sábado, 12 de setembro de 2026

Canetas para emagrecimento mudam o perfil dos pacientes que buscam rejuvenescimento facial

Especialistas observam aumento de pacientes que perderam peso rapidamente com medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro e passaram a se incomodar com a perda de volume no rosto, levando a uma nova demanda por tratamentos e cirurgias faciais


O avanço das chamadas canetas para emagrecimento está produzindo um efeito que começa a ganhar espaço nos consultórios de cirurgia plástica facial. Após a perda acelerada de peso promovida por medicamentos à base de agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, cresce o número de pacientes que relatam aparência mais envelhecida, flacidez e perda de volume no rosto. O tema passou a ser discutido por sociedades médicas internacionais e por publicações científicas que descrevem o fenômeno conhecido popularmente como "Ozempic Face", associado principalmente ao emagrecimento rápido e não a um efeito direto do medicamento.

Para a cirurgiã plástica facial Dra. Danielle Gondim, formada pelo Instituto Ivo Pitanguy, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), muitas pessoas alcançam o peso desejado, melhoram indicadores de saúde e autoestima, mas passam a perceber um contraste entre o corpo mais magro e um rosto que aparenta maior envelhecimento. A trajetória profissional e a atuação da médica são voltadas à cirurgia plástica facial, com foco em técnicas de rejuvenescimento profundo e preservação da identidade facial.

"O emagrecimento é extremamente positivo quando existe indicação médica, mas a face também perde gordura. Ela funciona como uma estrutura de sustentação natural e, quando essa perda acontece de forma intensa e em pouco tempo, algumas pessoas passam a notar sulcos mais profundos, flacidez e aspecto cansado. O objetivo não é devolver um rosto artificial, mas recuperar equilíbrio e naturalidade", afirma Danielle.

A preocupação tem fundamento científico. A Academia Americana de Dermatologia explica que pacientes em uso de medicamentos da classe dos GLP-1 frequentemente observam redução do volume facial, maior flacidez e rugas mais aparentes após perdas importantes de peso. A entidade ressalta que essas alterações decorrem principalmente da velocidade do emagrecimento e da redução dos compartimentos de gordura da face, embora estudos recentes também investiguem possíveis efeitos sobre colágeno e musculatura.


O rosto muda antes do restante do corpo

A especialista explica que a face costuma evidenciar rapidamente qualquer perda significativa de gordura corporal. Regiões como maçãs do rosto, têmporas, mandíbula e área ao redor dos olhos são as que mais costumam sofrer alterações, modificando contornos e expressões.

"Nem todo paciente precisará de cirurgia. Em alguns casos, pequenas intervenções são suficientes. Em outros, principalmente quando existe excesso de pele associado à perda de sustentação, a cirurgia oferece um resultado mais duradouro e proporcional. O mais importante é entender que cada rosto responde de maneira diferente ao emagrecimento", explica a cirurgiã.


O desafio é preservar identidade após a perda de peso

Para a médica, o debate também representa uma mudança na forma como o rejuvenescimento facial é encarado. Em vez da busca por transformações estéticas marcantes, cresce a procura por abordagens capazes de restaurar proporções faciais preservando características individuais.

"A maior preocupação dos pacientes hoje não é parecer outra pessoa. Eles querem que a imagem acompanhe a melhora física conquistada durante o processo de emagrecimento. O rosto continua sendo parte importante da identidade e merece ser tratado com o mesmo cuidado que dedicamos ao restante do corpo", afirma.

Danielle ressalta que a decisão entre procedimentos minimamente invasivos e cirurgia deve ser individualizada e baseada em avaliação médica detalhada. A indicação depende da quantidade de pele, da perda de volume, da qualidade dos tecidos e das expectativas de cada paciente. "Não existe uma solução única. O planejamento personalizado é o que permite alcançar resultados naturais, respeitando a anatomia e a história de cada pessoa", conclui.


O que o paciente deve considerar antes de decidir

Para Danielle, a primeira recomendação é não tomar decisões motivadas apenas pelo desconforto com a aparência após o emagrecimento. Segundo ela, a avaliação médica deve acontecer quando o peso já estiver estabilizado, pois oscilações importantes podem comprometer o planejamento e os resultados de qualquer tratamento facial.

"Quem emagreceu recentemente e percebeu mudanças no rosto não deve buscar uma solução padronizada. É preciso entender se existe apenas perda de volume, flacidez, excesso de pele ou uma combinação desses fatores. A partir dessa análise, é possível definir se o melhor caminho é acompanhar a evolução, realizar procedimentos menos invasivos ou indicar uma cirurgia. Cada caso exige uma estratégia diferente", afirma.

A especialista acrescenta que o objetivo não deve ser recuperar o rosto que a pessoa tinha antes do emagrecimento, mas alcançar uma aparência compatível com a nova fase do corpo, preservando características individuais e evitando excessos. 



Danielle Gondim - cirurgiã plástica especializada em face, com reconhecimento internacional. Desde a infância interessada pelas artes, formou-se no Instituto Ivo Pitanguy, onde também atuou como docente por quase cinco anos. Ao longo da carreira, realizou fellowships nos principais serviços de cirurgia plástica do mundo, incluindo centros liderados por Dr. Nayak e Ben Talei, nos Estados Unidos, e por Dr. Francisco Bravo, em Madri. Membro das associações Internacional, Americana e Brasileira de Cirurgia Plástica, é frequentemente convidada a palestrar em congressos relevantes da especialidade no Brasil e no exterior. Em 2025, foi premiada por seu trabalho no Congresso Mundial de Cirurgia Plástica da ISAPS, realizado em Singapura, reconhecimento concedido a um grupo restrito de especialistas.
Criadora da técnica Singular Restore®, alia ciência e arte para alcançar resultados naturais, nos quais a jovialidade se destaca sem evidência de intervenção cirúrgica. Seu trabalho é pautado pela individualidade facial e pela preservação da identidade de cada paciente. Procurada por pacientes de diferentes países, também recebe semanalmente médicos do Brasil e do exterior interessados em conhecer sua abordagem técnica.
Para mais informações, acesse o site, instagram ou pelo Linkedin.



Fonte de pesquisa

ISAPS
https://www.isaps.org/articles/statements-guidelines/rise-of-glp-1-receptor-agonist-drugs-plastic-surgery/

American Academy of Dermatology (AAD)
https://www.aad.org/public/everyday-care/skin-care-secrets/prevent-skin-problems/glp1-drugs-and-side-effects



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