domingo, 23 de agosto de 2026

Portas de correr valorizam a flexibilidade nos projetos residenciais

Da tradição das divisórias deslizantes às soluções contemporâneas, o recurso permite liberar áreas de passagem, integrar ambientes e explorar diferentes materiais e sistemas de instalação

 

Entre a madeira e a possibilidade de integração, a porta de correr assume diferentes funções no projeto, como nesta solução engendrada pela arquiteta Isabella Nalon. No projeto, sua implementação permite controlar a conexão entre a cozinha e a sala de almoço sem comprometer a circulação
 Fotos: Julia Herman




Antes de se tornar uma possibilidade recorrente nos projetos, a porta de correr já fazia parte das alternativas arquitetônicas que adaptavam os espaços de acordo com a necessidade.

Na arquitetura japonesa, as fusumas assumiram, durante séculos, a função de separar ambientes sem constituir uma divisão permanente por meio painéis que podiam ser deslocados para alterar a configuração dos cômodos. Exemplares de portas deslizantes japonesas dos séculos XVI e XVII mostram como o sistema também ganhou função estética, com superfícies decoradas que participavam da composição dos interiores.

Hoje, a lógica permanece, porém com materiais, ferragens e possibilidades de instalação muito diferentes. Nos projetos residenciais, a porta de correr se destaca, sobretudo, quando a circulação precisa ser preservada ou quando o ambiente tem dimensões reduzidas. “Elas são as melhores opções para essas situações”, explica a arquiteta Isabella Nalon, que aponta a economia de espaço como uma das principais vantagens do recurso.



Menos área ocupada na circulação

Ao contrário da porta convencional, que precisa de uma área livre para a movimentação da folha, a versão de correr se desloca paralelamente à parede. Essa característica libera a área diante do vão em salas pequenas e outros cômodos nos quais cada centímetro interfere no layout.

De vidro, a porta de correr separa a sala de jantar dos demais ambientes sem bloquear a entrada de luz, enquanto o sistema de trilhos reforça a leveza da medida adotada pela arquiteta Isabella Nalon
Fotos: Julia Herman


Porém, a proposta não depende apenas do tamanho do ambiente. É preciso considerar o espaço necessário para que a folha percorra seu trajeto, além da estrutura capaz de viabilizá-la. “Por isso, a definição da porta deve fazer parte do projeto desde as primeiras etapas, principalmente quando existe a intenção de embuti-la na parede”, comenta a arquiteta.



Trilho aparente também pode fazer parte da estética

O trilho deixou de ser necessariamente um elemento que precisa desaparecer. Quando permanece aparente, pode assumir um papel visual na composição e reforçar determinadas linguagens de interiores, especialmente aquelas que valorizam materiais e estruturas expostas. “O ambiente ganha uma aparência mais imponente”, observa Isabella, que considera uma saída bastante adequada para projetos de estilos rústico ou industrial.


Entre o living e a varanda, o trilho permanece aparente e acompanha a extensão do vão neste projeto da arquiteta Isabella Nalon | Fotos: Julia Herman


Já os sistemas embutidos ocultam o sistema e fazem com que a folha praticamente desapareça quando aberta. Essa alternativa exige um planejamento minucioso da parede e da estrutura de instalação para criar uma superfície visualmente mais limpa e liberar completamente o vão quando a porta estiver recolhida.



Madeira, vidro, alumínio ou outros materiais?


Para a arquiteta Isabella Nalon, a porta ripada de madeira propicia uma divisão mais marcada entre os ambientes, enquanto o vidro é conveniente quando o intuito é preservar luminosidade e a percepção de amplitude do ambiente
| Fotos: Julia Herman


De acordo com a profissional, não existe um material universalmente indicado e a definição deve seguir as características do projeto. Madeira, vidro, alumínio e PVC assumem funções e linguagens diferentes – desde uma divisão mais sólida entre os cômodos até possibilidades que preservam a passagem de luz e a tão desejada amplitude.

A materialidade também interfere no peso da folha e, consequentemente, na especificação das ferragens e do sistema de deslizamento. Por isso, a escolha do acabamento precisa estar associada à estrutura que sustentará a porta, especialmente em modelos maiores ou com materiais mais robustos.



Onde a porta de correr encontra seus limites


Apesar da economia de espaço, ela não é indicada para todas as ocasiões. Cômodos que demandam abertura e fechamento rápidos tendem a se beneficiarem com as portas convencionais, já que o deslocamento lateral tende a ser mais lento.

 

Transparência e privacidade convivem nesta solução executada pela arquiteta Isabella Nalon para isolar o home office sem romper a visão para os demais ambientes do projeto 

                                                                                Fotos: Julia Herman

 

O isolamento também merece atenção e, de acordo com a arquiteta o sistema de correr prejudica as questões termoacústicas do projeto. “A questão ganha relevância em ambientes que dependem de privacidade sonora ou de maior controle térmico, pois os vãos formados entre as folhas interferem nas performances esperadas”, alega a profissional.




Manutenção depende da qualidade do material e do trilho


A conservação varia de acordo com o material utilizado e a orientação de Isabella é a de evitar produtos abrasivos e realizar a limpeza conforme as especificidades de cada acabamento. Nas portas de madeira, ela sugere uma nova pintura a cada cinco anos.


A atenção ao trilho também faz parte da rotina de conservação, evitando o acúmulo de sujidades que prejudicam o deslocamento da folha e comprometem o funcionamento do sistema ao longo do tempo.

 


Isabella Nalon – arquiteta, percorreu uma trajetória de muitos estudos e pesquisas na área de Arquitetura e Decoração. Iniciou sua carreira atuando como arquiteta na Alemanha e, em 1998, inaugurou seu escritório em São Paulo. Se especializou em projetos arquitetônicos residenciais, comerciais e de decoração de interiores. Possui uma visão plural e ampla de diferentes culturas e públicos, o que se tornou um diferencial em seu percurso profissional. Cada projeto desenvolvido pelo escritório é único, com muita harmonia, elegância e criatividade. Frequentemente, tem obras reconhecidas e publicadas por renomados portais e revistas de arquitetura e decoração, consolidando o escritório na lista dos mais importantes da capital paulista.
Instagram: @isabellanalon
Site: www.isabellanalon.com
Youtube: Isabella Nalon
Tel.: (11) 94453-5500

 

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