Criatividade, protagonismo e capacidade de resolver problemas estão entre as habilidades estimuladas pela educação empreendedora
As profissões e o mercado de trabalho estão mudando
em ritmo acelerado. A transformação digital e a inteligência artificial têm
ampliado a importância de habilidades como capacidade de adaptação e resolução
de problemas, soft skills que têm servido de base para iniciativas de educação
empreendedora, desenvolvidas por um número cada vez maior de escolas de todo o
país.
Ao contrário do imaginário comum, ensinar empreendedorismo não
significa incentivar crianças e adolescentes a abrir uma empresa ou transformar
a infância em uma preparação precoce para o mercado de trabalho. "Quando
trazemos o tema empreendedorismo para dentro da sala de aula, estamos falando
sobre o desenvolvimento de estudantes protagonistas, com habilidades
empreendedoras, que os tornarão capazes de observar o mundo, identificar
problemas, propor soluções, trabalhar em equipe e aprender sempre. São
competências fundamentais para qualquer profissão e para a vida em sociedade,
capazes de promover desenvolvimento individual e coletivo", explica
Beatriz Aoki, professora de Educação Financeira do colégio Progresso Bilíngue de Campinas (SP).
Embora a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não estabeleça o
empreendedorismo como uma disciplina obrigatória, ela prevê o desenvolvimento
de competências como autonomia, criatividade, resolução de problemas,
protagonismo, colaboração e projeto de vida.
Nesse sentido, campanhas de arrecadação, ações ambientais,
iniciativas voltadas ao consumo consciente, projetos de inclusão, soluções para
problemas locais e propostas de sustentabilidade são exemplos de atividades que
estimulam os estudantes a observar seu entorno e pensar em formas de contribuir
para transformá-lo. “Nessas experiências, os alunos aprendem que empreender
também é identificar necessidades, mobilizar pessoas, trabalhar de forma colaborativa
e colocar boas ideias em prática para produzir impacto social”, acrescenta
Beatriz.
Além disso, um dos princípios da educação empreendedora é
compreender que inovação dificilmente acontece sem tentativa e erro. Por isso,
Renato Shiotuqui, professor do Brazilian International School - BIS, de São Paulo (SP), defende que o
ambiente escolar deve oferecer espaço para que crianças e adolescentes
experimentem, revisem estratégias e aprendam com os próprios desafios.
"Quando o erro é tratado apenas como fracasso, os estudantes
tendem a evitar riscos e deixam de explorar novas possibilidades. Já quando ele
é entendido como parte do processo de aprendizagem, desenvolvem perseverança,
confiança e capacidade de adaptação", afirma Shiotuqui. “Essa abordagem
também fortalece competências socioemocionais, como resiliência,
responsabilidade e inteligência emocional, além de incentivar uma postura mais
investigativa diante dos problemas”, acrescenta.
Como abordar o empreendedorismo na escola?
O desenvolvimento da chamada mentalidade empreendedora pode
acontecer em diferentes etapas da educação básica, sempre respeitando o momento
de desenvolvimento de cada estudante.
Na Educação Infantil, esse aprendizado pode aparecer
por meio das brincadeiras, da
exploração, da imaginação e das pequenas escolhas do cotidiano. “Quando uma
criança cria regras para um jogo, constrói uma solução para um desafio ou
encontra uma forma diferente de utilizar um objeto, ela já está exercitando
criatividade, autonomia e capacidade de resolver problemas”, aponta Rodrigo
Ferreira, professor da Escola Internacional de Alphaville -
EIA, de Barueri (SP).
Nos anos do Ensino Fundamental, projetos
colaborativos, feiras, apresentações, desafios interdisciplinares e atividades
de aprendizagem baseada em projetos ampliam essas experiências. “Nessa fase, os
estudantes estão aptos a pesquisar, planejar, testar hipóteses, dividir
responsabilidades e apresentar suas ideias para colegas e professores”, diz
Ferreira.
Já no Ensino Médio, segundo o professor da EIA,
essas competências podem ser aprofundadas em iniciativas que envolvem inovação,
empreendedorismo social, desenvolvimento de projetos, planejamento financeiro,
sustentabilidade e impacto social, aproximando os alunos de situações reais em
que precisam tomar decisões, negociar e lidar com diferentes perspectivas.
Como as famílias podem incentivar a atitude
empreendedora?
O desenvolvimento dessas competências também pode
ser estimulado fora da escola. Segundo Patrick Menezes, professor da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), pequenas atitudes do
dia a dia ajudam crianças e adolescentes a desenvolver autonomia, responsabilidade
e confiança.
Entre elas estão incentivar que façam escolhas
compatíveis com sua idade, permitir que resolvam pequenos problemas antes de
oferecer respostas prontas, envolver os filhos em decisões familiares,
estimular projetos pessoais, valorizar a criatividade e conversar sobre
planejamento e organização de forma natural.
"O mais importante é mostrar que nem toda
ideia dará certo na primeira tentativa. Quando a criança percebe que pode
experimentar, aprender com os erros e tentar novamente, ela desenvolve uma
postura mais confiante, criativa e preparada para lidar com os desafios da
vida", afirma Menezes.
O educador também considera muito importante
estimular nos estudantes um olhar atento para os negócios que fazem parte do
cotidiano. “Por isso, trabalho frequentemente com estudos de caso e situações
reais. A ideia é que, ao entrar em um restaurante, por exemplo, o aluno não
enxergue aquele espaço apenas como cliente, mas também comece a se perguntar
como aquele negócio funciona: quais produtos parecem ter maior margem, como a
empresa se posiciona, se sua estratégia de marketing faz sentido, como organiza
suas operações e quais decisões estão por trás daquela experiência”.
Desta forma, aos poucos, o jovem percebe que o
empreendedorismo não é algo abstrato ou distante. “Os negócios estão ao nosso
redor o tempo todo e empreender, gerir ou participar da construção de um
negócio pode ser uma possibilidade concreta em seu próprio futuro”, finaliza
Menezes.
Beatriz Aoki - formada em Administração pela Unicamp e MBA em Gestão de Pessoas pela USP. É professora de Educação Financeira do Progresso Bilíngue e responsável pelo grupo de estudantes voluntários do Ensino Médio. Atua como Relações Públicas na ONG SOS Amazônia.
Patrick de Menezes - cientista social formado pela Universidade de São Paulo (USP), com licenciatura em Ciências Sociais pela mesma instituição e mestre em Educação pela PUC-SP. Atua como professor de Business e e Global Perspectives na Escola Bilíngue Aubrick, trabalhando com temas relacionados a empreendedorismo, pensamento crítico, resolução de problemas, pesquisa e análise de questões sociais e econômicas.
Renato Shiotuqui - licenciado em matemática pela Faculdade de Guarulhos. Atua como professor de física e matemática, acumulando mais de 29 anos de experiência lecionando em escolas da rede privada e cursos pré-vestibulares.
Rodrigo Ferreira - doutor em Administração pela USP, com pesquisa na área de impacto socialm mestre em Economia (USP) e bacharel em Economia (USP). É professor há 15 anos, tendo criado centros de inovação e empreendedorismo e atuado com o desenvolvimento de metodologias ativas no ensino de negócios. É professor de economia, empreendedorismo e negócios na Escola Internacional de Alphaville e em faculdades de negócios.
International Schools Partnership – ISP
Para mais informações, acesse o site

Nenhum comentário:
Postar um comentário