sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Criança que fala errado: 5 sinais de que é hora de procurar um fonoaudiólogo

Trocas de sons podem fazer parte do desenvolvimento, mas fala difícil de entender, ausência de evolução e frustração da criança exigem atenção

 

“Tatola” no lugar de “sacola”, “pato” em vez de “prato” e outras trocas costumam divertir a família nos primeiros anos de vida. Embora algumas dificuldades sejam esperadas durante o desenvolvimento da fala, nem todo erro deve ser tratado como algo que desaparecerá sozinho.

Segundo Adriana Fiore fonoaudióloga infantil, o mais importante não é esperar que a criança fale perfeitamente, mas observar se existe uma evolução contínua.

“Nos primeiros anos, a criança está organizando os sons da língua e aprendendo a coordenar movimentos dos lábios, da língua e da mandíbula. Algumas simplificações são naturais, mas a fala precisa amadurecer, ganhar novos sons e ficar cada vez mais clara”, explica.

Em geral, por volta dos 4 anos, espera-se que a criança seja compreendida com facilidade, inclusive por pessoas que não convivem com ela diariamente. Adriana aponta cinco situações que merecem atenção dos pais.
 

1. Poucas pessoas entendem o que a criança fala

Se apenas os familiares mais próximos conseguem compreender a criança ou precisam traduzir constantemente o que ela diz, uma avaliação pode ser necessária.

“Quando a criança precisa repetir muitas vezes e, mesmo assim, não é compreendida, ela pode começar a sentir vergonha, irritação ou evitar situações nas quais precisa falar”, alerta a fonoaudióloga.


2. As trocas são frequentes e não diminuem

Erros de pronúncia podem acontecer durante a aquisição da fala. O sinal de atenção surge quando as trocas continuam muito presentes e não apresentam melhora ao longo dos meses.

“O desenvolvimento deve ser progressivo. Mais importante do que comparar a criança com outras da mesma idade é perceber se ela está ampliando seu repertório e se tornando mais fácil de compreender”, orienta Adriana.


3. A criança fala poucas palavras ou não forma frases

Dificuldade para pronunciar determinados sons não é a mesma coisa que atraso de linguagem. A criança pode compreender tudo, ter um bom vocabulário e formar frases, mas não conseguir produzir alguns sons corretamente. Nesse caso, a dificuldade está mais relacionada à fala.

Já o atraso de linguagem pode envolver poucas palavras para a idade, dificuldade para construir frases, compreender orientações ou organizar aquilo que deseja dizer.

“Fala é a maneira como pronunciamos os sons. Linguagem envolve compreender e comunicar ideias, sentimentos e desejos. Essa diferença é importante para definir o tipo de acompanhamento necessário”, esclarece.


4. A dificuldade provoca sofrimento ou isolamento

Irritação, recusa em falar, vergonha, necessidade constante de ajuda dos pais e afastamento de brincadeiras ou conversas também devem ser observados.

Esperar que a criança simplesmente cresça e melhore sozinha pode atrasar a identificação de uma dificuldade que necessita de acompanhamento.

“Quando o problema persiste, pode afetar a participação social, a aprendizagem, a alfabetização e a autoestima. Procurar ajuda cedo não é antecipar um problema, mas evitar que ele ocupe um espaço maior na vida da criança”, afirma Adriana.


5. A fala não apresenta evolução ao longo dos meses

Mais do que focar em uma troca isolada, os pais devem acompanhar o desenvolvimento como um todo. Se a criança permanece falando da mesma maneira por muito tempo, sem adquirir novos sons e sem melhorar a clareza, é indicado buscar orientação profissional.

A avaliação fonoaudiológica não significa que a criança necessariamente precisará iniciar uma terapia.

“Muitas vezes, a avaliação serve para orientar a família, acompanhar o desenvolvimento e trazer tranquilidade. Se houver necessidade de intervenção, começar cedo pode fazer uma diferença importante”, explica.


Como os pais podem ajudar em casa?

Conversar olhando para a criança, ler histórias, cantar, nomear objetos e dar tempo para que ela tente se expressar são atitudes que estimulam a comunicação. Em vez de corrigir de forma rígida, os adultos podem repetir a palavra corretamente dentro da conversa.

Se a criança disser “quero o pato” para pedir um prato, por exemplo, o responsável pode responder: “Você quer o prato? Eu vou pegar o prato para você”.

Adriana também recomenda atenção à alimentação e aos hábitos orais. De acordo com a especialista, a mastigação de consistências adequadas para cada fase contribui para o desenvolvimento dos movimentos usados na fala. O uso prolongado de chupeta e mamadeira, a alimentação sempre muito pastosa e a pouca oportunidade de mastigar diferentes texturas podem interferir nesse processo.

“A fala começa a ser preparada muito antes da primeira palavra. Desde o nascimento, a criança desenvolve as estruturas e a coordenação que serão usadas para produzir sons cada vez mais complexos”, conclui.



Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga – CRFa 2-12078. Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP). Pós-graduada em Processamento Auditivo Central. Especialista em Voz pelo CEV – Centro de Estudos da Voz. Idealizadora e Diretora da AplusKids



Nenhum comentário:

Postar um comentário