Com o aumento da dispersão de pólen e outras mudanças ambientais, cães predispostos podem apresentar ou intensificar sinais de alergias; veja o que observar e como os cuidados com a pele podem ajudar
A chegada da primavera traz mudanças no ambiente que podem afetar
a saúde - mais especificamente a pele - dos cães, especialmente daqueles mais
sensíveis ou alérgicos. O aumento da dispersão de pólen, além do maior contato
com gramíneas e outras plantas, combinado com temperaturas mais altas e maior
umidade, amplia as chances de contato dos animais com fatores que podem
desencadear ou intensificar alterações na pele e na pelagem.
Segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, de Biofresh, da
MBRF Pet, a primavera pode ser um período de maior atenção,
principalmente para cães sensíveis.
“A primavera reúne fatores que podem agravar as manifestações
alérgicas e cutâneas em animais sensíveis ou predispostos. Nessa época, é comum
haver mais pólen no ambiente e uma maior dispersão dessas partículas no ar, o
que aumenta o contato dos cães com esses possíveis alérgenos. Dependendo das
condições ambientais e da região, outros fatores, como a presença de ectoparasitas,
também podem contribuir para o agravamento dos sinais", explica.
Pólen, poeira e outros fatores podem intensificar a coceira
Entre as doenças de pele que podem apresentar períodos de piora
está a dermatite atópica canina, que está relacionada tanto às características
do próprio animal quanto a fatores do ambiente. Mayara explica que pólen,
ácaros da poeira e fungos estão entre os fatores que podem desencadear ou
agravar os sinais.
“Nos cães, a alergia ao pólen costuma aparecer principalmente na
pele, e não necessariamente como sintomas respiratórios, como é comum nos seres
humanos. O pólen pode ficar na pelagem e entrar em contato com a pele,
provocando irritação. O animal também pode ingerir essas partículas ao se
lamber”, afirma Mayara.
Os sinais mais comuns incluem coceira intensa, lambedura das
patas, vermelhidão, otites recorrentes e perda de pelo causada pela coceira.
Também podem surgir infecções secundárias na pele. Face, orelhas, patas,
axilas, barriga e parte interna das patas traseiras (que é a parte com mais
contato com o ambiente e outros fatores, como grama e produtos de limpeza)
estão entre as áreas mais afetadas.
A coceira persistente, porém, não deve ser atribuída
automaticamente à mudança de estação. “Coceira é um sinal genérico e pode
ter diversas causas. Entre elas: ectoparasitas como pulgas, infecções
bacterianas secundárias de pele e até reações a determinados alimentos. Por
isso, é necessária uma investigação mais a fundo quando um animal apresenta
coceira”, explica a veterinária.
Temperatura e umidade também favorecem ectoparasitas
A primavera também pede cuidado ao controle de pulgas e outros
ectoparasitas. Temperaturas mais altas e maior umidade podem favorecer a
presença desses insetos, que podem desencadear ou piorar reações na pele de
cães sensíveis e alérgicos. Isso vale também para outros períodos, como o
verão.
A picada de pulga, por exemplo, pode provocar coceira intensa e
irritação. Por isso, a veterinária recomenda que o controle desses ectoparasitas
deve fazer parte da rotina, mesmo quando eles não são facilmente vistos.
“Nos animais, principalmente os mais sensíveis, diferentes fatores
podem se somar e aumentar a irritação da pele. Por isso, manter o controle de
pulgas e ficar atento às condições do ambiente são medidas importantes”,
orienta Mayara.
Quando há coceira frequente, perda de pelo, vermelhidão, feridas
ou otites recorrentes acompanhadas ou não de outros sintomas, é importante
buscar avaliação veterinária. A identificação da causa considera os sinais
apresentados, o histórico do animal e a investigação de todas as possíveis
possíveis causas.
O que fazer quando os sinais aparecem?
O diagnóstico de dermatopatias deve considerar diferentes fatores.
Além do tratamento indicado para controlar a coceira e a irritação, pode ser
necessário reduzir o contato com aquilo que desencadeia os sinais e tratar
possíveis infecções.
“Não há um tratamento único e eficaz para todos os casos, já que
nem tudo que funciona para um funciona para o outro. O acompanhamento
veterinário ajuda a identificar o que está desencadeando ou piorando os sinais
e a definir uma estratégia que pode envolver tratamento, cuidados com o
ambiente e alimentação adequada”, explica Mayara.
Alimentação também pode oferecer suporte à pele
A alimentação também faz parte dos cuidados com a pele. Na hora de
escolher o alimento para o pet, Mayara recomenda observar se a fórmula inclui
alguns nutrientes essenciais importantes para uma nutrição adequada, o que
incluí proteínas de alta qualidade com perfil de aminoácidos essenciais
completo e vitaminas e minerais essenciais.
“Pelos e pele são estruturas que passam por
renovação celular constante, e esse processo depende de um fornecimento
adequado de nutrientes. Entre os mais importantes estão os ácidos graxos
essenciais (como os ômegas 3 e 6), que ajudam a manter a pele hidratada e a
pelagem brilhante, além de vitaminas A, E e biotina. Minerais como selênio,
zinco e cobre também atuam como antioxidantes e são importantes pois contribuem
diretamente para a integridade da pele", afirma a médica-veterinária.
A profissional também explica a importância das proteínas de alta
qualidade, com carnes selecionadas (o que pode incluir carne de frango, salmão,
cordeiro, por exemplo): “os pelos são compostos por cerca de 95% de
proteína. Além disso, alguns aminoácidos como a fenilalanina e tirosina,
encontrados nas proteínas, estão correlacionados com a expressão da melanina,
estando envolvidos na coloração dos pelos”, completa.
A alimentação, no entanto, não substitui a investigação da causa
da coceira ou de outras alterações. Em cães com sinais persistentes, a
avaliação profissional é importante para identificar o problema e definir o
cuidado mais adequado.
“A primavera pode ser um período mais desafiador para cães
sensíveis e predispostos a alergias, incluindo as ambientais, mas reconhecer os
sinais logo no início ajuda a evitar que o quadro se agrave. O cuidado deve
considerar o ambiente, a pele, o controle de parasitas, o tratamento quando
necessário e também a alimentação”, completa Mayara.
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