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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Anemia não é só falta de ferro: 3 tipos que exigem investigação além do hemograma

Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon, explica por que descobrir uma anemia é apenas o primeiro passo e como diferentes causas exigem tratamentos completamente distintos

 

Cansaço, palidez, falta de disposição e dificuldade para realizar atividades que antes pareciam simples. Quando esses sintomas aparecem acompanhados de uma alteração no hemograma, é comum que a primeira suspeita seja falta de ferro, e que a solução pareça igualmente óbvia: suplementá-lo. Mas anemia não é sinônimo de deficiência de ferro. 

Na prática, anemia é caracterizada pela redução da concentração de hemoglobina no sangue e pode ter diferentes causas, desde deficiências nutricionais até doenças crônicas, alterações autoimunes e destruição acelerada das hemácias. Por isso, identificar a anemia é apenas o começo da investigação. 

“Um dos principais erros é tratar anemia como se fosse sempre falta de ferro. O hemograma mostra que existe uma alteração, mas precisamos descobrir por que ela aconteceu. Dependendo da causa, simplesmente repor ferro não vai resolver o problema”, explica o Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon.
 

Quando existe ferro, mas o organismo não consegue utilizá-lo 

A chamada anemia da inflamação, também conhecida como anemia de doença crônica, está associada a condições que mantêm o organismo em estado inflamatório, como algumas infecções, doenças autoimunes, câncer e doença renal crônica. 

Nesse cenário, a questão não é necessariamente uma ausência absoluta de ferro. A inflamação aumenta a produção de hepcidina, hormônio que participa da regulação do metabolismo do mineral. Com isso, menos ferro fica disponível para a produção adequada das hemácias. 

É justamente aí que os exames podem confundir quem espera encontrar sempre ferritina baixa. Segundo o Merck Manual, na anemia de doença crônica, a ferritina pode aparecer normal ou elevada, já que também funciona como uma proteína de fase aguda e pode aumentar em processos inflamatórios. 

“É um exemplo muito claro de por que não podemos olhar um marcador isoladamente. O paciente pode estar anêmico e apresentar ferritina aparentemente adequada ou alta. Nesse caso, precisamos entender o contexto inflamatório e a disponibilidade do ferro, e não simplesmente aumentar sua reposição”, explica Dr. Rodolfo.
 

Quando a vitamina B12 está envolvida 

Outro quadro que pode passar despercebido é a anemia perniciosa, uma condição autoimune relacionada à deficiência de vitamina B12. 

Nesse caso, o organismo desenvolve um processo que compromete a produção ou a ação do fator intrínseco, proteína produzida no estômago e necessária para que a vitamina B12 seja adequadamente absorvida no intestino. A condição está frequentemente associada à gastrite atrófica autoimune. 

A investigação é especialmente importante porque a deficiência de B12 não afeta apenas o sangue. Dependendo da intensidade e da duração, também podem aparecer manifestações neurológicas, como formigamento nas mãos e nos pés, alterações de equilíbrio e problemas cognitivos. 

“Se existe uma dificuldade de absorção, não basta simplesmente dizer ao paciente para consumir mais B12. Precisamos descobrir por que essa vitamina está baixa. Na anemia perniciosa, existe um mecanismo autoimune por trás, e isso muda completamente a forma de conduzir o caso”, afirma o médico.
 

Quando as hemácias são destruídas antes da hora 

Na anemia hemolítica, a lógica é diferente. Em vez de o problema estar principalmente na produção das células sanguíneas, as hemácias são destruídas mais rapidamente do que o organismo consegue substituí-las. 

Essa destruição precoce, chamada hemólise, pode ter diferentes causas, incluindo doenças autoimunes, alterações hereditárias, infecções, medicamentos e outros mecanismos. Além dos sintomas comuns de anemia, alguns pacientes podem apresentar sinais como icterícia, urina escura e aumento do baço. Dependendo da intensidade e da rapidez da hemólise, o quadro pode exigir avaliação médica imediata. 

“É uma situação completamente diferente de uma anemia por deficiência nutricional. Se as hemácias estão sendo destruídas precocemente, precisamos identificar o que está provocando essa destruição. Mais uma vez, o tratamento depende da causa, não apenas do resultado do hemograma”, ressalta Dr. Rodolfo.
 

O hemograma é o começo, não o fim 

Os três exemplos mostram por que receber um diagnóstico de anemia não deveria encerrar a investigação. Dependendo das características encontradas no hemograma e do histórico do paciente, podem ser necessários exames complementares para avaliar metabolismo do ferro, vitamina B12, marcadores de inflamação, sinais de hemólise e outras possíveis causas. 

Isso também significa que suplementar ferro por conta própria ao perceber cansaço ou uma alteração laboratorial não é uma estratégia segura. 

“Anemia é um sinal de que alguma coisa precisa ser entendida. Às vezes é falta de ferro, mas também pode existir uma doença inflamatória, uma dificuldade de absorção ou uma destruição aumentada das hemácias. O mais importante é não tratar apenas o número. Precisamos descobrir o que está por trás dele”, conclui Dr. Rodolfo.


Instituto Aeon

 

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