Campanha reforça que nem todas as hepatites são transmitidas da mesma forma e destaca a importância da vacinação, da testagem e do diagnóstico precoce diante de uma doença que costuma evoluir sem sintomas
As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a
saúde pública por um motivo que merece atenção: muitas vezes, não apresentam
sintomas nas fases iniciais. Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites
Virais 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 826 mil casos
confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C representa
41,5% dos diagnósticos, seguida pela hepatite B, com 36,6%. Embora a
mortalidade tenha diminuído nas últimas décadas graças ao avanço da vacinação e
do tratamento, a prevenção continua sendo essencial, principalmente em
situações que envolvem contato com sangue.
Mesmo com campanhas de conscientização, ainda persistem dúvidas
sobre as formas de transmissão, prevenção, vacinação e tratamento da doença. Para
responder às perguntas mais frequentes, o Dr. Valdir Sabbaga Amato, infectologista disponível na
Doctoralia e professor associado do Depto. de Infectologia e Medicina Tropical
da Universidade de São Paulo (USP), explica o que é mito e o que é verdade
sobre as hepatites virais.
Compartilhar
escovas de dente ou lâminas de barbear pode transmitir hepatites virais:
VERDADE
Objetos de uso pessoal que podem entrar em contato com pequenas
quantidades de sangue não devem ser compartilhados. Mesmo sem sangue visível,
existe possibilidade de transmissão dos vírus das hepatites B e C.
"São objetos que podem provocar pequenos ferimentos e, por
isso, representam um risco quando compartilhados. A recomendação é que sejam
sempre de uso individual", orienta Valdir.
Quem
tem hepatite sempre apresenta sintomas, como pele e olhos amarelados: MITO
Nem todas as pessoas desenvolvem sintomas. Em muitos casos,
especialmente nas hepatites B e C, a infecção pode permanecer silenciosa
durante anos, sendo identificada apenas em exames de rotina ou quando já existe
algum comprometimento do fígado.
"A ausência de sintomas não significa ausência da doença.
Esse é justamente um dos motivos pelos quais o diagnóstico precoce é tão
importante", afirma o infectologista.
Existe
vacina para todas as hepatites virais: MITO
Atualmente, há vacinas eficazes contra as hepatites A e B. Ainda
não existe vacina para a hepatite C, o que torna as medidas de prevenção e a
testagem ainda mais importantes.
Para o infectologista, a vacinação é uma das principais
ferramentas de prevenção para algumas hepatites, mas ela não protege contra
todos os tipos. “Por isso, hábitos seguros e acompanhamento médico continuam
sendo fundamentais."
Todas as hepatites podem ser contraídas da mesma forma: MITO
As formas de transmissão variam de acordo com o tipo de hepatite
viral. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela ingestão de água
ou alimentos contaminados e estão relacionadas a condições inadequadas de
saneamento e higiene. Já as hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo
contato com sangue contaminado. No caso da hepatite B, também há risco de
transmissão por relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a
gestação ou o parto.
“Embora todas afetem o fígado, as hepatites virais não são
contraídas da mesma maneira. Conhecer as formas de transmissão de cada tipo é
essencial para adotar as medidas adequadas de prevenção”, explica o
infectologista.
As
hepatites virais têm tratamento e, em alguns casos, podem ser curadas: VERDADE
Os avanços da medicina permitiram tratamentos cada vez mais
eficazes. A hepatite C, por exemplo, apresenta altas taxas de cura quando
diagnosticada e tratada adequadamente. Já a hepatite B pode ser controlada,
reduzindo o risco de complicações.
"Quanto mais cedo a infecção é identificada, maiores são as
chances de um tratamento eficaz e da prevenção de complicações como cirrose e
câncer de fígado. Por isso, pessoas que tiveram situações de risco ou nunca
realizaram a testagem devem conversar com um profissional de saúde",
conclui o Dr. Valdir Sabbaga Amato.
Referência
Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025
Nenhum comentário:
Postar um comentário