domingo, 12 de julho de 2026

Uso incorreto de roupas de frio em pets pode causar problemas de pele

Doenças de pele podem representar até 20% dos atendimentos; especialistas explicam quando as roupinhas ajudam e quando podem prejudicar cães e gatos  

 

Com a queda brusca nas temperaturas, é natural que os tutores busquem alternativas para aquecer os animais de estimação. As vitrines se enchem de casacos, moletons e fantasias de inverno. No entanto, o que começa como um gesto de cuidado e estética pode se transformar em um problema de saúde para cães e gatos. A WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, faz um alerta clínico: o uso prolongado e incorreto de roupinhas está entre os fatores que podem desencadear crises dermatológicas e desconforto físico durante o inverno. 

De acordo com a World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), as doenças dermatológicas estão entre as condições mais frequentes na medicina veterinária de pequenos animais, podendo representar até 20% dos atendimentos clínicos Esse número pode chegar a até 70% dependendo da região. Em um país que abriga cerca de 160 milhões de animais de estimação, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), a adoção de cuidados inadequados durante os períodos de frio pode impactar milhões de pets. 

Ao contrário dos seres humanos, os animais possuem uma barreira natural extremamente eficiente de proteção térmica: a pelagem e a gordura subcutânea. Quando o tutor insere uma camada artificial de tecido sobre o corpo do animal sem necessidade real, o microclima da pele se altera drasticamente.
 

O perigo do "abafamento" e as dermatites ocultas 

O erro mais frequente é manter o animal vestido por dias seguidos, sem intervalos para que a pele respire. “O tecido em contato contínuo com o corpo do animal retém a umidade natural da pele, reduz a ventilação e cria um ambiente quente e úmido, principalmente se o pet tiver dermatite atópica. Esse é o cenário ideal para a proliferação de fungos e bactérias. Quando o tutor retira a roupa para lavar, muitas vezes se depara com quadros de dermatite, infecções cutâneas e alergias que exigem tratamento medicamentoso”, explica Analice Munhoz, médica veterinária na WeVets. 

Além das infecções de pele, o atrito constante do tecido com os pelos compridos provoca a formação de nós complexos, especialmente em regiões de dobra como axilas e virilhas. Esses nós tensionam a pele, gerando dor e desconforto e, em casos mais graves, podem exigir a remoção completa da pelagem afetada.
 

Quem realmente precisa de roupa? 

A necessidade de proteção térmica varia conforme a anatomia, a idade e o histórico de saúde do pet. Organizações veterinárias internacionais, como a American Veterinary Medical Association (AVMA), apontam que filhotes, idosos, animais de pequeno porte, com baixa gordura corporal ou pelagem curta são os mais suscetíveis aos efeitos das baixas temperaturas. 

A indicação clínica de uso de roupas restringe-se principalmente a:

  1. Animais de pelagem muito curta ou nua: raças como Pinscher, Whippet, Galgo Italiano e o gato Sphynx possuem menor capacidade de retenção de calor.
     
  2. Pets idosos e com doenças ortopédicas: o frio pode intensificar dores associadas à artrose e outras alterações articulares.
     
  3. Filhotes e convalescentes: animais muito jovens ou em recuperação de cirurgias e doenças apresentam maior dificuldade de regulação térmica.

Por outro lado, raças de pelagem dupla ou densa, como Spitz Alemão, Husky Siberiano, Chow Chow, Golden Retriever e a maioria dos gatos de pelo longo, normalmente não necessitam de roupas para enfrentar o inverno. Em alguns casos, o excesso de proteção pode comprometer a função isolante natural da pelagem.
 

Manual do inverno seguro para os tutores 

Para garantir o bem-estar do pet sem colocar a saúde em risco, a especialista da WeVets recomenda: 

Rodízio e escovação: retirar a roupa pelo menos duas vezes ao dia para escovar os pelos e verificar a condição da pele. A mesma peça não deve permanecer no animal por mais de 24 horas sem higienização. O ideal é lavar a roupinha ao retirar do armário antes de colocar no pet, principalmente se ele já tiver histórico de dermatite alérgica. 

Tecidos adequados: optar por algodão ou soft leve, que favorecem a troca de calor. Materiais sintéticos, lãs que soltam fiapos e peças com adornos devem ser evitados. 

Liberdade de movimento: a roupa não pode restringir a locomoção, o ato de sentar ou as necessidades fisiológicas do pet. 

Observar sinais reais de frio: tremores persistentes, busca constante por locais aquecidos, sono excessivamente encolhido e extremidades frias, como patas e orelhas, são indicativos mais confiáveis do que a percepção térmica do tutor.  

“O frio existe e alguns animais realmente precisam de proteção adicional. O problema surge quando o tutor acredita que todo pet sente frio da mesma forma que um ser humano. A melhor estratégia é observar os sinais do animal e buscar orientação veterinária com um especialista, como os da equipe da WeVets, antes de transformar uma medida de conforto em um fator de risco para a saúde”, finaliza a especialista da WeVets.



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