Mesmo após mais de três décadas da legislação, apenas cerca de 54% das vagas previstas para pessoas com deficiência estão ocupadas
- Mais de três décadas após a criação da Lei de Cotas, pouco
mais da metade das vagas destinadas às pessoas com deficiência está
efetivamente preenchida;
- Ampliar o acesso ao mercado de trabalho exige mais do que
cumprir a legislação, com a remoção de barreiras e ambientes preparados
para a inclusão;
- Métodos reconhecido internacionalmente, como o Emprego
Apoiado propõem a inclusão antes da qualificação, oferecendo suporte
contínuo para que as pessoas desenvolvam suas competências no próprio
ambiente de trabalho.
Mais de três décadas após a criação da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho ainda está longe de ser uma realidade plena. Embora a legislação tenha representado um marco importante para ampliar o acesso ao emprego formal, apenas cerca de 54% das vagas previstas para pessoas com deficiência estão efetivamente preenchidas no país.
O Brasil possui aproximadamente 7,3 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar, número suficiente para preencher mais de sete vezes todas as vagas previstas na legislação. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a baixa ocupação dessas vagas está relacionada principalmente às barreiras de acessibilidade, aos processos de recrutamento e seleção e à falta de preparo das empresas para promover uma inclusão efetiva.
Para o Instituto Jô Clemente (IJC), Organização sem fins lucrativos que atua na promoção da inclusão de pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras, os dados mostram que ainda é necessário ampliar o acesso ao mercado de trabalho e fortalecer iniciativas que garantam o direito ao emprego para pessoas com deficiência.
"A Lei de Cotas representou um avanço fundamental para a
inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. No entanto, 35
anos depois, ela ainda não foi cumprida. O desafio continua sendo ampliar o
acesso ao emprego, removendo barreiras e criando oportunidades para que mais
pessoas possam exercer esse direito", afirma Flavio Gonzalez, Coordenador
de Inclusão Social do Instituto Jô Clemente (IJC).
Emprego Apoiado: incluir antes de qualificar
Diante desse cenário, o IJC destaca o Emprego Apoiado como um método baseado em evidências e reconhecido internacionalmente para promover a Inclusão Profissional de pessoas com deficiência. O modelo parte do princípio de "incluir para qualificar", permitindo que a pessoa ingresse no mercado de trabalho e desenvolva suas competências no próprio ambiente profissional, com os apoios necessários para exercer suas atividades.
Outro princípio da metodologia é a presunção de empregabilidade, que reconhece que todas as pessoas, independentemente do tipo ou da intensidade dos apoios de que necessitem, têm capacidade e direito ao trabalho quando encontram oportunidades e ambientes preparados para acolhê-las.
"O Emprego Apoiado parte do princípio
de que todas as pessoas podem trabalhar quando recebem os apoios necessários.
Em vez de esperar que estejam totalmente qualificadas para ingressar no
mercado, o modelo propõe que elas sejam incluídas primeiro e desenvolvam suas
competências durante sua experiência profissional. A oportunidade vem antes da
qualificação", destaca Flávio.
Remover barreiras para ampliar a inclusão
Para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, é necessário remover barreiras nos processos de recrutamento e seleção, investir em acessibilidade, preparar gestores e equipes e oferecer os apoios necessários desde a contratação. Essas medidas contribuem para que mais pessoas tenham acesso ao emprego em igualdade de oportunidades e para que a Lei de Cotas seja efetivamente cumprida.
Com mais de uma década de experiência na aplicação do Emprego
Apoiado, o IJC já contribuiu para a inclusão de mais de 5 mil pessoas com
deficiência no mercado de trabalho por meio do Programa IJC
Inclui+, alcançando uma taxa de retenção de 93%.
A experiência demonstra que, quando empresas oferecem os apoios necessários e
ambientes preparados, é possível ampliar o acesso ao emprego e promover uma
inclusão efetiva.
Cumprir a Lei de Cotas é garantir oportunidades
Os 35 anos da Lei de Cotas representam um momento para reconhecer os avanços conquistados, mas, principalmente, para reforçar que a legislação ainda precisa ser plenamente cumprida. Ampliar o acesso ao mercado de trabalho significa garantir oportunidades reais para que pessoas com deficiência possam exercer seu direito ao trabalho e participar de forma ativa da sociedade.
"Toda pessoa tem potencial para trabalhar e contribuir com a
sociedade. O papel das empresas é garantir que esse potencial encontre
oportunidades para se desenvolver. Cumprir a Lei de Cotas significa assegurar
esse direito e construir ambientes em que a inclusão aconteça de forma
efetiva", conclui Flávio.
Instituto Jô Clemente - IJC
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