A memória olfativa faz do cheiro do pai um dos
vínculos afetivos mais duradouros da infância
O
perfume da barba, o aroma da camisa recém-passada, o banco do carro ou até o
sabonete usado pelo pai têm o poder de transportar o cérebro para momentos
vividos décadas atrás. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry,
isso acontece porque o olfato é o único sentido que possui uma ligação direta
com as áreas cerebrais responsáveis pelas emoções e pelas memórias afetivas.
"O
cheiro é um verdadeiro atalho para o cérebro. Enquanto imagens e sons passam
por diferentes etapas de processamento, os aromas chegam rapidamente ao sistema
límbico, região onde estão estruturas como a amígdala, responsável pelas
emoções, e o hipocampo, fundamental para a formação e recuperação das
memórias", explica.
É
por isso que um aroma pode provocar alegria, saudade, conforto ou até lágrimas
em poucos segundos. O cérebro não registra apenas o cheiro, mas todo o contexto
emocional vivido naquele momento.
"Quando
uma criança cresce sentindo o perfume do pai durante um abraço, uma brincadeira
ou um passeio, o cérebro passa a associar aquele aroma a sensações de
segurança, acolhimento e pertencimento. Mesmo muitos anos depois, esse cheiro
continua sendo capaz de despertar essas emoções", afirma Daiana.
O cheiro da infância mora no pai
Segundo
a especialista, a memória olfativa costuma ser uma das mais resistentes ao
tempo justamente porque foi construída em períodos de grande plasticidade
cerebral, durante a infância.
Os
primeiros anos de vida são marcados por inúmeras experiências sensoriais.
Enquanto o cérebro aprende quem são as pessoas importantes, também registra
seus sons, vozes, expressões e, principalmente, seus cheiros.
"O
aroma do pai acaba funcionando como uma espécie de assinatura emocional. Mesmo
que a pessoa não consiga descrever exatamente aquele cheiro, o cérebro o
reconhece imediatamente quando encontra algo semelhante", explica.
Para
a neurocientista, essas lembranças não representam apenas nostalgia. Elas fazem
parte da construção da identidade emocional.
"As
nossas memórias afetivas ajudam a contar quem somos. Os aromas que marcaram a
infância permanecem registrados como referências de vínculo, proteção e amor.
Reencontrá-los é uma maneira de reencontrar partes importantes da nossa própria
história."
Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial. Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry
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