▼

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Cancelamentos de voos crescem 14,5% no Brasil entre junho e agosto, aponta AirHelp

 • 786,2 mil passageiros foram afetados por cancelamentos, quase 100 mil a mais que no mesmo período de 2025

• Atrasos de duas horas ou mais atingiram 247,9 mil passageiros, alta de 17,9%

• Em agosto, atrasos acima de duas horas avançaram 45,4% na comparação anual

 

O número de passageiros afetados por cancelamentos de voos com menos de 30 dias de antecedência cresceu 14,5% no Brasil entre junho e agosto deste ano, alcançando 786,2 mil pessoas — quase 100 mil a mais que no mesmo período de 2025. O aumento, no entanto, ocorre em um cenário de expansão ainda maior do movimento aéreo no país.

Segundo o levantamento, a base analisada passou de 27,5 milhões de passageiros entre junho e agosto de 2025 para 34,5 milhões no mesmo período deste ano, uma alta de aproximadamente 25,2%. Nesse contexto, embora o número absoluto de passageiros afetados tenha aumentado, a proporção em relação ao total de passageiros analisados apresentou uma redução, passando de 2,5% para 2,3% na comparação entre os períodos.

Os atrasos de duas horas ou mais também avançaram, passando de 210,3 mil para 247,9 mil passageiros, alta de 17,9%. Em agosto, mês mais recente da análise, os atrasos prolongados registraram o maior salto, de 45,4% em relação ao mesmo período no ano anterior, passando de 55,3 mil passageiros afetados em agosto de 2025 para 80,4 mil no mesmo mês deste ano.

Os dados fazem parte de levantamento da AirHelp, líder mundial em direitos dos passageiros aéreos, que analisou os voos realizados no Brasil entre junho e agosto de 2026 e comparou os resultados com o mesmo período do ano anterior.

Férias de julho: cancelamentos aumentam, mas atrasos longos recuam
Em julho, principal mês das férias escolares no Brasil, 335,3 mil passageiros foram afetados por cancelamentos de voos com menos de 30 dias de antecedência, contra 315,4 mil em julho de 2025, crescimento de 6,3%.

Os atrasos superiores a duas horas apresentaram movimento contrário. Foram 83 mil passageiros afetados, ante 90,4 mil no mesmo mês do ano anterior, uma redução de 8,2%.

Esse cenário também está relacionado à um aumento no número de passageiros aéreos em julho deste ano em comparação ao mesmo período em 2026, passando de 9,3 milhões no ano passado para 12,1 milhões de passageiros, alta de aproximadamente 29,6%.

“Os dados mostram que o crescimento da demanda não necessariamente se traduz da mesma forma nos diferentes tipos de interrupção. Em julho, mesmo com um volume significativamente maior de passageiros, houve redução nos atrasos superiores a duas horas. Por outro lado, os cancelamentos continuaram avançando. Para o passageiro, ambos representam transtornos importantes e reforçam a necessidade de conhecer os direitos previstos para situações de interrupção da viagem”, afirma Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.

Aeroportos com mais passageiros afetados por atrasos de duas horas ou mais
Considerando o período de junho a agosto de 2026, Guarulhos (GRU) aparece com o maior volume de passageiros afetados por atrasos de pelo menos duas horas, com 60,6 mil casos. Galeão (GIG) ocupa a segunda posição, com 25,7 mil, seguido por Viracopos (VCP), com 18,6 mil.

 

Posição

Aeroporto

Passageiros com atraso ≥2h

1

Guarulhos International Airport

60,600

2

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

25,700

3

Viracopos International Airport

18,600

4

Tancredo Neves International Airport

11,600

5

Guararapes - Gilberto Freyre International Airport

10,000

6

Afonso Pena Airport

8,800

7

Salgado Filho Airport

8,500

8

Presidente Juscelino Kubistschek International Airport

6,400

9

Pinto Martins International Airport

6,300

10

Porto Seguro Airport

4,700

 

Aeroportos com mais passageiros afetados por cancelamentos
Nos cancelamentos, o Galeão (GIG) lidera em volume absoluto, com 84,8 mil passageiros afetados, seguido muito de perto por Guarulhos (GRU), com 83,6 mil.

 

Posição

Aeroporto

Passageiros afetados por cancelamentos em até 30 dias

1

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

84,800

2

Guarulhos International Airport

83,600

3

Tancredo Neves International Airport

51,500

4

Viracopos International Airport

46,800

5

Presidente Juscelino Kubistschek International Airport

42,400

6

Pinto Martins International Airport

24,100

7

Hercílio Luz International Airport

23,900

8

Afonso Pena Airport

22,300

9

Salgado Filho Airport

21,000

10

Guararapes - Gilberto Freyre International Airport

18,400

 

Rotas com mais passageiros afetados por atrasos de duas horas ou mais
Entre as rotas analisadas, Guarulhos–Santiago registrou o maior número de passageiros com atrasos ≥2h, com 5.800 casos. As rotas com maior volume de atrasos acima de duas horas têm origem em Guarulhos ou no Galeão, e sete dos dez aeroportos de destino são internacionais.

