Psicanalista fala
sobre a transformação da visão da paternidade e a sua importância no sentimento
de pertencimento dos filhos
Magnific
No próximo domingo
o Brasil celebra o Dia dos Pais. Nessa época, é comum pensarmos em presentes,
almoços em família e homenagens. Mas, talvez essa data também seja um convite
para refletirmos sobre uma pergunta muito mais importante: qual é, afinal, o
verdadeiro papel de um pai?
“Durante muito tempo,
acreditou-se que o pai era o responsável por sustentar a casa, impor limites ou
resolver os problemas da família. Embora essas responsabilidades possam fazer parte
da paternidade, elas não definem aquilo que realmente marca a vida de um
filho”, destaca Yafit Laniado, psicanalista e criadora da Relacionamentoria,
mentoria especializada na relação entre pais e filhos.
“Na psicologia
Adleriana, acreditamos que toda criança precisa desenvolver duas competências
fundamentais para a vida: o sentimento de pertencimento e o sentimento de
capacidade. É justamente aí que o pai exerce um papel insubstituível”, explica
Yafit.
A especialista
detalha que um pai fortalece um filho quando faz com que ele se sinta
importante dentro da família. “Quando reserva tempo para ouvi-lo, demonstra
interesse genuíno pelo que ele pensa e sente, compartilha responsabilidades e
permite que ele participe da vida familiar de maneira significativa. Ao mesmo
tempo, esse pai transmite a mensagem silenciosa, mas extremamente poderosa de
que confia no filho. É essa confiança que encoraja a criança a experimentar,
errar, aprender e tentar novamente”.
Cuidado com
os excessos
Muitos pais
acreditam que amar é proteger os filhos de qualquer dificuldade. Porém, quando
fazem tudo por eles, acabam transmitindo, sem perceber, a ideia de que eles não
são capazes.
“O verdadeiro
incentivo acontece quando o adulto oferece apoio sem tirar da criança a oportunidade
de crescer. Educar não significa eliminar todos os obstáculos do caminho dos
filhos, mas caminhar ao lado deles até que descubram a própria força”, reforça.
Yafit lembra que as crianças não precisam de pais perfeitos, mas de pais presentes, que saibam estabelecer limites com respeito, reconhecer seus próprios erros, pedir desculpas quando necessário e, principalmente, acreditar no potencial de seus filhos, mesmo quando eles ainda não conseguem acreditar em si mesmos.
“É nesse contexto que deve estar o espírito dessa data. A troca de olhares entre pai e filho, e por meio dessa troca ressaltar o sentimento de pertencimento, de laço familiar. Porque filhos que crescem sentindo que pertencem e que são capazes tornam-se adultos mais confiantes, responsáveis e preparados para contribuir com o mundo. Esse é um legado que atravessa gerações”, finaliza Yafit.
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