domingo, 13 de setembro de 2026

Dia Mundial contra a Raiva alerta para a importância do diagnóstico rápido

Brasil reduziu casos associados a cães, mas circulação do vírus entre animais silvestres exige monitoramento contínuo e capacidade laboratorial


Celebrado em 28 de setembro, o Dia Mundial contra a Raiva chama a atenção para uma doença evitável, mas quase sempre fatal depois do aparecimento dos sintomas. Além da vacinação e do atendimento rápido após possíveis exposições, o diagnóstico laboratorial e a vigilância epidemiológica são fundamentais para identificar a circulação do vírus e orientar medidas de controle.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 54 casos de raiva humana entre 2010 e junho de 2026. Desse total, 23 foram transmitidos por morcegos, 12 por primatas, dez por cães, cinco por gatos, dois por raposas, um por bovino e um por cervídeo. Apenas dois pacientes sobreviveram.

“O diagnóstico não deve ser visto apenas como a confirmação de um caso. Cada resultado gera informações sobre onde o vírus está circulando, quais animais estão envolvidos e quais populações podem estar sob maior risco. Esses dados ajudam os serviços de saúde e de defesa sanitária a direcionar a vigilância, a vacinação e outras medidas de prevenção”, explica Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para biotecnologia e diagnóstico molecular.

A redução da raiva transmitida por cães é um dos avanços registrados no país. Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos de raiva canina caiu de 635 em 2002 para 13 em 2025. Até junho de 2026, foram registrados seis casos em cães, todos relacionados a variantes virais de animais silvestres. O cenário mostra que, mesmo com o controle do ciclo urbano associado aos cães, a circulação do vírus na fauna mantém o risco de reintrodução entre animais domésticos.


Diagnóstico ajuda a mapear a circulação do vírus

A raiva é uma zoonose causada por vírus do gênero Lyssavirus e pode atingir todos os mamíferos, incluindo seres humanos. A transmissão ocorre principalmente pelo contato da saliva de um animal infectado com ferimentos ou mucosas, geralmente por meio de mordidas, arranhões ou lambeduras.

Como os sinais clínicos podem ser semelhantes aos de outras doenças neurológicas, a confirmação depende de exames laboratoriais realizados por unidades habilitadas. A imunofluorescência direta é considerada uma técnica de referência para a identificação do antígeno viral em amostras de tecido. Métodos moleculares, como a RT-PCR, podem complementar a investigação ao detectar o material genético do vírus e contribuir para a identificação das variantes em circulação.

“O diagnostico molecular acrescenta sensibilidade e precisão à investigação, com menor risco de resultados falso-negativos, especialmente em amostras com baixa carga viral ou qualidade comprometida. Além disso, plataformas modernas de extração de RNA/DNA automatizada, permitem rápido processamento das amostras, reduzindo significativamente o tempo do diagnóstico quando comparada a métodos biológicos tradicionais”, afirma Tatiani.

A caracterização das variantes virais permite estabelecer relações entre casos humanos e animais, identificar as espécies envolvidas na transmissão e acompanhar mudanças no perfil epidemiológico. Esse monitoramento é particularmente importante diante da participação de morcegos e de outros animais silvestres na manutenção do vírus.


Vigilância integra saúde humana, animal e ambiental

Por circular entre diferentes espécies, a raiva demanda uma abordagem integrada entre saúde humana, medicina veterinária, defesa agropecuária, meio ambiente e laboratórios. A notificação de casos suspeitos em animais permite investigar focos, mapear áreas de risco e adotar medidas para evitar novas infecções.

No meio rural, a doença também afeta bovinos, equinos e outros herbívoros, com impactos sanitários e econômicos. O Ministério da Agricultura e Pecuária classifica a raiva como endêmica no Brasil. Somente em 2021, foram confirmados 1.004 casos em herbívoros, com maior concentração nas regiões Sudeste, que respondeu por 31,9% das ocorrências, e Sul, com 25%. A suspeita ou ocorrência da doença nesses animais é de notificação obrigatória ao Serviço Veterinário Oficial.

Para a população, a principal orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde após mordida, arranhão ou contato de saliva com ferimentos ou mucosas. O local deve ser lavado com água e sabão, e o atendimento não deve aguardar o resultado de exames ou o surgimento de sintomas. Caberá à equipe de saúde avaliar a necessidade de vacinação e de outras medidas de profilaxia.

A vacinação periódica de cães, gatos e animais de produção nas situações recomendadas, o monitoramento de morcegos, a notificação de suspeitas e o diagnóstico laboratorial formam uma rede de prevenção. Mesmo com a redução dos casos transmitidos por cães, manter essa estrutura ativa é essencial para impedir que o vírus volte a avançar.

 

Loccus

 

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