas podem até não ser a
principal preocupação, o que chama a atenção é a mudança no contorno do rosto,
a perda de definição da mandíbula, a flacidez e aquele aspecto popularmente
chamado de “rosto derretido”.
O fenômeno, embora faça parte do processo natural
de envelhecimento, pode se tornar mais perceptível a partir dos 40 anos,
especialmente diante das mudanças hormonais que acompanham a transição para a
menopausa. O emagrecimento acelerado também pode contribuir para acentuar a
perda de volume e de sustentação facial.
Segundo a médica especialista em estética Dra.
Vanessa Penteado, o envelhecimento facial não acontece apenas na superfície da
pele. Ao longo dos anos, diferentes estruturas do rosto sofrem alterações: há
redução da densidade óssea, mudanças nos compartimentos de gordura responsáveis
pelo contorno facial e queda progressiva na produção de colágeno e elastina. “O
envelhecimento é um processo que acontece em diferentes camadas do rosto. Não
estamos falando apenas de rugas. Existe uma perda de sustentação, de volume e
de qualidade da pele, que acaba modificando o contorno facial”, explica a
médica.
E por que os 40 anos são uma fase de atenção?
Segundo a especialista, a partir dessa faixa etária, as transformações
hormonais ganham importância. Com a redução do estrogênio, especialmente
durante a transição para a menopausa, a pele pode ficar mais fina, menos
hidratada e com menor capacidade de produzir colágeno. E é justamente nesse
período que muitas mulheres começam a perceber que os cuidados que antes
funcionavam aos 30 anos, já não entregam os mesmos resultados. “O estrogênio
tem uma relação importante com a qualidade dos tecidos. Quando seus níveis
caem, percebemos alterações na pele, na hidratação, na elasticidade e na
produção de colágeno. Por isso, os cuidados precisam acompanhar essa nova fase
da mulher”, afirma.
Outro fator que ganhou destaque nos últimos anos é
a perda de peso significativa em um curto período. Com a redução rápida da
gordura corporal, inclusive nos compartimentos de gordura da face, algumas
mulheres percebem uma aparência mais envelhecida ou uma perda maior de
sustentação. “Quando existe uma perda de gordura muito rápida, o rosto também
perde volume. É como uma bexiga: quando retiramos o conteúdo, o material que
estava esticado perde tensão. No rosto, isso pode contribuir para que a
flacidez fique mais evidente”, compara a especialista.
A situação merece atenção principalmente porque o
objetivo do emagrecimento é melhorar a saúde, e não comprometer a autoestima.
Por isso, a médica reforça a importância de um processo acompanhado e
individualizado.
Ela destaca ainda que apesar dos tratamentos
estéticos fazerem parte das possibilidades para mulheres que desejam melhorar a
qualidade da pele e o contorno facial, o cuidado começa muito antes do
consultório. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado,
hidratação, uso de antioxidantes quando indicados e, principalmente, proteção
solar são importantes para preservar a qualidade da pele ao longo dos anos. “O
protetor solar continua sendo um dos maiores aliados contra o envelhecimento
precoce. Além disso, precisamos olhar para a paciente como um todo. Não existe
uma rotina universal. O que funciona para uma mulher de 42 anos pode não ser o
mais adequado para outra de 50”, explica.
Entre os recursos que podem ser indicados, de
acordo com a avaliação individual, estão tecnologias como ultrassom microfocado
e radiofrequência, além de bioestimuladores de colágeno e outros procedimentos.
A médica ressalta, porém, que o diagnóstico deve vir antes da escolha do
tratamento. “Não existe um procedimento que seja melhor para todas as mulheres.
Primeiro precisamos entender o que está acontecendo: se existe perda de volume,
flacidez, alteração na qualidade da pele ou uma combinação desses fatores. A
partir daí, construímos uma estratégia”, diz.
Mais do que buscar uma aparência mais jovem, a
proposta é acompanhar as transformações do rosto sem perder a identidade.
“A ideia não é lutar contra a idade, mas fazer com
que a mulher atravesse cada fase se sentindo bem, saudável e bonita dentro da
sua própria maturidade”, conclui Dra. Vanessa.

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