Neste Dia dos
Pais, psicóloga reflete sobre legado emocional e as marcas que atravessam
gerações
Divulgação
Há pais que deixam memórias de diversão, de
brincadeira compartilhada. Outros remetem à sensação de rigor e austeridade,
disciplina e respeito. Existem os pais superprotetores, controladores,
liberais, tranquilos, preocupados, divertidos e sérios. E também os pais
ausentes, ainda que vivos. Há pais rigorosos, autoritários, que transmitem medo
e admiração. Há pais contidos, que nunca aprenderam a dizer “eu te amo”. E
outros que gostam de abraçar, rir e carregar no colo.
As imagens dos pais com seus filhos são infinitas.
Mas certamente, a presença de um pai, seja pelo que ofereceu ou pelo que faltou,
deixa marcas profundas. Seu legado sempre permanecerá, evocando as melhores ou
piores emoções dentro de nós.
Podemos lembrar do cheiro da sua camisa; da segurança
ao sentir sua mão grande ao atravessar a rua; das histórias que ele contava
antes de dormir; da falta que ele fazia quando chegava tarde do trabalho; do
seu jeito desajeitado de rir; dos momentos compartilhados na bicicleta e no
futebol; da bronca que doeu de vergonha e medo; daquela frase repetida centenas
de vezes que colou em nossa mente para nunca mais ir embora; da sua ausência.
Milhares de memórias fazem parte dessa herança.
A partir dessa relação tão visceral e delicada,
aprendemos a amar e interpretar a vida. O corpo aprende desde cedo com os
modelos vividos na infância e cada experiência, boa ou ruim, vai marcar
profundamente o presente e o futuro. São essas as principais heranças deixadas
pelos nossos pais.
Quais crenças paternas carregamos e levamos para as
gerações seguintes?
Que medos persistem em nossa vida adulta e nasceram
lá atrás, em uma lembrança recorrente ou anestesiada e abafada?
Que coragem nos impulsiona a seguir em frente
diante dos desafios, que aprendemos no exemplo do nosso pai?
Que passeio ou brincadeira fazemos com nossos
filhos inspirados pelo que vivemos com o pai quando éramos criança?
Podemos ter recebido do nosso pai o legado do
humor, aprendendo a viver com mais leveza. Ou talvez o legado do sacrifício em
nome dos filhos.
Cada um de nós carrega uma mala invisível, com
valores, crenças, receios, afetos, silêncios, modos de amar e de viver. Parte
dessa bagagem queremos preservar. Outra parte talvez precise ser reorganizada
antes de seguir viagem.
O cérebro humano vai repetir os padrões aprendidos,
sejam eles benéficos ou não. É importante tornar visível a bagagem para sair
dos padrões automáticos e escolher a vida que queremos ter. Afinal, a herança
invisível influencia, mas não determina.
Um bom caminho pode ser fazer a si mesmo as
perguntas: "O que meu pai deixou em mim que continua vivo?" e depois
"O que eu escolho transformar para as próximas gerações?"
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