quarta-feira, 15 de julho de 2026

Bets elevam custos à saúde em quase 31 bilhões e ampliam demanda por atendimento no SUS

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Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP) alerta para impactos do aumento da procura por atendimento especializado e defende ampliação da prevenção e assistência 

 

O avanço das apostas esportivas online, popularmente conhecidas como bets, tem provocado impactos cada vez mais expressivos sobre a saúde pública brasileira. Além do aumento dos casos de dependência em jogos de azar, um estudo realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) em parceria com a Frente Parlamentar da Saúde Mental (FPSM) e a Umane, aponta que os danos associados à prática podem gerar um custo de pelo menos R$ 30,6 bilhões por ano ao sistema de saúde e à sociedade. 

O levantamento pontua que aproximadamente 79% dos impactos econômicos provocados pelas apostas estão relacionados à saúde. Entre os principais fatores estão os custos decorrentes de mortes por suicídio, tratamentos para depressão, perda de produtividade e redução da qualidade de vida dos pacientes. 

O cenário também já se reflete na assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do Ministério da Saúde, o SUS fez em média 12 atendimentos virtuais diários em saúde mental para pessoas viciadas em bets nos dois primeiros meses de operação da plataforma. De 3 de março a 18 de maio, houve 883 consultas por vídeo com apoio de psicólogos e psiquiatras. A modalidade de teleatendimento foi criada para ampliar o acesso ao tratamento, especialmente entre pacientes que evitam procurar ajuda presencial por vergonha ou medo do estigma relacionado ao vício. 

Para a Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP), os dados evidenciam que a ludopatia, transtorno caracterizado pelo comportamento compulsivo em jogos de azar, deve ser encarada como um problema de saúde pública que exige atuação integrada entre prevenção, diagnóstico precoce, assistência especializada e políticas públicas. 

"O crescimento dos casos relacionados às apostas online mostra que estamos diante de um desafio que ultrapassa a esfera econômica. O impacto atinge diretamente a saúde mental, compromete famílias inteiras e aumenta a pressão sobre o sistema de saúde. Precisamos tratar esse tema com a mesma seriedade dedicada a outras dependências comportamentais", afirma o presidente da AHOSP, Dr. Anis Mitri. 

Na avaliação do dirigente, o fortalecimento da rede assistencial será fundamental diante da tendência de aumento da demanda por atendimento em saúde mental. "Esse impacto não se restringe aos serviços especializados em saúde mental. Os hospitais também atendem pacientes com crises de ansiedade, depressão e outras complicações associadas à dependência em apostas. Por isso, é fundamental investir na capacitação das equipes, ampliar o acesso aos serviços especializados e desenvolver estratégias de prevenção para reduzir o impacto desse novo perfil de adoecimento", destaca. 

Para Mitri, o avanço das plataformas digitais torna ainda mais importante o desenvolvimento de campanhas permanentes de conscientização, sobretudo entre jovens e adultos, grupos mais expostos às apostas online. 

"Assim como ocorreu com outras questões de saúde pública, a informação é uma das principais ferramentas de prevenção. É necessário conscientizar a população sobre os riscos da dependência em apostas, facilitar o acesso ao tratamento e fortalecer políticas públicas que reduzam os impactos sociais e assistenciais desse problema crescente", conclui o presidente da AHOSP.





Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo - AHOSP


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