quinta-feira, 23 de julho de 2026

Pesca no inverno: Instituto de Pesca orienta sobre cuidados e estratégias para a atividade durante a estação


O inverno completou um mês no Brasil, período marcado pela queda das temperaturas e por mudanças no comportamento dos peixes. A estação exige adaptação às condições ambientais e maior atenção aos hábitos das espécies. 

O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, destaca que, durante os meses mais frios, os peixes apresentam alterações no metabolismo em função da diminuição da temperatura da água, o que os torna menos ativos e com menor movimentação, influenciando sua alimentação e distribuição nos ambientes aquáticos.
 

Estratégias para a pesca no inverno 

De acordo com o pesquisador do IP, Eduardo Onaka, “com a redução do metabolismo, os peixes passam a gastar menos energia e diminuem a frequência de alimentação. Como consequência, tendem a ignorar o oferecimento de iscas e permanecem por mais tempo em áreas onde encontram melhores condições de temperatura, tornando a pescaria mais desafiadora durante o inverno”. 

A temperatura corporal dos peixes é determinada pela temperatura do ambiente aquático, sem mecanismos internos de regulação. Isso implica que a temperatura da água atua como fator limitante direto sobre a taxa metabólica padrão do animal. No verão, as altas temperaturas aceleram o metabolismo do peixe: ele digere a comida rápido e precisa se alimentar com mais frequência. No inverno, o frio faz o oposto: o organismo desacelera, a digestão fica mais lenta e o peixe passa mais tempo entre uma refeição e outra. 

No inverno, o peixe vive em regime de conservação energética. A seleção de presas é orientada pela otimização do custo-benefício energético, ou seja, o ataque ocorre apenas quando o gasto metabólico para captura é minimizado (isca próxima, baixa velocidade de deslocamento). Além disso, a recuperação pós-exercício é significativamente prolongada, exigindo manuseio mais cuidadoso quando praticamos o pesque-e-solte para evitar mortalidade por exaustão metabólica. 

Na prática, a pesca de barranco torna-se quase improdutiva, pois os peixes deslocam-se para longe da zona rasa. Na pesca embarcada, o sonar é uma ferramenta indispensável para localizar principalmente as estruturas submersas e a profundidade dos cardumes. A isca deve ser apresentada no fundo ou imediatamente acima da termoclina (camada invisível na água onde a temperatura muda muito rápido em um curto espaço de profundidade), onde a concentração de peixes é máxima, o que aumentam as chances de sucesso na pescaria. 

A estratégia no inverno é a pesca de precisão, ou seja: devem-se identificar os espaços propícios e apresentar a isca repetidamente nos mesmos pontos. Iscas de alto impacto sensorial, como iscas de superfície, perdem eficácia, ao passo que iscas de fundo trabalhadas em velocidade reduzida e com pausas prolongadas se tornam mais eficazes. 

Embora a atividade dos peixes seja reduzida durante a estação, algumas espécies apresentam maior tolerância às baixas temperaturas e tendem a permanecer bastante ativas durante o inverno. Entre as espécies de água doce tolerantes ao frio, destacam-se traíra, dourado, pacu, corvina, carpas (todas) e bagres em geral (jundiá, pintado, cachara, barbado, mandi etc.). 

A escolha do horário também pode influenciar os resultados. No inverno, os períodos entre o final da manhã e o meio da tarde costumam ser mais favoráveis, quando a água recebe maior incidência solar e os peixes tendem a apresentar maior atividade. Além disso, a escolha de técnicas e iscas adequadas às condições da estação pode contribuir para uma pescaria mais produtiva. 

Diferente dos rios e lagos de água doce, o inverno no litoral da região Sudeste do Brasil é sinônimo de fartura. Dois fenômenos explicam o aumento de peixes nesta época: a Ressurgência (ventos de frentes frias trazem uma corrente de água profunda, gelada e cheia de nutrientes para a superfície) e Migração pelo frio (espécies do Sul do país viajam em direção ao Sudeste). Os peixes mais aguardados no inverno do Sudeste são: tainha, anchova, sororoca, bonito-listrado e pargo.

 

Mais orientações para pescar no inverno

“No inverno, as águas ficam mais transparentes e os peixes se comportam de forma mais lenta e discreta. Para garantir o sucesso da pescaria nesta época, os pescadores precisam adaptar suas técnicas”, diz Onaka, que orienta como pescar nesse período, conforme a seguir:

  • Linhas invisíveis: como a água fica mais clara, utilize na extremidade da linha um líder de fluorcarbono mais fino e comprido (pelo menos 1,5 metro) para que o peixe não perceba a armadilha.
  • Vá até o fundo: os peixes se concentram perto do fundo no inverno. Use iscas de metal ou chumbadas mais pesadas para garantir que a isca atinja a profundidade certa.
  • Recolhimento lento: quando usar iscas artificiais, recolha a linha bem devagar. No frio, a fisgada do peixe não é uma batida explosiva; você sentirá apenas a linha ficar "pesada" durante as pausas.
  • Aposte no cheiro: o olfato dos peixes continua funcionando muito bem no frio. Use iscas naturais com cheiro forte ou aplique atrativos em gel nas iscas artificiais para atraí-los de longe.

Boa pescaria!

 

Andressa Claudino

Colaboração: Eduardo Onaka


Instituto de Pesca

O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.

 

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