 

Posição

Partida

Destino

Passageiros com atraso ≥2h

1

Guarulhos International Airport

Arturo Merino Benitez Airport

5,800

2

Guarulhos International Airport

John F. Kennedy International Airport

3,700

3

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Jorge Newbery Airport

3,500

4

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Guarulhos International Airport

3,400

5

Guarulhos International Airport

Madrid-Barajas International Airport

2,500

6

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Paris Charles de Gaulle Airport

2,000

7

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Arturo Merino Benitez Airport

1,900

8

Viracopos International Airport

Miami International Airport

1,900

9

Afonso Pena Airport

Viracopos International Airport

1,900

10

Tancredo Neves International Airport

Congonhas Airport

1,900

 

Rotas com mais passageiros afetados por cancelamentos
As rotas Guarulhos–Porto Alegre e Galeão--Vitória aparecem no topo do ranking, com 12,9 mil e 12,6 mil passageiros afetados por cancelamentos, respectivamente.

 

Posição

Partida

Destino

Passageiros afetados por cancelamentos em até 30 dias

1

Guarulhos International Airport

Salgado Filho Airport

12,900

2

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Eurico de Aguiar Salles Airport

12,600

3

Zumbi dos Palmares Airport

Guarulhos International Airport

12,000

4

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Afonso Pena Airport

11,300

5

Viracopos International Airport

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

7,400

6

Hercílio Luz International Airport

Guarulhos International Airport

7,400

7

Galeão - Antônio Carlos (Tom) Jobim International Airport

Guarulhos International Airport

7,000

8

Afonso Pena Airport

Congonhas Airport

7,000

9

Tancredo Neves International Airport

Presidente Juscelino Kubistschek International Airport

6,900

10

Tancredo Neves International Airport

Congonhas Airport

6,500

 

Nota metodológica
Os rankings consideram volume absoluto de passageiros afetados, e não taxa de atrasos ou cancelamentos. Portanto, não representam uma classificação de qualidade operacional dos aeroportos ou das rotas.

Guia do passageiro
Para quem enfrentou problemas de conexão, atrasos ou cancelamentos, consulte o Guia do Passageiro da AirHelp para conhecer os direitos: Guia dos direitos do passageiro aéreo

Compensação ao passageiro
Para solicitar compensação, os passageiros precisam atender a algumas condições. Primeiro, é necessário verificar se o atraso ou cancelamento realmente causou transtornos, estresse ou prejuízos financeiros.

Situações como perder uma consulta médica importante, cancelamento de contrato, perda de emprego ou ausência em um evento pessoal relevante podem gerar pedidos de indenização contra a companhia aérea.

Caso o passageiro tenha sofrido os chamados “danos morais” e consiga comprová-los, há grandes chances de receber compensação financeira de até R$ 10 mil por pessoa.

As chances de receber indenização aumentam quando a companhia aérea é diretamente responsável pelo problema — por exemplo, em casos de falha técnica ou falta de tripulação.

A compensação deve ser abrangente, incluindo reparação por danos psicológicos. Mesmo quando o problema é causado por condições climáticas extremas ou outras situações de força maior fora do controle da companhia aérea, os passageiros continuam tendo direito à assistência adequada e informações claras.

“O sistema de direitos dos passageiros aéreos no Brasil é orientado ao consumidor e oferece forte proteção aos viajantes, especificando claramente a assistência que as companhias aéreas devem prestar em caso de interrupções. No entanto, os critérios usados na análise de pedidos de compensação podem exigir interpretação caso a caso e ser desafiadores para quem não possui conhecimento especializado. Entre os principais motivos pelos quais passageiros brasileiros deixam de reivindicar seus direitos estão a falta de conhecimento sobre como fazer a solicitação e o baixo nível de conscientização sobre seus direitos”, afirma Luciano Barreto, diretor-geral da AirHelp no Brasil.

Leis que protegem os passageiros no Brasil
Os passageiros que viajam no Brasil são protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que constituem os principais marcos legais sobre direitos dos passageiros.

Essas regras definem claramente as responsabilidades das companhias aéreas sempre que ocorrem problemas nos voos.

A legislação brasileira cobre voos domésticos, voos internacionais que partem ou chegam a aeroportos brasileiros e também voos com conexões em território nacional.

Os passageiros são protegidos pela legislação brasileira desde que os voos atendam aos seguintes quatro critérios:

• O voo partiu ou chegou a um aeroporto brasileiro
• O voo foi cancelado com pouco aviso, atrasou mais de duas horas ou sofreu overbooking
• O passageiro não recebeu assistência adequada da companhia aérea
• O incidente ocorreu nos últimos cinco anos

Para mais informações, visite o site da AirHelp: www.airhelp.com.br


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário